Diego Armando Maradona, o Deus do futebol

Ficha do jogador:

Nome: Diego Armando Maradona

Naturalidade: Lanús, Argentina

Nascimento: 30/10/1960

Altura: 1.65m

Peso: 70Kg

Clubes : Agentinos Juniors, Boca Juniors, Barcelona, Napoles, Sevilha, Newells Old Boys e Boca Juniors


Dispensando apresentações hoje falamos de um mito, Diego Armando Maradona, oriundo de um bairro pobre na província de Buenos Aires, para o Mundo.

Maradona fora desde cedo visto, como o futuro Di Stefano e estavam enganados… foi muito melhor!

Numa entrevista a Maradona em miúdo, o futuro foi traçado por si mesmo, nas suas palavras vemos a convicção e a certeza que estávamos perante um jogador ímpar!

 

Diego Maradona com 10 anos, em 1970. “Mis sueños son dos. Mi primer sueño es jugar en el Mundial, y el segundo es salir campeón

 

Argentinos Juniors

Maradona começou desde cedo nos Argentinos Juniors, onde fez a formação e se mostrou como uma futura promessa do futebol argentino. Jogou nos Argentinos Juniors durante 5 anos, tendo seguido para o Boca Juniors, após ter brilhado no Mundial sub-20 pela Argentina em 1979, saindo vencedor com 6 golos em 6 jogos.

Boca Juniors

 

Em 1980, Maradona assinou pelo clube do coração, o clube do povo, o Boca Juniors. Entrou como um futura jovem promessa, mas a verdade é que pegou de estaca, tendo sido cobiçado pelos grandes da Argentina.

Maradona, nos anos que representou o Boca, mostrou uma qualidade e genialidade a jogar que nunca se vira anteriormente no campeonato argentino e arrisca-me a dizer que nunca mais irá voltar.

Com 20 anos demonstrava-se um jogador tecnicista, driblador, aguerrido, um líder em campo e jogando com ambos os pés, tinha-se descoberto um génio, que não durou 2 anos a vir brilhar para a Europa.

 

Barcelona

Foi o Barcelona que em 1982, após o Mundial, precisamente na Espanha, levou Maradona a assinar pela primeira vez na Europa. Esta transferência bateu o record de mais cara até a data. Maradona já era capitão do Barcelona aos 23 anos.

Temporada 1982/83: A  Revelação

 

Em Barcelona, Maradona demonstrou a sua qualidade e brilhou durante duas temporadas, numa La Liga competitiva, numa época em que Real Madrid, Atlético de Bilbau e Barcelona lutavam ferozmente pela conquista dos títulos.

A temporada 1982/83, começou bem para Maradona e o Barcelona, tendo vencido a Copa Del Rey, a Copa De La Liga e a supertaça.

Época 1983/84: Queda em Barcelona

 Porém, a temporada segunte tudo mudou, um enorme infortúnio atrapalhou os planos do camisola 10, capitão e líder do Barcelona, Maradona sofreu uma entrada criminosa (fratura no tornozelo) de Andoni Goikoetxea, jogador do Atletico Bilbau. Diego Maradona voltou a campo 106 dias depois e viu o Barça perder a Liga por 1 ponto de diferença.

Na final da Taça do Rei Maradona virou o foco de uma discussão entre jogadores, que originou uma batalha campal contra o Atletico de Bilbau. O Barcelona perdeu essa final da Taça do Rei.

A maré de azar parecia tomar conta do temperamental argentino, uma gigantesca suspensão foi estipulada para ele cumprir após o fatídico episódio.

A esta altura sua relação com os dirigentes estava deteriorada, logo, a solução foi vender o genioso e genial craque

Napoli: Che Guevara Napolitano

Maradona entrou em Nápoles no ano de 1984, com o estatuto de jogador irreverente, revolucionário, aguerrido e uma estrela mundial, com pouco gosto pelos poderosos e pela classe “elitista”, nenhum clube tinha encaixado tão bem nas características de Maradona, como o clube e a cidade de Nápoles.

