Onde irá desaguar este Rio Ave?

Sete jogos: quatro vitórias, dois empates e somente uma derrota até ao momento, 14 pontos somados e um surpreendente quarto lugar. Eis os números do Rio Ave na presente temporada e uma questão que se impõe: onde irá “desaguar” este Rio?

Aqui, no AMBIDESTRO, já foi falada a possível afirmação do Braga, mas não poderia deixar de ser ressalvado um apontamento de destaque à formação vilacondense: uma formação que tem visto, ano após ano, uma constante dança de cadeiras e saída de peças-chave e que, apesar disso, tem conseguido classificações positivas nas últimas temporadas.

Desde a temporada de 2013/14, só por uma ocasião o mesmo treinador manteve-se em funções em épocas consecutivas: Pedro Martins em 2014/15 e 2015/16. No entanto, nesse período, o clube conseguiu dois apuramentos para a fase de qualificação da Liga Europa (fruto de um 6º lugar em 2015/16 e de um 5º na última temporada).

O registo de classificações do Rio Ave nas últimas temporadas pautada por uma constante mudança de treinadores e por dois apuramentos para a Europa

Além da mudança de treinadores registada, a equipa tem perdido peças fundamentais, época após época. Em relação à última temporada, perderam Cássio, Marcelo, Lionn, Pelé, Francisco Geraldes, João Novais e Hélder Guedes, só para nomear alguns jogadores. Hélder Guedes acabou a temporada como melhor marcador da equipa com 10 tentos certeiros na baliza.

Após uma saída prematura da Liga Europa ante do Jagiellonia Bialystok (5-4 em agregado) e uma derrota com o Feirense (2-0) na primeira jornada, começou a ser gerada uma onda de dúvidas em torno do que seria o clube capaz de fazer na presente temporada.

Apesar de terem marcado 4 golos, os vilacondenses acabaram por não serem felizes na Europa

Desde então, o clube melhorou e conseguiu-se colocar no topo da tabela classificativa. Numa equipa em que impera a juventude (a média de idades é de 24,5 anos), no último onze, só Fábio Coentrão tinha mais que 25 anos. A juventude que não tem sido um problema para a equipa: Gelson Dala e Carlos Vinicius levam 3 golos cada um. O brasileiro de 23 anos, proveniente do Nápoles, precisou de somente 3 jogos para atingir tal marca.

Num 4-2-3-1, habitualmente utilizado, e com somente Coentrão acima dos 25 anos de início, o Rio Ave conseguiu empatar com SC Braga na última jornada (1-1)

Destacando Fábio Coentrão, a maior surpresa (e o nome mais sonante) da última janela de transferências de Verão, neste retorno a casa, tem vivido um regresso às origens. Da posição de lateral-esquerdo, que fez a sua carreira progredir e o conduziu até ao Real Madrid, voltou a avançar no terreno para atuar como extremo. Até ao momento, ainda à procura da melhor forma, só alinhou em dois jogos mas pode vir a ser uma referência da equipa.

Um regresso às origens para Fábio Coentrão tanto no clube como em posição no terreno de jogo, ele que é a estrela maior do Rio Ave

No que ao técnico diz respeito, é a primeira vez de José Gomes a treinar na primeira divisão portuguesa. Com 48 anos, entrou em cena para assumir o cargo deixado por Miguel Cardoso, e com um plantel que contou com muitos reforços, se conseguir o apuramento para a Europa, o balanço da primeira época em Portugal poderá ser considerado muito positivo. Ainda para mais tendo em conta o número reduzido de vagas.

Irá o treinador português manter-se mais que uma temporada ao contrário de maioria dos seus antecessores?

Com um plantel construído essencialmente com empréstimos e jogadores contratados a custo zero, o balanço tem sido positivo: 12 golos marcados, 8 sofridos e a apenas 3 pontos do lugar de sonho: o 1º lugar. Com um dos grandes, o Sporting, à sua atrás (em 5º lugar), possuindo um plantel bem mais valioso que o seu (156,58M é quanto vale o plantel leonino, o dos vilacondenses vale somente 21,45M), impõe-se a questão do que será capaz de fazer este Rio Ave.

Falta muito campeonato, é certo, e ainda falta jogar com os tubarões do futebol português. Se é difícil ou quase impossível acabar nos primeiros lugares? Sem dúvida absolutamente alguma. O objetivo chave passará sempre por, no máximo, lograr o apuramento para a Liga Europa.

Mas, depois de ter visto o Paços de Ferreira num play-off  da Champions, passei a achar que tudo é possível. Com o desenrolar do campeonato, veremos a real capacidade deste Rio Ave. Para já, teremos que admirar a capacidade de se manter uma equipa competitiva e que logra boas classificações apesar dos contratempos com os treinadores e jogadores-chave que rumam a outras paragens, ano após ano.

Na temporada que marca 10 anos desde o regresso do clube ao convívio da primeira liga, com um plantel jovem e aparentemente capaz, veremos em que posição irá acabar por desaguar este Rio Ave.

André Fernandes

Licenciado em Ciências da Comunicação pela FCSH/NOVA. Madeirense, adepto de futebol e da escrita, marcar golos na vida e chegar o mais longe possível é um dos meus objetivos.

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