4-4-2? 4-3-3? A melhor tática é ter Cristiano Ronaldo

Portugal venceu a Suíça na primeira meia-final da Liga das Nações por 3-1, obtendo uma oportunidade de jogar a final no Estádio do Dragão e reclamar como sua a primeira edição desta competição. Ronaldo marcou três e tornou irrelevante qualquer nuance tática.

Justiça seja feita, Portugal foi para o intervalo em vantagem não por ter Ronaldo. Aliás, a maior estrela portuguesa esteve apagada na primeira parte, mas latejou quando mais foi necessário. Já lá vamos.

Fernando Santos surpreendeu não só na composição do onze, como na sua disposição. Quando se esperava um 4-4-2 com Bruno Fernandes mais à esquerda no meio-campo, Bernardo na direita, e Félix a apoiar Ronaldo, o que vimos foi uma alternância entre um 4-3-3 e um 4-4-2 losango. Sempre com um médio-defensivo (Rúben Neves) e dois interiores (William e Bruno), o tridente ofensivo era o setor mais fluido da seleção. Ronaldo, Bernardo e Félix trocavam de posições várias vezes, e Bernardo parecia em vários momentos ser mais um dez do que um avançado. Daí o 4-4-2 losango.

Num cômpito geral, foram percetíveis as dificuldades do coletivo se adaptar àquela tática, com elementos como Ronaldo e Félix apagados e quase sem uma tarefa reconhecível senão a de vaguear no ataque. Defensivamente, eram dados mais espaços que o suposto à entrada da área, mas a linha defensiva lusa não era ultrapassada facilmente.

A primeira oportunidade até foi da Suíça, com Rui Patrício a negar o golo a Shaquiri aos 3′. Portugal apresentava perigo quando a Suíça errava na construção – Sommer e Akanji meteram água e Ronaldo ia marcando aos 11′. Seferovic teve, em seguida, uma oportunidade num cabeceamento tirado para as mãos de Patrício.

O momento-chave veio aos 24′, quando Ronaldo cavou uma falta e converteu o livre com a naturalidade intrínseca de CR7, fazendo recuar os anos. A partir daí, sentiu-se a necessidade de Portugal em gerir o jogo e pressionar com menos sofreguidão. O resultado podia ter-se alterado em mais dois momentos: primeiro num remate à barra de Seferovic, na melhor oportunidade suíça, e depois num um-contra-um entre Félix e Sommer, que o jovem encarnado não aproveitou.

A segunda parte foi muito diferente da primeira. O cinismo imperou, a indecisão imperou, a tecnologia ia imperando. Não houve grande história até aos 56 minutos, altura em que a Suíça empatou a partida através de uma grande penalidade. O lance foi muito dúbio, com Brych a sancionar um ligeiríssimo toque de Semedo em Freuler, ampliado pela câmara lenta, que de seguida tropeça em si próprio. O árbitro alemão deixou a jogada correr, e Bernardo Silva sofreu de seguida uma inegável falta na área contrária. Depois do lance ser analisado pelo videoárbitro, a primeira falta prevaleceu.

Portugal ficou afetado com o golo, mas o mais estranho é que a Suíça também. Os helvéticos ficaram confortáveis com o resultado, e o rumo que o jogou tomou foi de conformismo desde os 60 minutos até ao final. Portugal lá ia atirando de fora da área, mas o medo de errar parecia maior que a vontade de vencer em ambos os lados. Quem teve medo de vencer foi João Félix, muito escondido e talvez ansioso com esta estreia, ainda por cima numa casa onde não foi bem-vindo. Foi substituído por Gonçalo Guedes. O próximo parágrafo é de glória.

Independentemente de qualquer opção tática, Cristiano Ronaldo tem sido sinónimo de vitórias na seleção desde 2003. De decisões difíceis, de nós desatados. Desta feita, aproveitou uma excelente (e rara) abertura de Rúben Neves para Bernardo, que dominou bem, passou bem, e Ronaldo converteu muito bem. 2-1 aos 87′, ampliado instantes depois num contra-ataque fulminante, muito facilitado pelo desposicionamento da defesa suíça. A bola foi ter Cristiano Ronaldo, o trintão pedalou e atirou sem hipóteses para o malogrado Yann Sommer. Um hat-trick a fazer lembrar os jogos contra Suécia, em 2013, e Espanha, em 2018. Quem tem Ronaldo, tem quase tudo.

Para completar o quase, falta Portugal conhecer o seu adversário na final de dia 9 de junho, no Estádio do Dragão. O encontro será ou com a Inglaterra, ou com a Holanda. Portugal tem a hipótese de levantar o troféu da Liga das Nações pela primeira vez na história (portuguesa, e da própria competição). Ainda por cima o troféu foi feito por portugueses e a final four foi organizada cá. Vamos ver se os astros se alinham.

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.