Como jogam os adversários nacionais na Europa? Nº6: Vorskla Poltava

Depois da vitória em casa frente ao Qarabag, o Sporting desloca-se à Ucrânia para defrontar o Vorskla Poltava, que perdeu na deslocação a Londres na primeira jornada. Fundada em 1955, a equipa ucraniana alcançou na época passada a melhor posição de sempre no campeonato, acabando a prova na terceira posição.

Ao comando da equipa está, desde 2008, Vasyl Sachko. São 10 anos de trabalho, uma estabilidade que é hoje muito rara de encontrar nas equipas por essa Europa fora, e que aliado ao desgaste que o Zorya (a melhor equipa daquele país, sem contabilizar Shakhtar e Dynamo) teve por ter jogado a Liga Europa na última época, contribuiu para o apuramento direto do Vorskla Poltava.

11 Base

Vasyl Sachko deve apresentar um esquema muito semelhante aquele que fez subir ao relvado do Emirates. Um 4-4-1-1, com:

Shust, Perduta, Dallku, Chesnakov, Artur, Kobakhidze, Kravchenko, Sharpar, Rebenok, Kulach, Kolomoets.

Organização Defensiva & Marcação

Ignorando o contexto doméstico, e do que tive oportunidade de ver, onde implementam uma marcação onde os jogadores orientam-se de forma flexível no espaço que cobrem de forma a manter uma certa distância para o adversário mais próximo.

Já no jogo com o Arsenal, notava-se um tipo de marcação muito próxima do homem a homem. Em especial aos homens da última linha dos londrinos, onde cada elemento da defesa do Vorskla seguia “o seu” jogador de forma rígida. Mesmo se este baixasse até zonas próximos ao meio campo.

Esta abordagem, frente ao Arsenal, com Aubameyang, Iwobi, Mkhitaryan e Welbeck é no mínimo questionável, pela fluidez dessa linha ofensiva. Uma das formas de explorar essa marcação homem a homem, são estes movimentos de arrastar o seu marcador para fora de posição, depois rodar e atacar a profundidade no espaço que acabaram de criar.

O Vorskla optou por não se pressionar a bola, também porque não tinha acesso à mesma, como vemos em cima, o que permitia ao portador da bola a exploração da profundidade e dos respetivos movimentos, como ilustrado na imagem.

Qual a vantagem? Simplicidade, não existem grandes problemas de comunicação inerentes a trocas posicionais, a movimentos do adversário, é pura e simplesmente a imposição da força/capacidade física da equipa vs. adversário.

Em baixo, um lance que espelha essa perseguição individual aos jogadores do Arsenal. Apesar da coordenação entre os jogadores londrinos não ser perfeita, o espaço que conseguem criar é evidente. Nas palavras de Cristiano, valeu a “porradinha” do central ucraniano em Welbeck para acalmar a situação.

 

Se Vasyl Sachko optar novamente por este tipo de marcação, a panóplia de soluções ao dispor do Sporting para explorar essa forma de defender é enorme. Desde arrastar o marcador para abrir espaços e linhas de passe, troca constante de posições com colegas para causar confusão e indefinição no adversário até descair no relvado para desorganizar a formação do adversário.

 

Ofensivamente 

Apesar de ter tido apenas 33% de posse de bola e com foco claro na forma como se comportavam sem bola, o Vorskla demonstrou ter alguma qualidade no contra ataque. Em especial quando a bola partia dos pés de Sharpar, a equipa conseguia criar situações de contra ataque com probabilidades maiores de terem sucesso, sendo esse sucesso muitas vezes, algo simples como ganhar um lançamento dentro do meio campo defensivo do Arsenal. É, no meu ponto de vista, o jogador melhor no momento da decisão da equipa ucraniana.

Recorrentemente, o Vorskla procura usar a capacidade no jogo aéreo de Kolomoets com a aproximação de Vladyslav Kulach. Quando recuperam a bola na zona defensiva, e tendo em conta as limitações ao nível do passe dos centrais, em especial Dallku, a equipa ucraniana nunca arrisca tentar sair em combinações/passes curtos. Mal o adversário procura pressionar alto batem longo na frente, com o ponto de referência a ser Kolomoets.

Quando o camisola 26 salta com os centrais para discutir a primeira bola, já Kulach iniciou o seu movimento em direção à baliza para tentar aproveitar o desvio do colega.

 

Conclusão

Comparativamente ao Qarabag, na minha opinião, é um adversário inferior, contudo é necessário estar concentrado defensivamente, porque é uma equipa que consegue rapidamente avançar em direção à baliza adversária. Alguns jogadores interessantes, como Kulach e Sharpar, mas onde a quantidade de más decisões, dos restantes companheiros, acaba por “cortar o momento” de certas jogadas.

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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