Símbolo da desigualdade Norte/Sul

Em Nápoles, Maradona ganhou uma aura de jogador idolatrado pelos adeptos e perseguido pelos media. Maradona não foi só um embaixador do Napoles no Mundo, mas o simbolo de uma Itália de extremos, entre um Norte rico poderoso e favorecido, e um Sul desfavorecido, empobrecido, esquecido e entregue a Máfias como braço armado do povo, a Camorra napolitana e a Cosa Nostra, Siciliana, dominavam o sul de Itália, completamente desfavorecido.

Rivalidade com Platini e Juventus

Como símbolo de uma das poucas equipas do sul de Itália, que competia contra o “status quo” e o domínio das equipas do Norte como a  Juventus, AC Milan, Inter  de Milão e Roma, o Napoles de Maradona foi o um “grito” de revolta contra o sistema corrupto do futebol italiano.

Com Platini a jogar na Juve, Maradona necessariamente veio ocupar a hegemonia do francês como o melhor jogador da liga italiana e do mundo, apesar de Platini ter mais bolas de ouro “France Football”, não esquecer que o prémio era dado para o melhor jogador a atuar no campeonato europeu e até 1995, só europeus eram aceites. Automaticamente, era uma comparação injusta com Maradona.

Ganhando dois campeonatos italianos, durante a sua passagem por Itália, sendo ainda hoje um feito inigualável, no clube napolitano que nunca mais venceu o campeonato.

Maradona mostrou que sem prémios da FIFA, o maior juiz é o público e esse é quem tem a palavra final!

Taça UEFA 1989

Na temporada 1988/89, o Nápoles jogou uma final mítica contra o Bayern de Munique, a exibição de Maradona durante toda a competição e em especial na final, demonstrou que era um jogador de topo, mostrando o porque do ditado  “Maradona e mais dez!”

Fez uma exibição fenomenal, terminando o Nápoles de Maradona, por vencer a final a duas mãos por 2-1 na primeira mão,  no San Paolo e  a segunda mao empatando 3-3 na Alemanha. 

Melhor marcador do campeonato italiano 1987/88

 2 Campeonatos italianos nas temporadas 1986/87 e 1989/90

1 Taça de Italia 1986/87

1 Supertaça 1990

1 Taça UEFA 1988/89

 

A saída de Nápoles e o consumo de cocaína

Embora já tenha começado a consumir cocaína, foi em Napoles que Maradona se tornou consumidor regular, tendo tido problemas já no final de carreira. Em Março de 1991 acusou positivo, num teste anti dopping, tirando as dúvidas do seu consumo de drogas. Quando assinou pelo Sevilha, Maradona estava visivelmente menos preparado fisicamente.

 

Sevilha

Na temporada 1992/93, já em Sevilha, Maradona voltou a ter problemas internos que o impossibilitaram de ter feito mais anos em Espanha. No Sevilha foi um Maradona muito diferente do que nos habituou em Barcelona e Napoles, Diego fez uma temporada razoável, que terminou mal.

Os responsáveis do Sevilha desconfiados das saídas noturnas de Maradona, enviaram detetives para o controlar, Maradona incompatibilizou-se com o clube Andaluz e seguiu para a Argentina.

 

Regresso a Argentina e despedida na Bambonera

Maradona voltou a Argentina, para jogar no Newells  Old Boys, porém com problemas internos novamente, mudou-se para o Boca Juniors, onde jogou o resto da sua carreira até 1997.

Durante dois anos representou o Boca, voltando às origens que o viram nascer para o futebol, porém num final triste para a carreira e potencial que teve, Maradona dá-se ao luxo de dizer que “Passou ao lado de uma grande carreira”, poucos são os jogadores de topo mundial que poderiam ter dado muito mais, Diego Maradona teve a carreira brilhante e mesmo assim, deixa essa impressão que poderia ter tido mais.

 

Argentina: Mundial de 1982

Estreou-se nos grandes palcos com 21 anos. Maradona foi chamado para defender o título de campeão mundial ganho em 1978, com Kempes.

O Mundial sorria à Argentina, até que disputou um jogo decisivo contra o Brasil de Zico, Maradona num lance disputado agride um jogador brasileiro, tendo sido expulso num jogo que ditou a derrota da Argentina e o afastamento do Mundial.

