OPINIÃO: Tempos de mudança no futebol internacional

Vivemos tempos de mudança no futebol, a nível do continente europeu e intercontinental. A viragem para a terceira década do século XXI vai trazer várias mudanças para as competições da UEFA e da FIFA. Prevêem-se alterações que romperão com os costumes de várias décadas.

As competições de seleções da UEFA

A opinião desta semana não se vai centrar na minha opinião pessoal sobre estas alterações no futebol, mas sim numa compilação destas últimas. Em primeiro lugar, a mudança mais imediata e que primeiro me vem à mente é a criação da Liga das Nações, que despoletou alguma controvérsia. O que é certo é que a Final Four já está marcada para início de junho e será disputada no Norte do nosso país, com a possibilidade de uma vitória caseira. Esta foi uma forma que a UEFA encontrou para rentabilizar as antigas jornadas de internacionais. As seleções europeias vão fechar-se mais no seu continente, mas tornar-se-ão, sem dúvida, mais competitivas.

As doze cidades anfitriãs do Euro 2020 (Wikipedia)

O Euro 2020 será feito igualmente de novidades. A primeira diz respeito à organização do certame, que não tem nem um, nem dois anfitriões como no passado. Será um Europeu verdadeiramente… europeu, pois será jogado em doze diferentes estádios.

A segunda novidade do próximo Europeu é a possibilidade de apuramento através da Liga das Nações, através de play-offs, em que se prevê que equipas da Liga D ou C (as menos cotadas) garantam um lugar no Europeu. A fase de qualificação convencional também sofreu alterações, pois já não existem play-offs (apuram-se sempre os dois primeiros) e foi encurtada para menos de um ano, de março a novembro.

As competições de clubes da UEFA

A criação de uma terceira competição de clubes da UEFA ainda é areia movediça. Sabe-se que alguns dos mais poderosos clubes europeus são favoráveis à Superliga Europeia, uma espécie de Liga dos Campeões mas mais curta e só com clubes das cinco principais ligas. A aprovação da Club World Cup aumentou a pressão sobre a UEFA e a Champions League, com a ECA [European Clubs Association] a sugerir a uma alteração das jornadas da Champions para o fim-de-semana, algo desastroso para as ligas domésticas.

Segundo o Wall Street Journal, a Superliga poderá ter 16 equipas e apenas quatro serão (des)promovidas cada temporada. Superliga, Champions e Liga Europa servirão de diferentes divisões, ordenadas da primeira à terceira. Os prémios monetários também poderão ser ainda maiores que os da Champions. Se esta competição for avante, prevê-se que tenha início em 2024. Mas os “ses” ainda são muito grandes nesta altura, apesar do interesse da ECA.

Mundial de Seleções e Mundial de Clubes – novos formatos

O Mundial 2022 será feito em moldes mais radicais, a vários níveis. A localização menos óbvia não favorece os adeptos do mundo inteiro, quer em termos de custos, como em termos climáticos. Suspeitas de subornos e a morte de mais de mil trabalhadores ensombram igualmente a organização do Mundial, que será disputado em dezembro, a meio da época desportiva. Será esse um fator para os melhores jogadores do mundo prescindirem da sua participação no Mundial? Haverão pressões por parte dos clubes, com certeza. No 69º Congresso da FIFA, em junho deste ano, será considerada ainda a possibilidade de alargar este Mundial a 48 seleções, um número recorde.

Gianni Infantino vai recandidatar-se a um segundo mandato de três anos enquanto presidente da FIFA.

Foi aprovada pelo Conselho da FIFA, no passado dia 15 de março, uma reorganização do Mundial de Clubes, que é disputado anualmente entre os campeões de clubes das sete confederações de futebol. A proposta de Gianni Infantino – presidente da FIFA cessante – é fazer desta competição bianual e com um alargamento do número de equipas para 24. A UEFA e a ECA opõem-se a esta proposta, por enfraquecer a Champions League. Previsivelmente, esta competição iniciar-se-á em 2021, com a cidade de Tóquio a chegar-se à frente para a organização.

 

 

 

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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