Nova versão do Benfica fez um “update” na liderança da Liga

O Benfica ganhou por 2-1 ao Porto no Estádio do Dragão, conseguindo assim alcançar o primeiro lugar na tabela classificativa da Liga. A “versão Lage” do Benfica ainda não perdeu para o campeonato.

Um jogo muito disputado, quezilento, e com muito trabalho por parte da equipa de arbitragem. Um verdadeiro clássico, portanto. Em casa dos campeões nacionais, o Benfica foi mais feliz com uma vitória tirada a ferros. Sofreu primeiro, aos 18 minutos, um golo de Adrián Lopez e respondeu com golos de João Félix e Rafa Silva, aos 26′ e 52′. Gabriel foi expulso aos 77 minutos, e mesmo assim foi eleito homem do jogo.

Os onzes não trouxeram grandes surpresas nem de um lado nem de outro, ainda que seja digna de nota a titularidade de Ferro no Benfica e de Marega e Manafá no Porto.

O golo do Porto, aos 17 minutos, surgiu na primeira boa oportunidade de golo do jogo, no seguimento de um livre batido por Adrián Lopez na quina da área. Rúben Dias tinha travado Brahimi de forma dura e viu o amarelo pela falta. A Adrián coube a conversão do livre, que embateu na barreira, e da ressaca, que acabou na baliza de Odysseas. Um bom golo que não deixa estar sob polémica, já que Pepe pode ter interferido na jogada enquanto estava fora-de-jogo. O VAR decidiu validar o golo.

O Benfica não esmoreceu e continuou à procura do golo, algo que ia conseguindo aos 21 minutos. Pizzi ganhou um ressalto na grande área e viu Casillas negar-lhe o golo com o pé direito. Aos 25 minutos, deu-se o golo do empate, assinado por um jovem de nome João Félix, ele que passou pela formação do Porto. Depois de marcar não se conteve nos festejos, no entanto. Félix teve tempo e espaço para marcar ao veterano Casillas, depois de dois roubos de bola encarnados que motivaram protestos portistas por eventual falta.

A última oportunidade de golo foi de Seferovic a um minuto do intervalo, mas mais uma vez Casillas fez-se valer na baliza portista. A primeira parte teve um grande equilíbrio em termos estatísticos mas um maior dinamismo do ataque encarnado. 50% de posse de bola para cada lado e seis tentativas de golo para ambas as equipas.

O 2-1 final chegou relativamente cedo – aos 51 minutos, altura em que Rafa Silva disparou para o fundo das redes ainda de fora da área. O internacional português ganhou um ressalto, jogou de frente em Pizzi, este devolveu a bola e, numa zona convidativa ao remate, Rafa Silva alcançou o golo. Talvez o golo mais bonito da noite.

Entre o momento do golo e os 70 minutos, houve poucos motivos de destaque. As equipas encaixaram-se mais e os focos de quezílias multiplicavam-se, com o culminar na expulsão de Gabriel Pires, que até ao minuto 77 tinha feito uma exibição notável no meio-campo. Mas a treze minutos dos noventa viu dois amarelos na mesma jogada, primeiro por puxar Otávio e depois por conduta anti-desportiva. A contagem de amarelos neste clássico foi de seis para o Benfica e dois para o Porto.

O Benfica fechou-se depois da expulsão, como é óbvio, e teve que sofrer muito nos minutos finais. o Porto encontrou forças para visitar variadas vezes a área encarnada, e com perigo. Danilo, Otávio, e Felipe ameaçaram a baliza de Odysseas, com destaque para o central brasileiro – acertou na barra e obrigou o grego a fazer a defesa da noite. Bem, a defesa da noite é um prémio difícil, já que momentos a seguir, Odysseas fez outra grande defesa a remate de Marega. Na segunda parte, o Porto teve 15 tentativas de golo, contra apenas três do Benfica.

Muita, muita emoção neste clássico, que teve emoções fortes ainda antes de começar, com o autocarro do Benfica a ser alvo de apedrejamento. Fica para a história o desentendimento entre Félix e Pepe, previsivelmente colegas de seleção num futuro próximo.

O Benfica acabou por ser o vencedor deste clássico e assim retomar a liderança do campeonato, perdida na sétima jornada. O efeito Bruno Lage é assim qualitativa e pontualmente visível na equipa do Benfica, que voltou a ganhar no Dragão cinco épocas depois. Uma nova versão dos encarnados, que atualizou (e apimentou) a tabela da liga a dez jornadas do fim.

 

 

 

 

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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