Como enjaular um monstro, por Pep Guardiola

No último fim de semana tivemos a oportunidade de assistir a grandes embates por essa europa fora. Em Espanha, o Derby de Madrid e a sempre complicada deslocação do Barcelona a Bilbao, Alemanha, o festival de golos entre Dortmund e Hoffenheim e em Inglaterra, onde o Manchester City dizimou o Chelsea.

É sobre esse “massacre” que gostaria de falar. A abordagem de Guardiola colocou muitas dúvidas à equipa de Sarri, questões para as quais os Blues nunca tiveram resposta. Kanté, correu e depois correu mais um pouco, mas nunca esteve perto de encontrar as respostas. Guardiola sabia perfeitamente quem guardava as respostas, assim ao “enjaular” Jorginho conseguiu acabar com o jogo ainda na primeira parte.

Prender o cabecilha, para acabar com o gang.

Apesar de Sarri o negar, é cada vez mais evidente. Limitar a intervenção de Jorginho no jogo têm um impacto direto no jogo do Chelsea.

Aí surge um dilema para o treinador italiano, é evidente que para colocar a sua filosofia em campo é obrigatório ter um médio como Jorginho, mas também é inegável que a grande maioria dos adversários já percebeu como reduzir o impacto do camisola #5. Pede-se a Sarri que coloque aos seus adversários novas e diferentes questões, mas o treinador parece (como sempre) irredutível.

Partindo de um 4-3-3, com Sterling-Aguero-Sterling na frente, foram as subidas de Gundogan (interior esquerdo) e Kevin DB (interior direito) para junto do argentino que criaram “a jaula”. Assim, em vez daquilo que vemos habitualmente em um 4-3-3, onde os extremos sobem para pressionar a ligação entre o central e o lateral adversário e os médios interiores se aproximam dos médios adversários, Guardiola mudou.

Bernardo Silva e Sterling (extremos), marcavam Barkley e Kante, respetivamente, subindo apenas na pressão ao respetivo lateral adversário (Alonso ou Azpilicueta) quando estes tinham bola. Neste momento entrava em equação Fernandinho, que garantia a cobertura.

Uma preocupação constante, desde o apito inicial, em forçar o Chelsea a circular por fora, com um grande trabalho de Aguero.

Bola no lado contrário, Bernardo fecha no médio interior e dá equilíbrio à equipa, Fernandinho garante a cobertura a Sterling para este poder sair na pressão ao lateral assim que este receber a bola, e o trio Gundogan – Aguero – Kevin DB continua a se articular para retirar Jorginho do jogo.

Esta dinâmica, ilustrada em cima, teve um impacto tremendo na desestabilização da circulação e construção do Chelsea. Naturalmente que isto levou Higuaín e Hazard a baixar linhas para tentar romper o esquema de pressão desenhado por Pep.

Outra alternativa, era a capacidade de passe (média e longa distância) de David Luiz (DL), que através de bolas diagonais conseguia esticar o City. Esse atributo de DL pode trazer proveitos, mas principalmente de que basta um toque com Jorginho de frente para o jogo para criar uma ocasião de perigo.

Em uma noite assombrosa de Aguero, ficou evidente que o Chelsea continua demasiado dependente da capacidade individual de certos jogadores para “ligar” o coletivo. Para vencer este City, um coletivo forte e articulado muitas vezes não basta, e o Chelsea que entrou em campo, foi uma equipa a duvidar de si mesma, principalmente quando viu Jorginho enjaulado na prisão de Guardiola.

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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