Maradona reconheceu mais tarde que a seleção vivia um ambiente festivo e excessivamente confiante antes do Mundial.

Mundial 1986: O Mundial de Maradona

O México 86´ foi sem dúvida o Mundial de “Maradona e mais Dez!”, foi no México que Maradona cumpriu o seu sonho de menino e redimiu-se da asneira de 1982 contra o Brasil.

A Argentina passou a fase de grupos sem problemas, tendo vencido Coreia do Sul por 3-1, empatando 1-1 com a Campeã Itália e 2-0 a Bulgária.

Nos oitavos de final, a Argentina de Maradona defrontou o Uruguai num dos jogos mais complicados dos argentinos, por 1-0. Foi um dos jogos mais difíceis de ganhar, mas Maradona fez a diferença, tendo dito ter sido umas das melhores da carreira.

A Mão de Deus

A Inglaterra vs Argentina dos quartos de final , foi possivelmente o jogo mais marcante da história dos mundiais, pela polémica, pela Guerra das Malvinas, pelo golo que finta meia equipa e pelo golo com a mão.

Após o empate 1-1 com a “Mão de Deus”, Maradona decide fazer o golo da sua carreira e também da história dos mundiais, fintando metade da equipa inglesa.

Meia Final: Bis de Maradona

Nem a marcação a Maradona impediu o 10 argentino de fazer 2 golos e seguir para a Final.

Novamente levando a seleção às “costas”, Maradona assumiu a responsabilidade e fez outra exibição de gala, contra a Belgica marcando dois golos sem resposta, a uma Bélgica que só se limitou a fazer faltas ao génio argentino, porém ninguém o parou!

Final

Maradona fora uma aposta do selecionador, muito criticado por o ter elegido a capitão

De vencer por 2-0 ao empate 2 -2 na segunda parte, que poderia deitar a perder o sonho da “albiceleste”, porém um passe em desmarcação de Maradona, deixou Burrochaga na cara do golo, fazendo o 3-2 para a Argentina, que estando a vencer por duas bolas a zero, quase que consentia a reviravolta alemã.

 

Mundial 1990

 

O Mundial de 90´ tem dois jogos históricos, a Meia final contra a Itália em Napoles, que dividiu os próprios adeptos, italianos pois os Napolitanos alguns torciam pela sua idolatria a Maradona, mostrando um voto de protesto contra o sistema central de Itália, e o restante estádio assobiou o hino argentino, levando Maradona a insultar o público do San Paolo.

Maradona marcou o penalty decisivo, que eliminou a Itália em Napoles

Adorado por uns, odiado por outros…

Na final em Roma a Argentina, teve o seu hino assobiado pelos italianos, por ódio a Maradona, que foi obreiro da eliminação da “squadra azzurra”.

Na final a Alemanha venceu, porém com um penalty controverso ao min 85, tendo os argentinos queixas da arbitragem, nessa final de má memória para Maradona, perdida por 1-0.

 

Mundial 1994

Maradona saiu de campo com uma enfermeira, não jogando mais o mundial.

Após recuperar milagrosamente, Maradona começou o Campeonato do Mundo de 1994 dando espetáculo. Marcou de fora da área contra a Grécia e parecia que o astro argentino, estava de volta, contra a Nigéria, demonstrou fôlego incansável e inspirou os argentinos a vencerem a título de novo.

Infelizmente após ter perdido 13kgs, de 89kg para 76kg, em pouco tempo antes do mundial, Maradona ficou marcado pelo momento em que uma enfermeira o foi buscar de mão dada, ao centro do campo, pois tinha acusado doping.

Para a Seleção Argentina não ser desclassificada, Maradona teve de ser retirado e a Argentina teve de continuar sem ele.

Em sua defesa, Diego disse que a FIFA tinha permitido o uso das substâncias, porém durante o Mundial foi alvo de um “golpe”, tendo sido impedido de vencer o seu último mundial.

Miguel Matos

Fan de futebol desde míudo, coleccionador de cromos e cadernetas, gosto especial pela história do futebol. Adepto do Benfica, Inter de Milão, Arsenal e River Plate.

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