Andrés Iniesta, O maestro do “Tiki-Taka”!

Ficha do Jogador:

 

Nome: Andrés Iniesta Luján

Nascimento: 11 de Maio de 1984

Local de Nascimento: Fuentealbilla, Albacate, Espanha

Altura: 1.71m

Peso: 68 kg

Clubes: Albacate, Barcelona, Vissel Kobe

Albacate

Andrés Iniesta deu os primeiros passos no futebol nas camadas jovens do Albacate. O seu talento saltava à vista, com uma visão de jogo fora do comum e uma capacidade técnica extraordinária, Iniesta conseguiu destacar-se e conquistar um torneio de juvenis com uma grande pressão mediática, despertando a atenção do Barcelona, mas havia um entrave: A distância. Barcelona ficava a cerca de 500 Km de casa e Andrés Iniesta, com apenas 12 anos teria de ficar privado do contacto com a família.

Andrés Iniesta, começou por recusar o convite do Barça, mas acabou mesmo por aceitar, corria então o ano de 1996.

A chegada a Barcelona

Iniesta é, para os adeptos do Barcelona e do futebol em geral, um dos mais emblemáticos e talentosos centrocampistas. Para muitos considerado um dos melhores jogadores espanhóis de todos os tempos.

O seu primeiro grande troféu ao serviço dos catalães foi a Nike Premier Cup, uma competição mundial de juvenis, onde foi também nomeado o melhor jogador, chamando de tal forma a atenção que vários jogadores da equipa principal quiseram ir assistir à final, incluindo Pep Guardiola. No final o próprio Guardiola entregou-lhe o troféu de campeão, sem sequer sonhar que viria anos depois a treiná-lo. Guardiola, na altura o capitão do Barcelona, quando o viu jogar,disse o seguinte a Xavi Hernández, também ele a dar os primeiros passos na equipa principal: “Tu vais ser o meu sucessor. Este rapaz vai-nos suceder aos dois.”

Barcelona B

No ano seguinte, na época 2000/2001,  com o impulso que a final lhe deu, subiu para a Equipa B do Barcelona, com apenas 16 anos, e por lá ficou até ter 19 anos até que Loius Van Gaal, viu o seu imenso potencial e o promoveu para a equipa principal. Por um tempo Iniesta continuou a jogar pelo Barça B, fazendo algumas aparições na equipa principal.

Um facto interessante acerca de Iniesta é que, além da carreira de jogador, ele prosseguiu os estudos em Atividade Física e Ciências do Desporto na Universidade Ramon Llull.

A estreia na equipa principal

Foi em Outubro de 2002 que se estreou na primeira equipa num jogo da Liga dos Campeões, em Brugges, pela mão de Louis van Gaal, e no meio de uma época particularmente conturbada para o Barcelona. Nessa épocou o Barça terminou o campeonato na sexta colocação, eliminado na primeira ronda da taça do rei e saindo da Liga dos Campeões logo nos oitavos de final.

Iniesta foi progressivamente ganhando espaço na “blaugrana”. Na época seguinte, já na “era Ronaldinho”, sob o comando do técnico Frank Rijkaard, após a saída forçada de Van Gaal, Iniesta começou a ser aposta mais frequente na equipa principal do Barcelona.

A explosão de Iniesta e o “Tiki-Taka”

A verdadeira afirmação de Iniesta foi na época 2004/2005, recebendo o título de “12º jogador”, raramente foi colocado a titular, mas entrou em praticamente todos os jogos nessa época como suplente utilizado. Nessa época Iniesta ajudou o Barça a quebrar um jejum de títulos que durava há já 4 anos, com a conquista do campeonato espanhol.

Na época de 2005/2006, Iniesta foi bastante utilizado, ainda mais após a lesão de Xavi. Nessa época, Iniesta conquista pela primeira vez a Liga dos Campeões, essa temporada foi importante para mostrar a versatilidade de Iniesta, que provou ser capaz de jogar em qualquer posição do meio campo.

Iniesta trocou o seu número de camisola na época 2007/2008, que até então era o 24, pelo mítico e tradicional 8.

Na época 2008/2009 fecha-se um ciclo importante no Barcelona com a saída de Ronaldinho, mas outro ciclo grandioso estava prestes a começar, quando Guardiola assumiu o comando da primeira equipa.

