Opinião: Posse de… empates e desilusões

Dupla jornada internacional de apuramento para o Europeu 2020, dupla desilusão lusa. Em casa, a Seleção de Todos Nós não foi capaz de encontrar a Luz da vitória. Um empate com a Ucrânia, outro empate com a Sérvia, dois pontos no total. Um mau começo na qualificação, como não se via há anos.

Contra a Ucrânia, transpareceu a velha ideia do jogo rodar em volta do astro maior da equipa das quinas, qual Sol da Seleção, Cristiano Ronaldo. Se não passavam a bola à figura nacional, pareciam esperar que este tivesse uma inspiração do momento, como tantas outras vezes aconteceu no passado, e desbloqueasse o jogo com um golo. Infelizmente, não foi a noite de Ronaldo, apesar de ter sido dos que mais tentou o remate à baliza.

Cristiano Ronaldo, astro maior e capitão da Seleção Portuguesa, não conseguiu fazer a diferença desta vez

No mesmo jogo, a ideia repetitiva do canto curto, que em nada resultava, mas que continuaram a insistir uma e outra vez, uma e outra vez, ao longo do jogo. A Ucrânia depois, a partir de algumas dessas situações, tentou partir para o contra-ataque mas, para sorte nacional, sem muito sucesso em termos práticos.

Outro aspeto que pautou o jogo foi a constante troca de passes entre os jogadores. Manter a posse de bola pode ser (e até é) positivo mas faltou um pouco mais de audácia no ataque, arriscar um pouco mais no momento de ataque. A Seleção criou diversas situações de perigo mas careceu coragem na tentativa do remate a média/longa distância.

Com a Sérvia, deu-se o momento infeliz da lesão de Ronaldo (felizmente apenas ligeira dado o tempo que o astro disse regressar aos relvados) e, a vir ao de cima, uma outra face da Seleção das Quinas. Uma face que havia sido demonstrada na Liga das Nações.

Não adjuvando a ideia de que Portugal “é melhor” sem o Capitão, Cristiano Ronaldo foi dos que mais tentou criar situações de perigo em ambos os jogos, mas transpareceu ser uma equipa diferente, mais a jogar em sentido coletivo e não ao ter a crença que Ronaldo poderia fazer a diferença.

Neste segundo jogo, a audácia e a coragem no remate à distância que faltou contra a Ucrânia, Danilo teve-a num momento de inspiração e “mandou um míssil” do meio da rua que “só parou lá dentro”. Um momento que merece ser visto e revisto, vezes sem conta.

Em ambos os jogos a Seleção demonstrou parecer ser mais que o resultado final acabou por espelhar, é certo, e podemos argumentar que também tivemos pouca sorte: um golo tirado por fora de jogo, contra a Ucrânia, e um penalti por assinalar, contra a Sérvia.

De ressalvar que, tanto num jogo, como noutro, os guarda-redes rivais foram os heróis a guardarem o ponto para as suas respetivas nações, em momentos de golo certo.

No final, só com um tiraço do meio da rua é que Portugal logrou inaugurar as contas do marcador em dois jogos de qualificação. A campeã europeia em título, a jogar perante o seu público, ante duas seleções que, apesar de possuírem algum talento, são (em teoria) inferiores a si e a levar na bagagem somente um golo e dois pontos em duas partidas.

Em suma, a jogar melhor ou pior, criamos muitas mais oportunidades de golo, fomos donos e senhores da posse de bola em ambos jogos contra os adversários, em teoria, mais fortes do grupo. No final, ficamos em posse de dois pontos e…desilusão nacional.

Agora, esperamos ganhar um jogo na secretaria, pela Ucrânia ainda ser Júnior nisto de jogadores naturalizados, para que o nosso começo não culmine no que realmente foi, para que possamos dizer que somamos 4 pontos em 2 jogos e não 2 em 2.

Júnior Moraes, na Ucrânia desde 2012 e atual jogador do Shakhtar, pode vir a custar 4 pontos à Seleção Ucraniana

Ganhemos ou não, os pontos na secretaria, nada tira o que foi visto em relvado. Uma seleção com algumas ideias mas que parece faltar qualquer coisa mais para chegar a um patamar que orgulhe a Nação Valente e vá de encontro ao talento que dispomos do nosso arsenal nacional.

Talento esse, não nos falta, mas há-que o capitalizar de melhor maneira. Se não forem estes 23 destes 2 jogos, que se façam alterações e que, acima de tudo, se demonstre que não é ao acaso que conquistamos a Europa em 2016 e que temos vindo a arrecadar outros tantos títulos nas seleções jovens.

André Fernandes

Licenciado em Ciências da Comunicação pela FCSH/NOVA. Madeirense, adepto de futebol e da escrita, marcar golos na vida e chegar o mais longe possível é um dos meus objetivos.

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