João Rocha, o eterno presidente

 

Nome: João António dos Anjos Rocha

Nascimento: 9 de Julho de 1930

Falecimento: 8 Março 2013 (82 anos)

Naturalidade: Setúbal

 

 

João Rocha foi o presidente do Sporting que mais anos esteve à frente do clube. Assumiu o cargo a 7 de Setembro de 1973, vindo depois a deixar o cargo em 1986. Nesses 13 anos, João Rocha, em todas as modalidades, conquistou mais de 1200 títulos.

Esforço, dedicação, devoção…Glória!

João Rocha chegou ao clube com o intuito de reforçar a posição do Sporting como um clube eclético, pretendendo mudar a perspetiva de como as modalidades eram tidas em conta pelos clubes na altura. Em 1973, o Sporting vivia uma crise diretiva. Valadão Chagas, que era então presidente do clube, decidiu retirar-se para ir desempenhar um cargo no governo e Manuel Nazareth, vice-presidente, não queria assumir o cargo de presidência por falta de capacidade e disponibilidade, segundo o próprio.

Durante a sua presidência o clube viveu um dos períodos áureos. No futebol conquistou 3 campeonatos nacionais, 3 taças de Portugal e uma Supertaça. Se formos contar com as restantes modalidades o número de títulos ascende a 1210, onde se destacam: 52 Taças de Portugal nas várias modalidades, 8 Taças dos Campeões Europeus de Corta-Mato, uma Taça dos Campeões Europeus de Hóquei em Patins, modalidade na qual o clube também ganhou, durante a sua gerência, mais duas Taças das Taças e uma Taça CERS.

João Rocha será sempre recordado como o grande impulsionador das modalidades até então consideradas amadoras, nomeadamente o atletismo, andebol, basquetebol, hóquei em patins e ciclismo.

Durante esses anos o Sporting, em todas as modalidades, chegou a contar com mais de 15 mil atletas, sendo que só no atletismo eram 3500 praticantes, assumindo-se por fim como “a maior potência desportiva nacional”. Durante o seu mandato é de ressalvar o trajeto de Carlos Lopes, que conquistou a medalha de ouro na maratona de Los Angeles de 1984.

Ainda no atletismo, foi durante a sua presidência que Fernando Mamede conquistou o Recorde do mundo nos 10.000 metros, marca obtida a 2 de Julho de 1984, em Estocolmo. Outro feito notável foi a conquista do recorde olímpico na maratona, por parte de Carlos Lopes a 20 de Abril de 1985. Durante a sua presidência destacam-se também as conquistas de 3 campeonatos do mundo de corta-mato.

O sucesso durante o seu mandato fez-se sentir no número de sócios que mais que triplicou, passando 40 mil para mais de 130 mil.

“O eterno presidente”

Até então o clube vinha a ser dirigido pelas elites políticas portuguesas. Logo na primeira época à frente do clube o ex-empresário deparou-se com um contexto político complicado, nomeadamente o período de instabilidade pós 25 de Abril de 1974. Nessa primeira temporada à frente do clube, João Rocha conseguiu feitos inéditos no futebol, com a conquista do Campeonato Nacional, da Taça de Portugal e chegando também às meias-finais da Taça das Taças.

Um facto curioso, foi que na véspera da revolução de Abril, dia 24 de Abril de 1974, o Sporting tinha disputado e perdido a meia-final da Taça das Taças frente ao Madgerburgo, na RDA. Qual não foi o espanto da equipa técnica e dos jogadores, quando já na RFA para apanhar o voo de Berlim para Frankfurt, receberam a notícia de que estava a haver uma revolução para derrubar o regime em Portugal. A preocupação foi então geral com todos a pensar em mortos e feridos, pelo que se instaurou um clima de alguma tensão entre jogadores e equipa técnica, que vieram a saber depois os contornos pacíficos da revolução. Sanadas todas as preocupações e inquietações, restava agora arranjar uma maneira de voltar a Portugal.

Foi aí que João Rocha interveio, arranjando um voo para Madrid e um autocarro que transportou a equipa até à fronteira em Badajoz. Uma história caricata nessa viagem de autocarro foi o facto de todos os hotéis estarem cheios, pelo que alguns jogadores e elementos do staff tiveram mesmo de pernoitar no autocarro. A permissão para entrar em Lisboa só foi concedida na manhã de dia 26, depois de João Rocha ter negociado por vastas horas com o Movimento das Forças Armadas.

A grande aposta de João Rocha foi sempre no futebol, mas mantinha uma relação de proximidade também com os atletas de outras modalidades, sendo que as suas principais obras em termos de infraestruturas foram o fecho das bancadas do Antigo estádio José de Alvalade e a construção dos pavilhões para as modalidades e da pista de atletismo Tartan.

João Rocha foi também um visionário, não só em termos desportivos, como também em termos da área comercial do clube, criando o departamento de Comercial e de Marketing do clube, abrindo a primeira loja verde para vender produtos oficiais do clube.

Enquanto presidente a sua principal característica foi a astúcia e inteligência com que tomava decisões, o que aliado à sua boa capacidade de argumentação lhe permitiram manter-se à frente do clube por tantos anos. O seu trabalho foi particularmente importante para o Sporting, mas também para Portugal.

Acabou por sair do clube em 1986, devido a problemas de saúde que já há vários anos o impediam de desempenhar o seu cargo na plenitude das suas capacidades. Em homenagem pelo trabalho que fez pelo clube foi 3 vezes galardoado com o prémio Stromp, recebeu o “Leão de ouro com Palma” e foi nomeado sócio de mérito.

Em 2012, foi aprovada por unanimidade a construção do pavilhão com o seu nome, para ser a casa das modalidades. Ficará para a história como o presidente que maior trabalho fez pelas modalidades, ele que não foi “um” presidente, mas “o” presidente, que ficará para sempre na memória dos sportinguistas.

 

Tiago Domingos

Lourinhanense de gema, estuda gestão no ISCTE-IUL. Tem como hobbie a escrita e como paixão o futebol!

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