Guardiola apostou em Iniesta, que apartir daí se assumiu como titular indiscutível e o que se seguiu foi uma das mais perfeitas criações futebolísticas da história, uma equipa absolutamente avassaladora, que levava tudo à sua frente. Com o guarda-redes Victor Valdés, Piqué e Puyol, na defesa e os inseparáveis Xavi e Iniesta no meio campo, para não falar de Lionel Messi no ataque, o Barça fez aquela que é considerada uma das melhores equipas da história que celebrizou o famoso “Tiki-Taka”, um estilo de jogo marcado pelo domínio da posse de bole, com eles a jogar o campo parecia não ter fim.

A estatística somente é injusta para fazer jus ao talento, versatilidade e generosidade de Iniesta dentro das 4 linhas. Um cavalheiro dentro de campo, para o provar o facto de nunca ter levado um cartão vermelho em toda a sua carreira. Iniesta praticava um futebol de uma graciosidade ímpar, com momentos de deixar qualquer um de queixo caído, nunca tratava mal a bola e mesmo estando em campo, parecia que assistia da bancada de tão apurada que era a sua visão de jogo.

O “sextete”

Em 19 de dezembro de 2009, com a vitória por 2-1 sobre o Estudiantes de La Plata, o Barcelona encerrou um ano inesquecível com a sequência de seis títulos: Taça do Rei, La Liga, Liga dos Campeões, Supercopa da Espanha, Supercopa da Europa e o Mundial de Clubes. Uma equipa que ganhou tudo o que disputou e onde Iniesta era uma das figuras centrais.andres iniesta fc barcelona vs chelsea GIF by FC Barcelona

Em 6 de maio de 2009, Iniesta foi o protagonista de um dos episódios mais marcantes da história do Barça com um golo inacreditável no final da partida contra o Chelsea, salvando o Barcelona da eliminação da Liga dos campeõs e garantido a passagem à final. Um lance incrível de fora da área, que depois seria imortalizado de “Iniestazo”.

Período conturbado

A época 2009/2010 foi a mais complicada para Andrés Iniesta no Barcelona. Nessa época foi assolado por inúmeras lesões e sofreu uma perda que o abalou profundamente, nomeadamente com a morte de Daniel Jarques durante um jogo de pré-época, vitima de ataque cardíaco. Daniel era então capitão do Espanyol e amigo pessoal de Iniesta, o que afetou ainda mais a recuperação das lesões do médio do Barcelona.

O tributo de Andrés Iniesta ao amigo Daniel Jarques, após marcar o golo na final do campeonato do mundo de 2010

Barcelona, imbatível

Na época 2010/2011 o Barcelona seguiu avassalador, conquistou o tricampeonato espanhol, a Supertaça da Espanha e novamente a fechar a época a Liga dos campeões.

O Triplete de 2015

Já com Luis Enrique no comando, o Barcelona e Iniesta voltaram a celebrar um triplete. O primeiro título foi de La Liga, alcançado após a vitória sobre o Atlético de Madrid no penúltimo jogo da época, esse que foi um dos campeonatos mais renhidos de sempre. Após o campeonato Espanhol, veio o título de campeão da Taça do Rei. O triplete ficou completo ao vencer a Juventus, em Berlim, na decisão da Liga dos Campeões.

O final da época de 2014/15, ficou marcado pela despedida de Xavi Hernández. Após 24 anos no clube, partindo das camadas jovens onde foi formado, o espanhol que formou uma das duplas de meio campo mais temidas de sempre juntamente com Iniesta põe um ponto final na sua história no Barcelona.

 

O melhor do mundo… Não eleito!

Iniesta é muito maior que qualquer prémio que lhe possa ser atribuído e o simples reconhecimento de Andrés Iniesta por toda a esfera futebolística é mais que galardão suficiente para o destacar como um dos melhores centrocampistas de todos os tempos.

A revista France Football pediu desculpas a Andrés Iniesta por nunca lhe ter ter concedido o prémio ao jogador: “O sr. Iniesta demonstrou que é o cérebro e, sem dúvida, o músculo essencial dos campeões fora de série. O seu talento é inventar. Um altruísmo que certamente o privou de um reconhecimento ainda mais majestoso, como foi no Bola de Ouro, que deixou escapar em 2010 (segundo lugar) e 2012 (terceiro)…”.

A despedida

Uma lenda como Iniesta não podia ter uma despedida qualquer. No final da época 2017/2018, após 22 anos a representar as cores do Barcelona, o médio espanhol decide encerrar o seu ciclo na “blaugrana”, por considerar já não estar à altura do clube. Para trás ficam os troféus e a melancolia de ver partir um dos maiores heróis do clube.

