Taça da Liga: Uma Reflexão da Competição de Inverno

Estávamos na temporada de 2007/08 quando a então nova competição arrancou: a Taça da Liga. 12 edições (contando com a da presente época), múltiplos patrocínios (da taça da cerveja à dos correios até ser patrocinada pela Allianz) e 5 campeões diferentes depois (7x Benfica, 2x Sporting, Setúbal, Braga e Moreirense) a Taça parece estar a ganhar, aos poucos, reconhecimento para a generalidade dos clubes portugueses.

Até muito recentemente, a competição que arrancou com o surpreendente Vitória de Setúbal a derrotar o Sporting na final, vinha a ser como que desvalorizada, sobretudo, pelos grandes do futebol português . Os grandes optavam por rodar o plantel e concediam oportunidades aos jogadores menos utilizados ou da formação de modo a continuarem com a máxima força nos objetivos principais (campeonato e competições europeias) da época. Isto a menos que se encontrassem na competição.

O Setúbal foi o primeiro (e surpreendente) campeão da Taça da Liga

Com os grandes a fazerem descansar as suas estrelas na Taça da Liga (e também pelos regulamentos característicos de desempate na fase de grupos), houve espaço para finalistas algo surpreendentes tais como o Vitória de Setúbal (duas vezes), Paços de Ferreira, Gil Vicente, Rio Ave, Marítimo (duas vezes) e Moreirense. Apesar disso, só dois destes clubes conseguiram levar o troféu consigo: Vitória de Setúbal (2007/08) e Moreirense (2016/17). O Braga também poderia vir a ser incluído neste lote mas, nos últimos anos, tem vindo a ser visto como um dos melhores clubes portugueses.

De uma competição que se estendia de Agosto a Março e, posteriormente, até Maio para uma que se joga entre Julho e Janeiro, consagrando o campeão de Inverno, num formato de final-four, a Taça da Liga parece ter passado de “só mais uma taça” no Palmarés para uma Taça pelo qual os clubes querem lutar e conquistar, não rodando assim tanto as suas principais armas como costumavam fazer.

Exemplo disto é que Sporting e Porto foram os finalistas da edição da presente temporada, rodando apenas um ou outro jogador ao longo do decorrer da competição. Na final disputada, no passado dia 26 de Janeiro, foi necessário o desempate por grandes penalidades e que culminou com a formação leonina a levar de vencida e a renovar o seu título de Campeão de Inverno.

O Sporting bateu o Porto nas grandes penalidades e revalidou o seu título de Campeão de Inverno

Apesar do título pomposo que a vitória na competição acarreta, e apesar de parecer estar a ganhar reputação, acaba como que por ser vista como um prémio de consolação numa temporada. O Campeão de Inverno só é mais falado durante uma semana, depois passa e o foco voltar a incidir mais sobre a Taça de Portugal e o Campeonato. Os vencedores destas duas últimas competições acabam por ser os mais lembrados e mencionados com o passar do tempo.

Não que o adepto se esqueça de quem conta com a Taça da Liga no seu palmarés mas, no fundo, os títulos que mais importam continuam a ser os anteriormente referidos. A menos que seja um clube fora dos grandes, na altura de fazer o balanço da temporada, de que vale conquistar a Taça? Só mesmo um possível consolo como a época não correu como esperado e sempre conquistaram um título.

Em comparação às competições congéneres, de Inglaterra e França, a Taça da Liga portuguesa não garante acesso à Liga Europa ao vencedor, perdendo um bocado o valor que poderia vir a ter. A vaga europeia poderia ser um aliciante extra aos clubes participantes. Infelizmente, para nós, em Portugal as vagas são cada vez mais reduzidas e temos que nos contentar com um emblema prateado demonstrativo de como foram campeões de Inverno no ano anterior.

De modo a tornar mais interessante (e relevante) poderia ser organizada uma competição de final-four que envolvesse o campeão nacional, da Segunda Liga, da Taça de Portugal e da Taça da Liga. Seria uma espécie de reformulação da Supertaça e que distinguiria esta das congéneres europeias mencionadas uma vez que o campeão da Taça da Liga é também desvalorizado.

Numa visão mais pessoal, o sistema de desempate, após os 90 minutos, ser por via das grandes penalidades acaba por retirar, por assim dizer, parte da emoção que o final-four poderia ter (ainda mais do que a que já tem). Isto por acabar por não ser o método mais justo por, como todos sabemos, ser uma autêntica lotaria e sorrir a quem a sorte pender mais, independentemente do jogo realizado.

Desde a sua criação, a Taça da Liga tem vindo a se desenvolver no panorama do futebol português, a criar reputação e a ser uma competição mais apetecível mas, apesar disso, ainda tem um caminho a percorrer até alcançar um prestígio mais tangívelDe inicialmente parecer estar condenada ao fracasso aos dias de hoje, a Taça da Liga, continua viva e desde 2016/17 a gerar Campeões de Inverno.

O Moreirense foi o primeiro campeão de Inverno

 

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André Fernandes

Licenciado em Ciências da Comunicação pela FCSH/NOVA. Madeirense, adepto de futebol e da escrita, marcar golos na vida e chegar o mais longe possível é um dos meus objetivos.

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