Yazalde Pinto: a busca pela felicidade além fronteiras

Bilhete de Identidade

Nome: Yazalde Gomes Pinto
Data de nascimento: 1988-09-10 (30 anos)
Nacionalidade: Português
Peso: 80kg
Altura: 183 cm
Posição: Avançado
Número: 88


Esta semana, o AMBIDESTRO traz-lhe uma nova entrevista com mais um jogador bem conhecido do futebol português. Após largos anos no futebol português, Yazalde voou para novos horizontes e representa atualmente o Gaz Metan da Roménia.

Formado no Varzim, o avançado português seguiu para o Rio Ave e rapidamente despertou interesse do Braga. Não foi muito feliz no Minho, tendo sido emprestado inúmeras vezes, ora em Portugal (Olhanense, Rio Ave, Beira-Mar e Gil Vicente), ora no estrangeiro (Astra Giurgiu e Qäbälä). Acabou por se desvincular do clube bracarense e voltou ao “seu” Rio Ave. Uma lesão afastou-o dos relvados por algum tempo e deixou de ter espaço na equipa. Ainda passou pelo Belenenses, mas o futuro da sua carreira estava além fronteiras.

Fique a conhecer mais sobre o avançado de 30 anos, o seu percurso, os seus objetivos e o que correu mal na sua afirmação no futebol português.

AMBIDESTRO: Como e onde é que surgiu o teu interesse pelo futebol? 

Desde muito pequeno que me lembro de jogar futebol. Saía de casa de manhã e só aparecia à noite. Eram tempos completamente diferentes aos de hoje em que os mais novos ficam enfiados em casa com toda a sua tecnologia.

AMBIDESTRO: Qual o papel do teu pai, Jaime Graça, na aposta em seguir futebol?

Teve um papel importante, claro. Ajudou-me sempre, corrigia-me e dizia-me aquilo que eu podia fazer melhor em cada jogo que eu entrasse.

AMBIDESTRO: Estiveste quase uma década no Varzim, onde foste formado. Qual é a importância do clube para a tua carreira e para a tua vida?

Esteve quase uma década no “clube do coração”.

O Varzim é e será sempre o clube do meu coração. Foi lá que me estreei como profissional e é um clube pelo qual eu estarei sempre agradecido. Foram inúmeros anos de luta e de sacrifício e acabei por ser recompensado em me ter tornado jogador profissional de futebol. E esse feito também devo muito ao Varzim.

AMBIDESTRO: Deste nas vistas no Varzim e acabaste por sair para o Rio Ave. Como descreves essa mudança?

Eu ia do Varzim para o Braga em dezembro, mas duas semanas depois acabei por ir para o Rio Ave. Quando disseram-me que ia representar o Rio Ave, fiquei um pouco nervoso e atrapalhado porque estava a mudar-me para o maior rival do Varzim. Até já os tinha defrontado algumas vezes. Por isso, não sabia bem como é que as pessoas iam reagir e iam receber-me. Acabei por ser muito bem recebido por todos.

AMBIDESTRO: Marcaste quatro golos em 15 jogos na primeira época em Vila do Conde. Jogar no clube do sítio onde nasceste, teve algum efeito em ti?

Diria que sim. Fiz quatro golos numa segunda volta em que todos conseguiram contribuir para vitórias importantes. As minhas primeiras vitórias na Primeira Liga. Foi uma boa estreia, para além de termos conseguido a manutenção que era o nosso objetivo. Fizemos todos um trabalho fantástico e estar a representar um clube da cidade onde nasceste e cresceste, em que vês amigos que cresceram contigo a apoiar-te, é fantástico. Para além do meu pai também ter jogado no Rio Ave. É um sentimento especial.

AMBIDESTRO: Seguiu-se o Braga, mas nunca te conseguiste afirmar nos minhotos que te iam emprestando consecutivamente. Arrependes-te de teres feito essa mudança?

Foi uma decisão que tomei…. O Braga era e é um grande clube e a minha ida para lá coincide com uma das melhores equipas do Braga da história. Jogadores como o Meyong, Rentería, Lima, Mateus… Havia muita qualidade. Tinha noção de que ia ser difícil nos primeiros tempos, mas estava disposto a trabalhar para me impôr e ganhar o meu espaço.

AMBIDESTRO: Em 2013, disseste que no Braga nunca te deram uma oportunidade para te afirmar. Achas que isso acabou por retardar o teu desenvolvimento enquanto jogador?

Eu disse isso, na altura, porque era o que achava. Eu fazia muito boas épocas e depois era sempre emprestado. Nunca tive uma verdadeira oportunidade.

AMBIDESTRO: Fizeste boas épocas quando estavas emprestado ao Rio Ave, marcando alguns golos. Nessa altura, qual era o teu grande objectivo? Mostrar ao Braga que tinhas valor? Ou tentar fazer com que houvesse interesse de outros clubes?

O meu objectivo era, sobretudo, trabalhar e dar o meu máximo para depois poder voltar a Braga e mostrar que tinha valor para jogar na equipa. Se isso não fosse possível, iriam aparecer outros bons clubes para que eu pudesse mostrar todo o meu futebol.

Yazalde só jogou oito jogos oficiais com a camisola arsenalista.

AMBIDESTRO: Depois do empréstimo ao Beira-Mar, acabaste por renovar com o Braga. O que te levou a tomar essa decisão?

