Apesar do sol, o clássico nem aqueceu nem arrefeceu

A primeira parte foi “para os pardais”, a segunda não teve desenlace. Um nulo no clássico entre Sporting e Porto, repetindo-se o mesmo resultado da época passada. Sérgio Conceição viu ser interrompida a sua série (quase) histórica de vitórias consecutivas na Liga.

Os portistas chegaram a este encontro com a possibilidade de fazer história. Caso ganhassem, fariam a melhor série de vitórias consecutivas da história da Liga. Para além desse registo, em caso de vitória afastariam virtualmente o Sporting do título. Mas o historial recente dos nortenhos em Alvalade não era favorável, já que os dragões não venciam naquele recinto há treze jogos. Este clássico, disputado numa tarde soalheira de sábado, tinha tudo para entreter cerca de 45000 espetadores.

Dada a estranha afluência de pombos no terreno de jogo, dá vontade de dizer que a primeira parte foi “para os pardais”. Pelo menos em termos de golos, e número de ataques. O Sporting pareceu mais confortável que os visitantes durante a primeira parte, notando-se até um certo nervosismo na linguagem corporal dos portistas, que tinham oito pontos de vantagem. A linha do meio-campo do Porto tornou-se uma muralha facilmente transponível pelos leões, que encontravam frequentemente espaços entrelinhas e saíam a jogar quando o Porto tentava pressionar mais alto.

A maior parte das oportunidades de perigo pertenceram ao Sporting. A primeira, através de um livre batido por Mathieu, aos 11′, que acabou desviado pela barreira. Herrera viu o primeiro amarelo da partida – Hugo Miguel foi peremptório nos seus juízos e puxou quatro vezes do cartão amarelo na primeira parte (também Jeffersom, Bruno Fernandes e Felipe foram admoestados). A única vez que o Porto chegou com perigo à baliza de Renan foi num cruzamento de Marega que ia direitinho para os pés de Brahimi, mas Gudelj esticou-se o suficiente para evitar o golo do Porto. Esta foi a única vez em que o Porto usou as alas com perigo.

À passagem da meia-hora, Nani rematou de primeira para corte de Felipe. A bola ia à baliza, mas com pouca velocidade. Com o aproximar do intervalo, o jogo aqueceu com um maior número de jogadas de ataque do Sporting, principalmente através de cruzamentos de Diaby e Jefferson. Entretanto, Maxi Pereira deitou-se no relvado e saiu lesionado, aos 42′, dando lugar a Oliver. Corona desceu para lateral-direito e foi logo desfeiteado por Jefferson que entregou muito bem a Bas Dost, mas este de primeira atirou para a figura de Iker Casillas.

Ao intervalo, Keizer retirou Bruno Gaspar e fez entrar Ristovski, talvez por motivos físicos. A segunda parte teve contornos diferentes à da primeira. O FC Porto assumiu o jogo na segunda metade, depois de povoar  melhor o seu meio-campo com Oliver Torres. O Sporting baixou igualmente as suas linhas e adotou um maior conservadorismo. Por volta dos dez minutos da segunda parte, uma grande oportunidade para Soares, talvez a melhor do jogo – ataque rápido do Porto, com Corona a chegar à área no timing certo e a cruzar. Soares desviou com o pé direito mas com pouca força, e Renan defendeu.

Moussa Marega teve logo a seguir a sua melhor oportunidade, com um remate de pé esquerdo fortíssimo mas ligeiramente por cima da barra. Coates quase que assistia o melhor marcador do Porto. A equipa de Sérgio Conceição tinha maiores facilidades nesta fase, gerando pânico nas transições, ao contrário do Sporting que definia quase sempre mal os contra-ataques. Foi um meiocampista leonino que tentou a sua sorte, em seguida. Bruno Fernandes encheu o pé e obrigou Casillas a sacudir um dos seus remates de marca. Uma desatenção de Corona, num atraso a Casillas, obrigou de novo o espanhol a intervir face à proximidade de Bas Dost.

Aos 68′, Éder Militão mostrou o porquê do interesse do Real Madrid no seu passe, com um corte providencial. Foi muito assertivo, um dos melhores em campo. Sérgio Conceição mexeu no jogo, por opção e obrigação. Deu oportunidade a Fernando Andrade, e teve que substituir Hernâni por Danilo devido a lesão do médio. Keizer também pôs Raphinha. O jogo começou a tornar-se caótico, com a bola a percorrer os extremos do campo em pouco tempo. Os últimos calafrios pertenceram aos adeptos do Porto, que viram Casillas desviar uma bomba de Gudelj e Bas Dost falhar de cabeça incrivelmente.

O resultado fixou-se em 0-0, com um sentimento de justiça. O clássico não foi exuberante, com muitas faltas e com uma postura mais cautelosa do Sporting na segunda parte, mas as oportunidades repartiram-se de forma semelhante. Este resultado não aqueceu nem arrefeceu as expetativas do Porto e do Sporting, que continuam a oito pontos de distância, e cinco pontos entre os líderes e o Benfica. Acabou desta forma a série de vitórias consecutivas do Porto (18), igualando o registo benfiquista de 2010/11.

 

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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