Opinião: Ontem uns milhões, hoje uns tostões

A época finda, começa o interregno das competições nacionais e as competições internacionais entram em cena, tal como as múltiplas especulações relativamente a transferências. Jogadores dados como certos, acabam por ser confirmados no referido clube ou desviados e assinam por outro. Algo que é sempre certo: os jogadores mais falados são sinónimo de milhões.

O mercado “ainda agora” começou a aquecer e milhões foram já movimentados por alguns clubes. Com destaque para Bayern, Dortmund e, sobretudo, Real Madrid. Os campeões alemães em título gastaram 135M até ao momento, os vice-campeões da Bundesliga cerca de 127M (a contar com a transferência em definitivo de Paco Alcácer) e os galáticos uns incríveis 303M.

Hazard é, até ao momento, a contratação mais cara desta janela de transferências e o símbolo dos gastos do Real Madrid

As movimentações de Verão mal começaram e já é possível apontar pelo menos três emblemas que levam já mais de cem milhões nos seus gastos. E, certamente, não se vão ficar por aqui. A janela de transferências fecha só no final de agosto nestes países, ao contrário do que acontece em Inglaterra que culmina antes do pontapé de saída do campeonato.

Nos últimos dois dias, surgiram rumores de Neymar regressar a Barcelona após ter quebrado o valor recorde de uma transferência e, ontem, o princípio de acordo para a transferência de João Félix, do Benfica para o Atlético de Madrid, por uns exuberantes 126M.

A ver, a haver confirmação, quanto irá custar Neymar aos cofres do Barcelona. Muitos milhões, certamente, serão novamente movimentados entre Paris e a Catalunha. Mas 126M por João Félix “é de loucos”. Pode ter talento e potencial para se vir a figurar como um dos melhores do mundo mas o valor astronómico pode vir a ser perigoso pelo rótulo que advirá com o preço.

João Félix pode vir a se tornar numa das transferências mais caras de sempre com um valor aproximado de 126M

Se, na altura, falava-se da pressão que Renato Sanches tinha por ter sido contratado por 35M pelo Bayern, o preço de 126M por Félix advirá com uma pressão ainda maior. A concretizar-se a transferência, se a adaptação demorar ou falhar, as críticas não irão demorar. Contudo, isso só o futuro dirá.

O que é certo é que, no mercado de transferências de hoje em dia, qualquer possível rasgo de craque e o alcançar de uma boa época podem e fazem mover milhões. Qualquer transferência, qualquer valor pago por um jogador, será sempre um risco, é certo, mas o que antes apresentavam-se como quantias significativas, agora são meros tostões para alguns emblemas.

Os tostões de hoje fazem os recordes de transferência serem quebrados com relativa facilidade. Se formos a recuar 10 anos, a contratação de Cristiano Ronaldo fez quebrar o recorde da transferência de Zinédine Zidane, recorde que advinha do ano de 2001. O que demorou 8 anos a ser destronado, atualmente, pode ser destronado em somente dias.

Ronaldo em 2009 quebrou o recorde de valor de transferência registado ao se transferir para o Real Madrid por 94M

Nada disto é novidade mas a inflação do mercado de transferências no mundo de futebol, além de permitir que recordes sejam quebrados, gera jovens promessas com uma certa pressão devido ao preço que custaram, faz que jogadores que realizaram uma boa época sejam posteriormente rotulados de “flops” caso não demonstrem de imediato o valor previamente exibido, entre outros aspetos.

Pelo meio da movimentação de milhões que se tem vindo a verificar, emblemas como Barcelona, Atlético e, agora, Chelsea acabaram por ser sancionados com uma proibição de contratação de jogadores após dados como culpados pela transferência de jogadores menores de idade. Se às equipas espanholas, a sanção não condicionou nos objetivos pretendidos, agora a ver qual será o efeito nos blues, emblema que tem vindo a gastar milhões em jogadores desde que Roman Abramovic comprou o clube em 2003.

O que é certo é que, daqui até Agosto, tudo ainda irá ficar mais quente e muitos mais negócios de milhões irão, certamente, vir a desenrolarem-se, confirmando ou não os rumores que têm vindo a circular. O que ontem eram milhões, continuarão a ser tostões para os tubarões europeus.

André Fernandes

Licenciado em Ciências da Comunicação pela FCSH/NOVA. Madeirense, adepto de futebol e da escrita, marcar golos na vida e chegar o mais longe possível é um dos meus objetivos.

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