Tu és o nosso Rei… Eusébio!

Ficha do jogador:

Nome: Eusébio da Silva Ferreira

Nascimento: 25 janeiro 1942

Pais :  Portugal (Moçambique)

Altura: 1,75m

Peso: 70kg

Clubes: Sporting Lourenço Marques, Benfica, Boston Minutemen, Monterrey, Toronto, Beira-Mar, Las Vegas Quicksilver, União Tomar , New Jersey


Foi das primeiras grandes joias de África, o primeiro Ballon d´Or africano e um mito para Portugal e para os benfiquistas.

Nascido na Mafalala, num bairro pobre da antiga Lourenço Marques, começou a jogar descalço com os amigos nos longínquos anos 40 e 50.

Eusébio no Sporting de Lourenço Marques, com 18 anos

Em Moçambique, era já conhecido e visto como “O Novo Pelé”, Eusébio começou a dar os seus primeiros passos como jogador profissional.

A polémica ida para o Benfica

O negócio de Eusébio, que na altura tinha 17 anos, ficou marcado pela polémica com o rival Sporting Clube de Portugal, devido à luta que houve entre os dois  clubes de Lisboa para conseguir o passe do “Pantera Negra”.

O Sporting tinha tudo acordado com Eusébio e com o Sporting Lourenço Marques, filial do clube de Alvalade, em Moçambique.

No entanto, os responsáveis benfiquistas, sabendo disso e da qualidade de Eusébio, foram-no buscar o jogador ao Aeroporto, encaminhando-o para um hotel. Desta forma, Eusébio não pode assinar pelo Sporting visto que o seu pai já teria assinado pelo Benfica quando ainda corria o ano de 1960, o pai de Eusébio tinha preferência pelo Benfica.

Benfica 

Veio para o Benfica em dezembro de 1960, com 18 anos, começou a sua época de estreia como suplente na equipa principal e opção nas reservas. A sua chegada atribulada atrasou a assinatura do contrato, tendo sido suplente utilizado na temporada 1960/61, em que o Benfica já tinha um plantel muito forte, que viria a vencer a Taça dos Campeões ao Barcelona.

 

Final Benfica 5  x Real Madrid 3 

Na final de Amesterdão, Eusébio fez não só dois golos, como também uma exibição extraordinária. Mostrou a velocidade estonteante e o remate forte que a Europa do futebol ainda não conhecera.

Só festejou com o braço direito, pois a sua mão esquerda segurava a camisola branca de Di Stefano, o seu ídolo de criança.

A exibição na final valeu a Eusébio o segundo lugar no prémio France Football 1962.

 

Final 1962/63 AC Milan 2- 1 Benfica

Uma terceira presença consecutiva em finais para o Benfica, mas um desfecho diferente, em Wembley.

O Milan, uma equipa repleta de jogadores de renome, como Gianni Rivera, Cesare Maldini e Giovanni Trapattoni, mostrou-se demasiado forte para as “águias”, então orientadas por Fernando Riera.

O jogo pode resumir-se a um duelo de pontas-de-lança, com José Altafini e Eusébio a assumirem o papel de principais figuras das respectivas equipas.

 

Final Inter 1 – 0 Benfica 1964/65 

Disputado em San Siro, num relvado encharcado e enlameado, este foi um jogo de “fato de macaco”.

O Benfica viu-se afetado pelas condições do terreno, que prejudicaram o seu tradicional estilo de jogo, baseado na troca de bola entre os seus jogadores, e o Inter acabou por ganhar vantagem perto do intervalo, por intermédio de Jair.

Os italianos viram a sorte sorrir-lhes desde o momento que a UEFA decidiu que a final teria lugar no seu estádio. Acabou por ser uma final inglória, não venceu a melhor equipa!

 

1965 Bola de Ouro France Football 

Eusébio infelizmente não venceu a sua ambicionada terceira Taça dos Campeões, no entanto, foi um dos maiores anos de Eusébio a nível individual:

Campeão Nacional 1964/65, Finalista Taça dos Cempeões Europeus, Bola de Ouro France Football 1965, Prémio melhor marcador da Taça dos Campeões Europeus , Prémio melhor marcador Liga Portuguesa “A Bola de Prata”.

 

Final 1967/68 Manchester 4 – 1 Benfica ( A.P.)

Eusébio esteve mais uma vez em alta, infelizmente falhou o golo da vitória do Benfica ao min 89´, que faria o 2-1 no encontro. Eusébio aplaudiu o guarda-redes do United após a defesa num gesto de fair-play.

Eusébio Bota de Ouro

Com 1-1 aos 90 minutos, o Benfica acabou por perder em prolongamento por 4-1, em Wembley.

Eusébio, que já tinha sido em 1964/65 e 1965/66 o melhor marcador da Taça dos Campeões Europeus, foi mais uma vez o melhor marcador na temporada 1967/68.

