Frenkie De Jong, o próximo farol de Camp Nou

Nome: Frenkie De Jong

Data de nascimento: 12-05-1997, Arkel, Holanda

Altura: 180cm

Peso: 70kg

Posição: Médio-centro, médio-defensivo, defesa-central.

Número: 21


Frenkie De Jong é uma contratação óbvia para o Barcelona. Não digo isto com ironia – é que a sua capacidade atual, estilo de jogo e potencial tremendo só o poderiam levar até Camp Nou, ou o Manchester City de Guardiola. Tivemos o privilégio de ver De Jong atuar em Portugal, no empate do Ajax em casa do Benfica, em novembro. A sua classe foi evidente: O Ajax, a jogar fora, teve 58% de posse de bola, uma precisão média no passe de 79% e menos faltas que o Benfica. Individualmente, o holandês completou 89% dos passes, fez dois desarmes e nunca perdeu a bola. Por comparação com Gedson, o português teve 64% de precisão de passe, nenhum desarme e duas perdas de bola, segundo o WhoScored.

75 milhões depois, o passe de Frenkie De Jong deixou de pertencer ao Ajax de Amesterdão, tão conhecido viveiro de talento mundial, ainda que menos produtivo na última década. Apenas sete jogadores fizeram o trajeto Amesterdão-Barcelona, e os nomes são incontornáveis: Cruyff, Neeskens,Witschge, Litmanen, os irmãos Frank e Robert De Boer, e finalmente Cillessen. Mesmo depois da transferência, Frenkie continuará às ordens de Ten Haag até ao final da época, já que o meio-campo holandês precisa muito mais do atleta do que o miolo catalão.

Isto porque a época passada foi azeda para o Ajax, já que não esteve nas competições europeias, e ficou a cinco pontos do tão desejado título, que tem escapado para PSV e Feyenoord desde 2013/14, data do último campeonato ganho pelo Ajax. Nesta época, o campeonato continua em aberto (cinco pontos de distância entre PSV, o primeiro, e Ajax, o segundo) e os oitavos-de-final da Champions esperam pela formação holandesa. A título de curiosidade, Marcel Keizer foi treinador de De Jong durante meia-época na equipa principal, depois de já ter treinado o médio nas reservas.

As maiores valências de Frenkie De Jong estão na clarividência do passe e do posicionamento. É um médio que gosta de vir buscar jogo e assumir sem medo a primeira fase de contrução, pois vemo-lo muitas vezes entre os centrais. Aliás, o facto de já ter jogado a central pode ter contribuído para este traço do seu jogo, trazendo-lhe a compreensão de que um futebol rendilhado tem que ser construído desde a defesa. Essa é, de resto, uma das características do Ajax de Ten Haag, que privilegia a posse, o bom posicionamento sem bola, deixando de lado o confronto físico.

Mesmo no aspeto físico, De Jong é razoável. Com 180 cm de altura, o holandês não evita o típico “encosto” para pressionar o oponente ou proteger a bola, algo que é tão importante no meio-campo sobrelotado do futebol moderno. É rapido com a bola e gosta igualmente de queimar linhas conduzindo o esférico. De referir ainda que marcar golos não é o seu forte (em 30 jogos marcou três golos esta época), e mesmo em termos de assistências, fez contar apenas uma. Esse trabalho está entregue maioritariamente a Ziyech e Tadic na equipa de Ten Haag. Todavia, Frenkie faz o seu papel, a primeira fase de construção, com extrema eficácia: em média, tem 92% de precisão de passe e o maior número de passes por encontro (79), na Eridivisie.

Um duelo de médios brilhantes: De Jong e N’Golo Kanté
Recordes de vendas e milagres da multiplicação

A futura coqueluche do Barcelona estreou-se com apenas 17 anos, numa derrota contra o Zwolle, em outubro de 2015. Foi no início desse mesmo ano que De Jong chegou ao principal clube holandês, vindo do Willem II, emblema que milita atualmente na primeira divisão holandesa. Curiosamente, ele foi vendido por um euro e 10% da próxima transferência. Acontece que essa percentagem corresponde a 7,5 milhões e meio de euros, ou seja, um milagre quase bíblico da multiplicação para o Willem II. Em 2017 foi suplente utilizado na final da Liga Europa, ganha pelo United de Mourinho.

A venda bateu o recorde de valores para a Eridivisie, que é cada vez mais uma liga periférica. Só não é a maior transferência de um jogador holandês porque Virgil Van Djik transferiu-se por 84 milhões de euros do Southampton para o Liverpool. O seu parceiro no centro da defesa holandesa será o próximo a bater recordes – falo de Mathjis De Ligt, capitão do Ajax com apenas 19 anos, e titular há três épocas.

Em termos de seleções, Frenkie De Jong está numa fase inicial. Depois de ter passado nas categorias base da laranja mecânica, o médio chegou à seleção principal pela mão de Ronald Koeman, em outubro passado. Conta apenas com cinco internacionalizações mas disputou os quatro encontros da Liga das Nações, competição para a qual a Holanda está na final four, a par de Portugal. Já que os últimos quatro vão degladiar-se no D. Afonso Henriques e Estádio do Dragão, De Jong voltará muito provavelmente a Portugal em breve.

O holandês tem todo o potencial para singrar no Barcelona a curto/médio prazo, e brilhar sob os holofotes mais fortes do futebol mundial durante uns dez anos. Todas as grandes equipas precisam de um farol que ilumine a sua primeira fase de construção para impor o seu jogo, e os caminhos de Camp Nou vão ficar mais claros com De Jong em campo. No ano que vem, porém, terá de conquistar Valverde, que tem o futuro do meio-campo cada vez mais assegurado (Aleñá, Arthur, Puig, e agora De Jong).

Veja os melhores momentos de Frenkie De Jong:

 

 

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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