Águias desinspiradas voaram baixo em Zagreb

Tudo correu mal ao Benfica na deslocação a Zagreb. As águias trazem na bagagem uma derrota por 1-0 com o Dinamo e estão em desvantagem na eliminatória, não conseguindo marcar fora de portas. Além disso, Seferovic saiu lesionado e Grimaldo acabou o jogo com dificuldades.

Para quem não viu o jogo e olha para esses jogadores que acabaram o jogo com mazelas, presume que não houve grande rotação na equipa encarnada. De facto, nas posições-chave do conjunto orientado por Lage, e sabendo que Pizzi, André Almeida e Jonas não viajaram para a Croácia, não houve grandes mudanças. Em relação ao clássico, o guarda-redes manteve-se, tais como os centrais e a dupla de avançados. As novidades foram a entrada de Corchia, Florentino, Gedson e Krovinovic. Quatro, portanto.

As águias até começaram bem no encontro, tendo sido a equipa a criar a primeira grande oportunidade, mas Grimaldo não teve a frieza necessária para bater Livakovic. Notava-se um Benfica a querer controlar o jogo com bola, sem correr muitos riscos. O Dinamo, por sua vez, estava disposto a apostar no erro do adversário, jogando rápido no contra-golpe e rematando à baliza sempre que possível. Esse “erro” foi termo comum na exibição encarnada. A tentativa de gerir o jogo sem grandes riscos, transformou um Benfica cauteloso, para um Benfica demasiado desleixado. Os croatas lá iam rematando de fora de área, obrigando por várias vezes Vlachodimos a dizer “presente”.

O suíço contraiu uma lesão na virilha e foi substituído por Cervi.

Estavam corridos 35 minutos de jogo quando a primeira má notícia cai no seio encarnado. Haris Seferovic teve que ser substituído devido a uma lesão muscular. Sem pontas de lança no banco, Cervi entrou e Krovinovic foi colocado a jogar ao lado de Félix. Ora, a segunda má notícia surgiu dois minutos depois. A juventude imprudente que por vezes se nota em Rúben Dias, voltou-se a ver mais uma vez. O jovem central acabou por cometer um pénalti desnecessário, dando oportunidade aos croatas de se colocarem em vantagem. Assim o fizeram por Petkovic.

O Benfica já só pensava no intervalo, mas ainda apanhou um grande susto. Gojak apareceu isolado na cara de Vlachodimos e se não fosse o guardião grego, o Benfica iria para os balneários a perder por dois.

A segunda parte foi… nula. O Dinamo estava a ganhar e parecia não arriscar muito mais. Já o Benfica ia confirmando que hoje era um “dia não”. Sem dinâmicas de jogo, sem agressividade, muitos passes falhados, linhas demasiado afastadas. Bola não faltou, perigo é que nunca se viu. Talvez o pior jogo da era Bruno Lage. Rafa e Zivkovic ainda entraram, mas nada mudou. O Benfica correu o jogo em “ponto morto” e em nenhum momento foi capaz de subir de velocidades. Não há nenhum destaque encarnado no segundo tempo digno de ser mencionado e isso explica a pouca atividade que se registou na área croata.

O mesmo se podia dizer do que ia acontecendo junto à baliza de Vlachodimos. Muito pouco. Porém, e já nos descontos, a equipa de Zagreb ainda conseguiu criar mais duas oportunidades que podiam muito bem ter ampliado a sua vantagem e dificuldade a tarefa encarnada.

O “tudo ou nada” joga-se já na próxima quinta-feira e o Benfica tem a obrigação de conseguir virar a eliminatória. O Dinamo conseguiu levar a melhor na primeira-mão, mas nota-se que o Benfica é superior. Tem é que mostrar isso em campo, o que não aconteceu hoje.

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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