Nesse mesmo ano de 1968 Eusébio venceu a Bota de Ouro, como o melhor marcador dos campeonatos da Europa com 42 golos marcados. 

Cinco anos mais tarde no ano de 1972/73, venceu a Bota de Ouro novamente com 40 golos. 

 

Legado 

Pelo Benfica Eusébio alcançou feitos históricos e deixou um legado incrível:

11 Ligas Portuguesas 

1960-1961, 1962-1963, 1963-1964, 1964-1965, 1966-1967, 1967-1968, 1968-1969, 1970-1971, 1971-1972, 1972-1973 e 1974-1975

5 Taças de Portugal 1961-1962, 1963-1964, 1968-1969, 1969-1970 e 1971-1972

1 Taça dos Campeões Europeus 1961/62

Prémios individuais

1 Bola Ouro France football 1965

2 Botas de Ouro  1968 e 1973

7 Bolas de Prata 1964, 1965, 1966, 1967, 1968, 1970 e 1973

3 Melhor marcador da Taça dos Campeões Europeus

1965, 1966 e 1968

Símbolo do Estado Novo e Herói do povo

Eusébio e Amália foram sem dúvida as duas figuras do século XX em Portugal, os “Heróis do Povo”.

“Enquanto o Benfica jogava, não havia guerra” – Freitas Lobo confessou em entrevista a força que futebol  tinha, na guerra colonial.

Eusébio mais do que um futebolista, representava para o Estado Novo um elo de ligação as colónias ultramarinas, o maior ídolo de Moçambique jogava no Benfica, o que tornou Eusébio e Coluna igualmente indispensáveis de jogar em Portugal, Eusébio chegou a ter propostas para sair, porém, a sua importância para o regime falou mais alto.

Saída do Benfica 

Após a sua saída do Benfica, Eusébio passou por clubes norte-americanos, onde jogara Pelé, e também no México, porém, já com muitas lesões e sem o sucesso que teve no Benfica. Regressou mais tarde a Portugal onde jogou no Beira-Mar e no União de Tomar, anos antes de integrar a estrutura do Benfica.

Seleção 

Mundial 1966 – ” Os Magriços” 

Portugal entrou no mundial pela primeira vez, em 1966, tendo Eusébio feito uma extraordinária fase de qualificação, mal se esperava o que vinha pela frente.

Fase grupos:

Portugal 3- 1 Hungria

Portugal 3-0 Bulgária, 1 golo de Eusébio

Portugal 3 – 1 Brasil , 2 golos Eusébio

Jogo da carreira

Portugal 5 – 3 Coreia do Norte, com 4 golos de Eusébio

Apesar de ser uma seleção inexperiente nestas andanças, foi sem surpresa que Portugal chegou com o estatuto de candidato aos lugares de topo.

Com 3-0 para os coreanos ao min 24, Eusébio reduz para 3-1, indo assim para o intervalo.

De 3-1, para 5-3 na segunda parte, a reviravolta da seleção foi “épica” e sem dúvida o jogo mais consagrado de Portugal, num mundial de futebol.

O Portugal x Coreia Norte, foi o jogo mítico de Eusébio pela Seleção das quinas, um “poker” para a eternidade. 

A despedida

Na despedida do mundial, ficaram marcadas as lágrimas de Eusébio.

Infelizmente, na meia final a equipa cedeu fente à futura campeã Inglaterra, acabando por perder 2-1, com um golo de penalty de Eusébio ao min 82.

Portugal venceu o 3º lugar do campeonato do mundo, vencendo a União Soviética por 2-1 com golos de Eusébio e Torres.

Eusébio foi o melhor marcador do mundial, com 9 golos. 

 

Morte a 5 Janeiro 2014 e Homenagem 

A 5 de Janeiro o “Rei” partiu, o coração benfiquista e o pais choraram a dor da despedida de um mito.

“Se me dessem a escolher gostaria de morrer ali [Estádio da Luz]. É uma casa que me fez homem, onde estou desde os 18 anos. Nós não escolhemos, mas eu gostava… E já agora num jogo de emoção e com uma vitória do Benfica” Eusébio ao Diário de Noticias, 1997

 

Em campo, o “inferno da Luz” fez-se ouvir e contra o Porto e “11 Eusébios” entraram em campo para dedicar a vitória no clássico ao “King”.

No coração benfiquista, Eusébio é o símbolo máximo do clube e da mística do “glorioso”, nunca morrendo na memória e na história do Benfica e do país.

 

 

 

Miguel Matos

Fan de futebol desde míudo, coleccionador de cromos e cadernetas, gosto especial pela história do futebol. Adepto do Benfica, Inter de Milão, Arsenal e River Plate.

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