Acabem com os Clássicos “rasgadinhos”

Depois de vitórias para a Liga dos Campeões, SL Benfica e FC Porto marcaram encontro em Lisboa para discutir a liderança do campeonato. Foi isso mesmo que se passou em termos de qualidade de jogo, uma discussão que acabou com a vitória (justa) encarnada.

Um jogo de fraca qualidade, onde podemos aplicar a melhor expressão de futebol, no nosso país: rasgadinho. O mesmo futebol rasgadinho que nos afasta, gradualmente, das melhores ligas por essa Europa fora.

Um jogo rasgadinho que deixou Brahimi, Otávio à porta do estádio e tornou Rúben Dias no Rei da Luz.

Equipas Iniciais:

SL Benfica: Vlachodimos; André Almeida; Rúben Dias; Lema; Grimaldo; Fejsa; Gabriel; Pizz; Cervi; Salvio; Seferovic.

FC Porto: Casillas; Maxi Pereira; Felipe; Éder Militão; Alex Telles; Danilo Pereira; Otávio; Herrera; Brahimi; Moussa Marega; Tiquinho Soares.

O(u)távio

Uma primeira parte, à semelhança do resto do jogo, com muitas faltas que tornou o jogo intenso, mas com pouca qualidade. Os primeiros 30 minutos de jogo tiveram 15 faltas, ou seja, uma falta a cada dois minutos. Dessas 15, 11 foram cometidas pelo Porto, com destaque para Otávio que somou 4.

Ninguém comete essa quantidade de faltas, se não for induzido a tal. Com isto, pretendo defender que foi importante o papel de Cervi, a sua ousadia, em ir para cima do adversário. Sabendo disso, Sérgio Conceição pediu a Otávio que estivesse mais próximo de Maxi Pereira, que ia ser previsivelmente “chateado” constantemente por Cervi.

Como Sérgio Conceição assumiu na conferência de impressa, Otávio estava com alguma fadiga muscular, o que explica (em parte) a precipitação do brasileiro em alguns lances. Assim a fadiga, conjugada com uma missão defensiva a que não está habituado explica em parte, mas não tudo, o eclipse em termos ofensivos.

Otávio interviu no jogo em zonas muito recuadas, sem nunca se aventurar entre a linha média e defensiva do Benfica. Em baixo temos os toques na bola de Otávio durante o jogo.

Marega teve o(s) Dias contados

As zonas que Otávio pisou, sempre entre a baliza do Porto e a linha média encarnada, tiveram um impacto direto no jogo ofensivo do Porto, que apostou muito na profundidade de Marega.

Essa procura pelos movimentos de Marega, levou ao aparecimento de Rúben Dias como o jogador do jogo.

A superioridade do Benfica nos duelos individuais teve um impacto tremendo no jogo. A entrada de Gabriel prendeu-se com isso mesmo, e foi uma aposta ganha por Rui Vitória. O treinador no Benfica, leu bem aquilo que Sérgio ia procurar: duelos individuais, colocar pressão nos jogadores encarnados, ganhar segundas bolas.

Rúben, dias depois de comprometer a equipa em Atenas, emergiu como o melhor jogador em campo.

Quando a bola é ganha dos duelos e “cai” nos pés certos  

O meio campo do Porto esteve sempre algo reticente em avançar, e nos momentos de recuperação encarnada foi “apanhada” várias vezes na zona de ninguém. Longe do portador da bola e longe da sua linha defensiva.

Foi isso que aconteceu no melhor lance da primeira parte, onde Gabriel levantou a cabeça, e encontra Cervi nas costas da linha média portista, que estava longe da zona da bola. Argentino depois que isola Seferovic.

 

Benfica subiu e justificou a vitória

Na segunda parte, o Benfica avançou e pressionou o Porto mais à frente.

Grimaldo, o famoso lateral que não sabe defender, rouba a bola a Maxi e avança em direção à área do Porto. O Benfica ia ganhando duelos, e as consequências desses duelos eram cada mais perigosas para o Porto.

Pizzi e Gabriel mais subidos, pela segurança transmitida pela subida da linha defensiva, aproximavam-se mais de Seferovic e da área do Porto.

Também, como vimos já acontecer no final da primeira parte, os extremos (Cervi/Rafa e Salvio) procuravam cada vez mais zonas interiores.

 

Conclusão: Uma vitória justa do Benfica, mas a procura por um derby/clássico bem jogado e de qualidade continua. Não percamos a esperança.

Imagens, Fonte: Sport TV

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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