Pelo Barcelona Iniesta disputou 671 partidas, marcou 57 golos, realizou 142 assistências e conquistou:

4 Ligas dos Campeões (2005/06, 2008/09, 2010/11, 2014/15)

3 Mundiais de Clubes (2009, 2011, 2015)

3 Supertaças Europeias (2009,2011,2015)

9 Ligas espanholas (2004/05, 2005/06, 2008/09, 2009/10, 2010/11, 2012/13, 2014/15, 2015/16, 2017/18)

6 Taças do Rei (2008/09, 2011/12, 2014/15, 2015/16, 2016/17, 2017/18)

7 Supertaças de Espanha (2005, 2006, 2009, 2010, 2011, 2013,2016)

Vissel Kobe

Atualmente, com 34 anos Iniesta representa o Vissel Kobe do Japão.

Seleção espanhola

Pela seleção espanhola Iniesta conquistou dois Europeus (2008 e 2012) e um Mundial (2010), sendo aclamado com um dos ícones da sua geração. Possivelmente um dos melhores jogadores espanhóis da história.

A Seleção Espanhola sempre foi conhecida como a ‘Fúria’, pelo seu estilo vigoroso. Iniesta veio trazer uma mudança a esse estilo que rendeu frutos, esta mudança e o respeito que conquistou permitem-lhe ser aplaudido por rivais e adeptos em qualquer estádio de Espanha, não como símbolo do Barcelona mas como simbolo do futebol espanhol.

Mundial 2006

O mundial de 2006 marcou a estreia de Iniesta em Mundiais pela seleção. Contudo a sua estreia não foi feliz, sendo eliminada pela França de Zidane.

Europeu 2008

Com uma geração de jogadores absolutamente extraordinários, a Espanha brilhou no europeu de 2008. Começou por vencer todos os jogos da fase de grupos, num grupo que incluía a Rússia, a Suécia e a Grécia.

Seguia-se depois a prova de fogo, nos quartos de final, frente à seleção campeã do mundo: A Itália. Como era de esperar o jogo foi disputado, com uma Itália bastante eficiente na defesa, mas completamente nula no ataque. Sem conseguir penetrar pelas linhas da “Azurra” a Espanha viu-se forçada a ir a penáltis e a Itália, para fugir à exceção da final do campeonato do mundo conquistada em penáltis voltou, como é tradição, a ter pouca sorte no desempate pelas grandes penalidades.

Nas meias finais voltou a jogar novamente com a Rússia, sedenta de vingança após a goleada na fase de grupos. Mas a vingança teria de ficar para outro dia… A Espanha venceu por 3-0, mais “furiosa” que nunca.

Chegava a final! A espanha teria de contrariar a expressão: “São 11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha”. E conseguiu! Com uma vitória por 1-0, a Espnha com uma exibição sublime conseguiu quebrar um enguiço que durava há 44 anos e era campeã da Europa. Iniesta sofreu com lesões durante toda a competição, mas mesmo assim ainda foi considerado um dos melhores jogadores da seleção e do Euro.

Mundial 2010

No mundial de 2010 a Espanha era, de caras, a favorita a conquistar a competição…E não dececionou. Iniesta fez um grande campeonato do mundo e fez o golo na final que deu o título para a seleção espanhola.

Europeu 2012

Novamente com uma grande campanha, sem surpresa, a Espanha conquistou novamente o título de campeão Europeu. Iniesta fez ele também um grande Europeu, sendo coroado com o título de melhor jogador do Europeu.

O fim da carreira na seleção

Após o desastre no Mundial de 2014, onde a Espanha nem sequer passou da fase de grupos, a eliminação nos oitavos de final frente à Itália no Europeu de 2016 e com a eliminação no passado mundial de 2018 nos oitavos de final frente à anfitriã Rússia, Iniesta decidiu, 133 internacionalizações depois, dar por concluída a sua carreira na seleção.

Na despedida Iniesta disse: “Este foi o meu último jogo com a seleção [espanhola]. A nível individual acaba-se uma etapa maravilhosa. Não foi a despedida sonhada, mas o futebol tem destas coisas”

 

 

 

 

Tiago Domingos

Lourinhanense de gema, estuda gestão no ISCTE-IUL. Tem como hobbie a escrita e como paixão o futebol!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.