Roberto Carlos, o Homem Bala

Nome: Roberto Carlos da Siva Rocha

Data de Nascimento: 1973-04-10

Nacionalidade: Brasileiro/ Espanhol

Altura: 168 cm

Peso: 64 kg

Clubes: União São João, Atlético Mineiro, Palmeiras, Inter de Milão, Real Madrid, Fenerbahçe, Corinthians, Anzhi


Normalmente, os laterais defensivos não ficam para a história. Aquilo que fica na retina é a agilidade dos guarda-redes, os últimos que podem evitar golos; a força dos defesas-centrais, que varrem (alguns quase literalmente) as intenções dos avançados; a classe e criatividade dos médios; e os golos dos avançados, ui os golos dos avançados, que nos dão tantas alegrias. Os elos mais fracos são normalmente os laterais defensivos.

Até nas grandes equipas que marcaram a história é difícil relembrar os alas. Quem era o lateral-esquerdo do tiki-taka Guardiolano? e o do Brasil de 1982? e o lateral-direito dos “Galáticos”? Se souber a resposta às três perguntas, considere-se um expert na matéria.

Roberto Carlos quebrou essa regra, talvez por ser um dos laterais (ofensivos) mais perto da perfeição. O parêntesis que fiz não foi inocente – se não fosse a sua incrível capacidade ofensiva, talvez Roberto Carlos ficasse reduzido à normalidade. Mas desde o início de carreira que Roberto mostrou que era tudo menos normal.

Por terras de Vera Cruz
Roberto Carlos e Luís Figo na final do Mundial Sub-20

Começou a carreira no União São João, em 1990, um clube muito modesto do Estado de São Paulo com menos de dez anos de história na altura. Com 33 jogos e 13 golos marcados, o jovem de 16 anos despertou em seguida o interesse do histórico Atlético Mineiro, que o recrutou por empréstimo, disputando seis jogos pelos mineiros de forma pouco convencional: o Galo deu oportunidade a alguns jovens de integrarem um estágio em Espanha, e entre eles estava Roberto Carlos.

No período 1990-1992 importa destacar a presença de Roberto no Mundial sub-20 em 1991. Isto diz-lhe alguma coisa? O Brasil de Roberto Carlos foi derrotado por Portugal na final desse certame, no antigo Estádio da Luz, naquele que é jogo com maior assistência de sempre em Portugal.

Roberto popularizou-se no Palmeiras, clube que representou entre 1993 e 1995. O “Verdão” vinha de uma série de 16 anos seguidos sem ganhar o Brasileirão, e quebrou esse jejum no ano de estreia de Roberto Carlos. De facto, o Palmeiras ganhou três títulos nesse ano.

Europa: primeiro estranhou-se, depois entranhou-se

Seguiu-se o Inter de Milão e a primeira aventura europeia. Os italianos deram três milhões e meio de euros pelo passe do lateral brasileiro, que já era titular da seleção brasileira nesse verão de 1995. Um valor considerável à época, em que o recorde era de nove milhões de euros, dados por Gianluca Lentini. A adaptação não foi fácil, não pela aculturação, mas sim porque Roy Hodgson, treinador neroazzurri da altura pô-lo a jogar a extremo. Jogou 34 jogos e marcou sete golos nessa época, saindo com algum desencanto para o Real Madrid por troca com Zamorano.

O Roberto Carlos do nosso imaginário é aquele do Real Madrid. Um verdadeiro histórico da ala esquerda do Santiago Bernabéu, dono dessa faixa durante onze anos, de 1996 a 2007. No Real conquistou três Champions, duas Taças Intercontinentais, quatro Ligas espanholas, uma Supertaça espanhola e outra europeia. Mas logo no início da sua jornada madridista tornou-se um ícone – foi o segundo melhor jogador do mundo em 1997, um ano depois de ter sido trocado “ao desbarato”. Ganhou igualmente a Bola de Prata da France Football em 2002, e esteve na equipa europeia do ano em dois anos consecutivos, 2002 e 2003.

O pináculo dessa longa passagem pelo Real Madrid dos Galáticos será, talvez, a assistência para o volley de Zidane na final da Liga dos Campeões de 2002. Mais rápido na faixa, cruzou de primeira para um dos melhores golos de sempre da Champions. Saiu em 2007 insatisfeito com a afición madridista, depois de ter errado grosseiramente numa partida contra o Bayern. À altura, era o estrangeiro com mais jogos pelo clube (514 jogos).

Saiu com 34 anos para o Fenerbahçe, numa das primeiras manobras mediáticas do futebol turco. Ainda era rapidíssimo e marcou na estreia, contra o Besiktas. Depois jogou no Corinthians e encerrou uma longa carreira nos russos do Anzhi. No espaço de um ano foi capitão e treinador interino. Pendurou as botas aos 39 anos.

Seleção Brasileira

É o segundo mais internacional de sempre pelo Brasil, só atrás do seu contemporâneo Cafú. Estreou-se ainda com 19 anos, pela mão de Parreira, e retirou-se aos 32, no Mundial de 2006. Foi num amigável contra a França, em 1997, que Roberto Carlos marcou o melhor golo da sua carreira, num livre icónico. A bola ganhou um efeito incrível e Barthez ficou especado.

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Disputou quatro Copas Américas, três Mundiais, os Jogos Olímpicos de 96′ e uma Taça das Confederações. Pode gabar-se de ter ganho quatro títulos com a Seleção brasileira, entre eles o Mundial de 2002, com Scolari. Foi a redenção da final perdida para a França em 1998.

Rapidez, agilidade, sentido posicional, força de remate, precisão de remate e de passe, capacidade de drible… Roberto Carlos foi um dos primeiros laterais modernos, e talvez o melhor. Com um suplemento importantíssimo – livres que furavam redes e lhe valeram a alcunha de Hombre Bala.

 

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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