Caminho Marítimo para a Segunda Liga?

Mais um jogo para o campeonato, mais uma derrota. Uma derrota mais expectável ante do Braga que segue em segundo lugar, no entanto, uma derrota consumada em 13 minutos, a 10ª em 15 jogos na presente temporada para o Marítimo.

Depois da saída de Daniel Ramos, no final da temporada passada, a escolha do substituto recaiu sobre Cláudio Braga. O técnico português havia conseguido a promoção à Eredivisie com o modesto Fortuna Sittard, 16 anos depois do clube ter estado pela última vez no convívio entre os grandes holandeses.

A missão do técnico que chegava, não se adivinha fácil após Daniel Ramos ter logrado o melhor arranque de sempre dos madeirenses, e a experiência acabou por não ser positiva para Cláudio Braga que acabou por ser despedido, após uma derrota por 3-0 ante do Feirense.

Em finais de Novembro, Petit, acabaria por ser a escolha para comandar os destinos do clube até ao findar da presente temporada. Não fosse suficiente a instabilidade a nível técnico, no final de Dezembro, era anunciada a rescisão com os jogadores Danny e Ibson.

No momento, os números no campeonato falam por si: 3 vitórias, 2 empates e 10 derrotas. 8 golos marcados e 20 sofridos. Números preocupantes para um clube que nos habituou a lutar por um lugar europeu e que tantos bons valores revelou no nosso campeonato.

Na primeira divisão desde 1985/86, sem cessar, o Marítimo vê-se na linha de água com 11 pontos somados até ao momento. O clube soma, para já, quase tantas derrotas quantas as que sofreu na época passada em 34 jornadas (conta com 10 e somou 13 na temporada findada) e questiona-se a capacidade do clube manter o seu estatuto primo-divisionário.

O Marítimo apresenta-se como um dos clubes com mais anos na I Liga
(créditos: site oficial do clube)

Para esta temporada tão atribulada, um dos factores que deve ter contribuído para tal e que à primeira vista pensamos “como é que foi possível?” foi o clube insular ter deixado sair pelo menos 3 jogadores titulares saírem a custo zero. Foram eles Ghazaryan, Éber Bessa e Erdem Sen, nomes que tinham peso no onze do Marítimo e que, no caso do arménio e do brasileiro, continuam a dar cartas na Liga NOS ao serviço de Chaves e Vitória de Setúbal, respetivamente.

Outra saída, embora não conste o valor no site transfermakt, foi a de Pablo Santos para o Braga. Pesou na equipa do Marítimo mas difícil seria segurar dado o estatuto do Braga que já “levou” Dyego Sousa e Fransérgio, em épocas anteriores.

Um segundo factor, mais simples e óbvio, são as contratações não estarem a corresponder como desejado. Isto refletiu-se sobretudo na contratação mais sonante do clube no Verão: Danny. Mas se o antigo internacional português não tinha já a forma de outros tempos, as restantes contratações para o ataque não se traduziram em golos ou assistências.

Danny acabou por não ser feliz no seu regresso a Portugal, a uma casa que conhece bem

Quando o único reforço com golos marcados é um defesa central (Lucas Áfrico) e o melhor marcador da equipa, Rodrigo Pinho, conta com uns míseros dois golos apontados, é sinal de que algo precisa necessariamente de mudar se querem mudar a situação atual.

Não só a vertente atacante precisa de mudar mas a defensiva também. Pese o número de golos sofridos, os guarda-redes verde-rubros têm conseguido evitar pior da parte da equipa, como sucedeu em Braga, jogo que Charles evitou uma série de remates que levavam selo de golo.

Mais do que noutras épocas, o mercado de Inverno poderá ser definidora do que fará o apelidado “Maior das Ilhas” no restante campeonato. Petit terá que ter visão certeira para o reforço da equipa de modo a conseguir lograr escapar da queda na Segunda Liga.

A aposta por jovens da formação, como Pelágio, pode também passar por ser parte da solução. O clube já promoveu, no passado, jogadores que se tornariam figuras do campeonato tais como Pepe, Baba Diawara, Djalma e Sami, só para nomear alguns.

Jogadores da formação, tal como sucedeu com Djalma, podem ser a solução para o futuro imediato

Duas temporadas após os rivais do Nacional terem sucumbido à despromoção, o fantasma da Segunda Liga regressa à Ilha da Madeira. Desta vez, longe do nevoeiro, sob o Estádio do Marítimo, o conhecido Caldeirão.

Ainda faltam 19 capítulos deste campeonato, mais que suficientes para o clube verde-rubro dar a volta à situação atual, o objetivo do clube passa pela manutenção e não pela habitual luta europeia e, para já, a questão que se coloca é se o clube atingirá o “porto da salvação” ou se seguirá o “caminho Marítimo” para a Segunda Liga.

 

André Fernandes

Licenciado em Ciências da Comunicação pela FCSH/NOVA. Madeirense, adepto de futebol e da escrita, marcar golos na vida e chegar o mais longe possível é um dos meus objetivos.

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