Benfica abriu as quatro trancas da fechadura do Chaves

Bruno Lage teve que fazer algumas alterações face às ausências de André Almeida, Jardel e Ferro pondo no seu lugar Corchia na lateral direita e Samaris no centro da defesa. Com o recuo do grego, Florentino assumiu o papel de médio de contenção no onze inicial. Já Tiago Fernandes, sem William e João Teixeira, apostou numa defesa de cinco homens, três médios e dois atacantes.

Os alinhamentos táticos são a teoria. Na prática, vimos o Benfica a jogar quase sempre no meio campo adversário com dez jogadores, e o Chaves com toda a gente atrás da linha da bola. Um verdadeiro congestionamento à entrada área do clube nortenho que até começou a jogar com o relógio nos primeiros 15 minutos da partida. Um mind-game de Tiago Fernandes que já tinha começado na conferência de imprensa (o técnico relegou a pressão para os encarnados e queria “anular a força coletiva do Benfica perante o seu público”).

A primeira oportunidade de golo foi do Chaves, aos 15 minutos. Um ressalto no meio campo defensivo do Benfica desmarcou Macedo mas Odysseas respondeu a um remate forte do extremo. Esta foi uma exceção na primeira parte, que foi dominada pelo Benfica não só em termos de posse como de ataques (72% posse de bola e o sextuplo das oportunidades de golo). O primeiro golo foi apontado por Rafa Silva, ele que foi um dos melhores em campo, aos 18 minutos. Destaque para a receção de Félix, que depois lançou para a pequena área, onde estava Rafa.

O Benfica movimentava-se com muita fluidez no ataque e as trocas posicionais eram constantes. Os cruzamentos foram igualmente a pedra-de-toque da equipa de Lage, que pelo ar lançavam pânico na floresta de pernas flavienses. Em dois desses lances, Rafa Silva falha a baliza e Félix permite a defesa de António Filipe.

O 2-0 chegou pelo pé esquerdo de João Félix, emendando um primeiro falhanço do seu pé direito. Seferovic percebeu bem o movimento do português e isolou-o na cara de António Filipe, aumentando assim o marcador aos 36′. A terceira tranca da defesa flaviense foi aberta com muita mestria pelo Benfica. Bola vinda do meio-campo benfiquista, Félix encontra Gabriel de primeira, e este também de primeira faz um passe demasiado bem medido para a linha defensiva do Chaves. Seferovic avançou sozinho e marcou, ainda que em desequilíbrio. 3-0 favorável ao Benfica ainda antes do intervalo.

A segunda parte começou sem alterações nas duas equipas. Com a vitória encarnada praticamente assegurada, restava saber quão folgada ela seria. A verdade é que na segunda parte o Benfica baixou o ritmo e permitiu que o Chaves provocasse um ou outro calafrio a Odysseas. Essa fase mais apagada dos encarnados teve lugar por volta da hora de jogo, mas antes Félix e Pizzi causaram mais perigo à baliza de António Filipe, que negou o golo ao transmontano em grande estilo. Destaque para os passes longos de Gabriel, quase sempre milimétricos.

Do lado do Chaves, os melhores momentos surgiram em contra-ataques rápidos, conduzidos por Luther Singh e ainda uma oportunidade soberana de Macedo completamente desperdiçada aos 70′. Os dois técnicos mexeram nas equipas entretanto, com destaque para a entrada de Jonas (viria a marcar) e Jota. O veterano brasileiro descobriu Pizzi aos 78′ para que o capitão do Benfica finalmente encontrasse as redes, mas António Filipe negou-lhe mais uma vez o golo. Foram ao todo sete defesas do guarda-redes flaviense. Em cima dos noventa houve tempo ainda para Jonas marcar o seu nono golo no campeonato, com assistência de João Félix.

O Benfica confirmou o estatuto de favorito ao marcar quatro golos sem resposta na visita do Chaves à Luz. A fechadura de Tiago Fernandes durou pouco tempo e foi violada por um coletivo inspirado de “larápios”, roubando assim os três pontos. Destaque para Félix, Rafa, Pizzi, Gabriel e o insaciável Seferovic. O Benfica cola-se assim ao Porto antes do clássico, enquanto que o Chaves fica a quatro pontos da linha de água.

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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