Pierluigi Collina, o melhor árbitro de todos os tempos

Pierluigi Collina, o homem de ar severo, cabeça rapada – resultante de uma doença na adolescência – e olhar esbugalhado conquistou um estatuto de estrela, como nenhum árbitro tinha alcançado. O seu sucesso deve-se à admirável relação que conseguiu estabelecer com jogadores e treinadores, dentro e fora das quatro linhas, impondo respeito e disciplina.

Frequentemente citado como “o melhor árbitro de todos os tempos”, Pierluigi Collina, pautava as suas atuações pela sua abordagem extremamente séria, rigorosa e imparcial a todos os lances.

O árbitro, que cresceu em Bolonha, até chegou a atuar como jogador, mais especificamente como defesa central, numa equipa local, mas depois de aos 17 anos tirar um curso de arbitragem, percebeu que tinha uma apetência natural para a profissão. Além da arbitragem, Pierluigi, completou a licenciatura em Economia, na universidade de Bolonha, em 1984.

O maior salto na sua carreira foi em 1996, quando foi inscrito na lista de árbitros da FIFA, considerada como o pináculo de uma carreira de arbitragem. Nesse ano apitou um dos jogos mais memoráveis da sua carreira, a final dos Jogos olímpicos disputada entre Argentina e Nigéria .

Do seu vasto palmarés, destaque para a final da Liga dos Campeões, entre o Bayern de Munique e o Manchester United, em 1999. Mas o jogo mais importante da sua carreira foi mesmo a final do Mundial 2002, entre Brasil e Alemanha.

Aquele que foi considerado o melhor árbitro do mundo por cinco vezes consecutivas (de 1999 a 2002), despediu-se do futebol internacional no dia 4 de Junho de 2005, no jogo entre Portugal e a Eslováquia, no Estádio da Luz, a contar para a classificação para o Mundial de 2006.
Por ter atingido a idade de 45 anos, já não lhe seria permitido arbitrar o Mundial de 2006, visto que esta é a idade máxima permitida para um árbitro atuar profissionalmente. A própria Federação Italiana de Futebol chegou mesmo a alterar os estatutos para permitir que ele arbitrasse mais um ano na série A.

A fama trouxe-lhe diversos contratos publicitários, mas o acordo de patrocínio assinado com a Opel pôs um final dramático à sua preenchida e imaculada carreira de arbitragem. Na altura a Opel patrocinava também um clube de futebol italiano, o AC Milan, razão pela qual foi acusado pela associação de árbitros de futebol Italianos (AIA) de conflito de interesses. Pierluigi Collina ficou indignado com a acusação que punha em causa a sua honra e profissionalismo e com a mesma impetuosidade que mostrava em campo decidiu encerrar ali a sua carreira.

Atualmente continua a desempenhar cargos ligados ao futebol, como conselheiro da Associação Italiana de Árbitros e membro do comité de árbitros da UEFA. Pierluigi tornou-se uma referência na arbitragem, conquistando espaço no mundo do futebol.

Uma curiosidade interessante é que Pierluigi Collina foi o único árbitro a quem um jogador- David Beckham – fez o tradicional pedido da troca de camisolas.

Para recompensar os seus esforços para promover o futebol italiano, em 2011, entrou no Hall of fame do futebol Italiano. Para melhor se perceber a importância desta distinção, importa dizer que o mítico jogador Paolo Maldini e o mítico Dino Zoff só receberam esta distinção um ano depois.

A melhor forma de resumir o legado de Pierluigi Collina é citar um colega de profissão, o árbitro Graham Poll, acerca de um jogo do Mundial de 2002 entre Japão e Turquia. “Ele desenhava as formações num tabuleiro, e dizia-nos como cada jogador iria jogar, quais os jogadores chave, os mais tempestuosos, quais os momentos chave do jogo, o que cada assistente poderia esperar que acontecesse no seu lado do campo. Ele cobriu tudo. Foi incrível. Ele preparou tudo ao enésimo grau, e além disso, acertou!”

Na sua autobiografia intitulada “As minhas regras de jogo”, Collina mostra o seu modo de pensar e de viver o futebol, as suas memórias, e os desafios que enfrentou. Uma das frases mais impactantes do seu livro é a fórmula para o sucesso no futebol que segundo ele se resume a “Ter coragem, gostar do que se faz, e olhar sempre em frente”.

Tiago Domingos

Lourinhanense de gema, estuda gestão no ISCTE-IUL. Tem como hobbie a escrita e como paixão o futebol!

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