E Munique recebe nova botija de Oxigénio

Hoje, o Bayern Munique é um navio diferente daquele que durante os últimos 8-9 anos navegou os mares europeus com uma autoridade singular Os comandantes foram mudando (Van Gaal, Heynckes, Guardiola, Ancelotti), alteravam a velocidade e a forma com que o navio navegava e a tripulação adaptava-se.

Infelizmente, o tempo passa por todos. Neur, Robben, Ribery, Lahm, Hummels e Boateng não são os “canibais” impiedosos de outros tempos, o que torna o Bayern em um navio mais propenso a falhas.

Um contexto complicado para Niko Kovac. Os recursos que o ex-treinador do Eintracht tem à sua disposição não têm a força de outros tempos, mas a magnitude e a história do Bayern não lhe permite jogar para outra coisa que não seja vencer. Aliás não só vencer, mas dominar.

Foi neste contexto que emergiu o Borussia Dortmund como candidato sério ao título alemão. Desde a sexta jornada que a equipa de Favre é o líder da prova, uma posição que agora está seriamente comprometida, face à derrota desta sexta-feira no terreno do Augsburg.

Assim, depois de vencer o Bayer e colocar fim a uma sequência de três empates consecutivos, esta derrota em Augsburg volta a dar uma nova botija de Oxigénio ao seu grande rival, que caso vença este sábado o Borussia Mönchengladbach, iguala o Dortmund no topo.

Augsburg x Dortmund | Evitar a inferioridade por fora e anular o espaço por dentro

Como era expectável, Manuel Baum trabalhou a equipa para passar a maior parte do tempo em Organização Defensiva. Nesse momento do jogo, o Augsburg montava um 4-5-1, com a linha defensiva e média muito próximas.

4-5-1 que vemos em cima, não pressionava os defesas centrais do Borussia para não se desorganizar. Um comportamento passivo que deixava o Augsburg suscetível de “receber” bolas nas costas da sua linha defensiva. Contudo, esse é um espaço que o BVB raramente explora.

Adicionalmente, como vemos em cima, o Augsburg demonstrou uma grande preocupação em nunca deixar o seu lado débil vulnerável. Os médios-ala (Max e Hahn) encostavam-se ao respetivo defesa lateral, mesmo quando a bola estava no lado oposto, com o objetivo de fecharem as soluções exteriores. Assim, mesmo com os centrais a rodarem rápido o ângulo do ataque, o Dortmund nunca encontrava situações de superioridade numérica.

Este era o objetivo do Augsburg, evitar situações de inferioridade numérica nas alas (jogadores a verde) e anular o jogo entre linhas, com a proteção realizada pelos 3 médios aos dois defesas centrais. Como vemos em cima.

Perante esta situação, a falta de ataque à profundidade e a ausência de uma referência que jogasse de costas para a baliza e desse sequência aos movimentos interiores diagonais com bola de Sancho, acabar por tornar inofensiva a fase ofensiva do Dortmund.

O erro de Zagadou no 1º golo deu confiança ao Augsburg, tornou a circulação do Dortmund lenta e previsível, deixando a equipa de Favre refém das circunstâncias. Talvez á espera que Reus-Sancho tirassem um coelho da cartola, algo que nunca aconteceu.

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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