Tite não dá espetáculo, mas dá a Copa América

O Brasil sagrou-se campeão da Copa América no emblemático Maracanã, vencendo o Perú por 3-1. Foi um encontro repleto de trabalho por parte da equipa de arbitragem e… trabalho de casa da parte de Tite.

A primeira parte desta final da Copa América é bem ilustrativa da filosofia de Tite. O Brasil jogou sob a pressão do público brasileiro, em pleno Maracanã, ávidos de vingança do Mundial 2014 e de uma Copa América que foge ao “escrete” desde 2007. No entanto, a equipa brasileira recusou usar e abusar do favoritismo contra o Perú e assumiu um comportamento cauteloso, pressionando só perto da linha divisória do meio-campo.

Pelo contrário, a equipa de Gareca quis mostrar serviço desde o primeiro minuto e foi a primeira a criar situações de perigo relativo, com um livre de Yotun a passar perto do poste e Carrillo a ser desarmado na pequena área. A primeira oportunidade do Brasil deu em golo – Gabriel Jesus sambou e cruzou para o solitário Everton, que marcou de primeira. O “Cebolinha”, novato na equipa, é o melhor marcador dos brasileiros com três golos. O lateral Advíncula esqueceu-se dele neste lance.

Depois do golo, o Brasil conseguiu ter bola durante mais tempo, mas sem criar perigo. Esta equipa de Tite não parece querer criar oportunidades a cada dois minutos, mas sim trabalhar ao máximo as oportunidades que surjam. O jogo trancou-se até aos 40′, quando a equipa de arbitragem considerou que Thiago Silva cortou um lance com a mão de forma ilegal. Pablo Guerrero usou da sua experiência para bater Alisson e empatar a final. No último suspiro da primeira parte, o Perú deu duas escorregadelas – dois jogadores peruanos caíram inadvertidamente e facilitaram o trabalho a Gabriel Jesus, que finalizou com classe.

A segunda parte começava com um 2-1 para a seleção da “casa”. O Brasil começou a segunda parte mais desenvolto e estendeu-se no campo, talvez à procura de selar o jogo. O Perú não acompanhou o ritmo dos brasileiros e Coutinho ia conseguindo desequilibrar com repetidos sprints. O atleta do Barcelona fez um remate pleno de intenção, aos 50′, que rasou o poste. Depois, uma arrancada de Coutinho deu origem a uma grande oportunidade para Firmino, que acertou nas orelhas da bola, aos 53′. Firmino viria a tentar de novo, mas desta feita de cabeça.

O Perú era incapaz de ameaçar a baliza de Alisson mas aos 70′ teve um incentivo externo: Gabriel Jesus viu o segundo amarelo e o Brasil ficou reduzido a dez. Esse incentivo não foi suficiente, todavia, pois a seleção de Gareca continuou inofensiva. Veio a acontecer o terceiro golo do Brasil, à entrada dos 90′, noutro lance de arbirtragem. Zambrano perdeu o discernimento e empurrou ostensivamente Everton dentro da área, dando azo a um penalti. Richarlison marcou e festejou como se já tivesse as mãos no caneco, doze anos depois de ter celebrado a última Copa América ganha pelos brasileiros.

Um Maracanã lotado viu o Brasil sagrar-se campeão sul-americano pela nona vez. Os brasileiros terão que se habituar ao estilo mais pragmático de Tite, que chegou a ser assobiado no nulo frente à Venezuela, mas que fez da equipa brasileira a menos batida desta competição (só Guerrero bateu Alisson). Ricardo Gareca pode ficar contente com a sua equipa, e começar a planear um futuro próximo sem Guerrero ou Farfán.

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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