Esperança e Preocupação com o Futuro da Seleção

Mais uma semana, mais uma pausa internacional e duas vitórias para a Seleção Portuguesa de Futebol. Duas vitórias, sem a maior estrela da constelação, que deixaram satisfeitos e entusiasmados os adeptos portugueses que ficaram com a sensação de que “temos seleção para o futuro”.

As vitórias ante a Polónia e a Escócia deixaram boas indicações para o futuro imediato da Seleção

Campeões europeus em título com a Seleção A, sub-19 e sub-17, Portugal começa cada vez mais a dar cartas no cenário internacional. Isto, claro, sem desvalorizar os anos que antecederam e que vieram a demonstrar o crescimento da Seleção como uma a ter em conta em qualquer competição.

Em Julho de 2018, Portugal sagrou-se campeão de sub-19, após ter sido campeão de sub-17 em 2016

Devemos ter esperança num futuro ainda mais brilhante, pelo menos são os sinais que os jogadores nacionais têm-nos transmitido. Um dos melhores de sempre, nosso capitão, está com corpo de 22 anos mas já conta com 33 e, por mais que nos custe, um dia terá que deixar o 7 a alguém. Só o futuro nos dirá como isso irá correr e, ao que tudo indica, parece augurar a nosso favor.

Tanto nos escalões mais jovens como no principal, temos vindo a alcançar bons resultados desde há uns anos para cá. Finalmente, temos sido coroados com troféus que nos levam a acreditar que é possível ainda virmos a ganhar um campeonato do mundo.

Porém, no meio da esperança, há uma preocupação: terão estes jovens jogadores oportunidade nos clubes que representam, ainda que num escalão inferior, e se afigurarem como parte da solução para o futuro da seleção?

Olhando para o atual lote de convocados, há casos de jogadores que tiveram que emigrar para conseguirem o reconhecimento que mereciam e não obtiveram nos seus clubes de formação. Casos de Bruma, João Cancelo, Hélder Costa, Pedro Mendes, Mário Rui e Bernardo Silva. Rúben Neves, por sua vez, teve oportunidades para demonstrar o que valia mas não foi aproveitado como devia, antes de rumar ao Wolverhampton, onde tem vindo a brilhar.

Por um lado, se aterram jogadores estrangeiros com qualidade indubitável para representarem os nossos clubes, não só os grandes, aterram também flops. Será que não há qualidade suficiente nos nossos para serem titulares nos nossos clubes? Para serem soluções a curto prazo num panorama que vemos os nossos clubes sem tanta capacidade financeira como um dia tiveram? Pelos resultados apresentados nas seleções mais jovens, leva a crer que sim.

Nos últimos anos, reforçaram-se a aposta em academias, criaram-se as equipas B e as sub-23. Por agora, um pouco por força disso, têm surgido mais talentos nacionais, mas a aposta indubitável nos jogadores portugueses ainda deixa um pouco a desejar. Prova disso é a percentagem de jogadores nacionais que realmente envergam as camisolas dos clubes aos quais se encontram vinculados nos relvados nacionais.

O Benfica, nos últimos anos, tem apostado mais na formação e dado cartas tanto para o seu plantel como para a Seleção

A solução, por vezes, passa por tentar a sorte no estrangeiro. E, felizmente, que ainda há bons exemplos disso, como Bernardo Silva. Posto a treinar a lateral-esquerdo, rumou ao Mónaco à busca de novas oportunidades, brilhou, e seguiu para o Manchester City, onde se tem vindo a afirmar como um dos craques a ter em conta na Premier League.

E, claro, a afirmação dos nossos jogadores no estrangeiro é excelente para a dimensão competitiva da Seleção, isso ninguém põe em causa, mas o ideal seria darem cartas nos clubes em que cresceram para então darem um passo mais à frente na sua carreira. Não só beneficiaria os jogadores como também os clubes, afinal seria o culminar da etapa de formação no clube, e isso raramente se sucede.

Parecemos ter bons valores para o futuro mas o bom aproveitamento destes é o que ditará o sucesso que a nossa Seleção poderá ter (ou não). No geral, tem sido alcançada uma boa regeneração em praticamente todas as posições do campo (guarda-redes e defesa-central deixam um pouco a desejar), mas sendo um processo contínuo, há que não vacilar e continuar o trabalho que tem vindo a ser feito.

Em 2016, alcançamos o “céu” europeu, o que será que se segue daqui para a frente?

O sucesso das Seleções, fazem crescer o entusiasmo e a esperança, mas conseguirão os campeões de hoje afirmarem-se amanhã, não só ao nível de Seleção como nos seus clubes? Só o tempo o dirá. Os craques de amanhã estão aí e, o ideal, seria continuarem a ser falados com tanto entusiasmo como são nos dias de hoje.

Há umas arestas a limar mas, Portugal, tem tudo para vir a ser um caso sério no que ao futebol internacional diz respeito. Face ao (aparente) declínio de seleções com história, podemos nos afirmar como a nação valente que somos e ir em busca de mais conquistas.

André Fernandes

Licenciado em Ciências da Comunicação pela FCSH/NOVA. Madeirense, adepto de futebol e da escrita, marcar golos na vida e chegar o mais longe possível é um dos meus objetivos.

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