Eu renovei porque o Mister Jesualdo Ferreira falou comigo e garantiu-me que ia apostar em mim na próxima época. E ele deu-me muita confiança antes de começar a temporada. Foi essa a razão.

AMBIDESTRO: Dias depois dessa renovação, marcaste um golo importante pelo Braga na primeira mão do play-off da Liga Europa. Pensaste que tinhas finalmente encontrado o teu espaço no grupo?

Claro que sim. Depois de tanto tempo tive a minha verdadeira oportunidade e felizmente acabei por marcar esse golo na Liga Europa. Depois disso, estava convicto que desta era de vez e de que ia afirmar-me em Braga.

AMBIDESTRO: Tal não aconteceu e voltaste a ser emprestado. Estavas à espera dessa decisão?

Não, não estava nada à espera. Sentia-me muito bem, estava a jogar bem e tinha feito aquele golo. Porém, depois do mercado já ter fechado, disseram que ia ser emprestado porque tínhamos ficado fora da Liga Europa e eu ia ter poucas oportunidades. O Astra estava interessado em mim e acabei por ir para a Roménia, já que lá o mercado fecha mais tarde.

AMBIDESTRO: Como descreves a experiência no Astra da Roménia e no Qäbälä do Azerbaijão? Há comparação com o futebol português?

Foram muito boas experiências que me fizeram crescer tanto como pessoa, tanto como jogador. No Astra, fizemos uma época fantástica. Acabamos o campeonato em segundo lugar e ganhamos a Taça. No Azerbaijão, já não correu assim tão bem. A adaptação foi mais difícil, muito devido ao sítio em si. Não consigo comparar com o futebol em Portugal. Não há comparação possível. É uma mentalidade completamente diferente.

O português não consegui marcar ao serviço do Qäbälä.

AMBIDESTRO: Depois de teres saído definitivamente do Braga, 2015/2016 foi das temporadas em que jogaste mais, mas depois uma lesão afastou-te dos relvados por muitos meses. Foi um golpe duro para ti?

Foi um problema que se arrastou por muitos meses. Se pudesse voltar para trás, não fazia certas coisas. Joguei praticamente um ano com dores e em sacrifício e devia ter parado logo porque era uma situação simples de resolver. Só precisava de raspar o osso do calcanhar (deformidade de Hauglund) e tinha parado sensivelmente um mês e meio. Enfim, cometi alguns erros. O mais difícil foi não poder dar o máximo de mim e sentir que era impossível treinar nos meus limites. E assim vamos perdendo faculdades.

AMBIDESTRO: Depois de teres rescindido pelo Rio Ave, falou-se na tua aventura pelo Irão. Mas nunca chegaste a assinar? O que aconteceu?

Custou-me muito a rescisão com o Rio Ave. Foi o clube que mais representei enquanto profissional, o clube da cidade onde eu nasci e onde o meu pai viveu grandes momentos. Mas o futebol é assim. Eu também não estava feliz, não me estava a sentir útil, nem a ter o rendimento desejado. Só tenho que agradecer a esse grande clube por todos os momentos que passei.  O Varzim é o clube do meu coração, mas o Rio Ave também não fica atrás. Em relação ao Irão, antes de ir tinham-me prometido uma coisa e quando cheguei já era outra. Vim embora.

AMBIDESTRO: Voltaste mais recentemente à Roménia e agora jogas pelo Gaz Metan. Porquê a escolha?

Foi um clube que acreditou em mim. Não é fácil para uma equipa dar uma oportunidade a um jogador que nas últimas épocas não jogou muito. Vim para aqui para me sentir útil e voltar ao meu melhor nível.

AMBIDESTRO: Com 30 anos, quais são os teus grandes objetivos para o futuro? Voltar a Portugal ainda é opção? 

O meu objetivo, neste momento, é jogar e sentir-me feliz. E aos poucos estou a voltar ao melhor de mim porque sei do que sou capaz quando estou bem. Para já, só quero ajudar o Gaz Metan a entrar no play-off da Liga, jogar e fazer golos.

AMBIDESTRO: E a seleção? Ainda sonhas com uma chamada?

Representar a seleção sempre foi um dos meus maiores sonhos. Claro que sei que é difícil, mas o futebol dá muitas voltas. O sonho comanda a vida.

AMBIDESTRO: Depois das tuas boas épocas ao serviço do Rio Ave, eras visto como uma das promessas atacantes do nosso futebol. O que é que faltou para não teres dado o salto?

Talvez não tenha tido as oportunidades que devia no Braga, mas o futebol é assim mesmo. Só tenho 30 anos, ainda vou conquistar muito.


Fora das quatro linhas

Prato favorito: Arroz de Pato da Mãe
Música favorita: Afrohouse, Kizomba e Reggaeton
Filme favorito: Saw
Tempos livres: Passear e jogar Playstation com o irmão e amigos
Ídolo de infância: Drogba
Treinador mais marcante: Carlos Brito
Melhor jogador da atualidade: Cristiano Ronaldo
Melhores equipas que já defrontaste: Benfica de Jorge Jesus, Braga de Paulo Fonseca e FC Porto de André Villa Boas


Em nome do AMBIDESTRO, agradeço a disponibilidade do Yazalde e desejo as maiores felicidades tanto a nível profissional como pessoal.

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Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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