Como jogam os adversários nacionais na Europa? Nº5: Galatasaray

Depois do empate em Gelsenkirchen, o FC Porto recebe o campeão turco, Galatasaray, que entra na segunda jornada como líder do Grupo D, depois da vitória em Istambul, por expressivos 3-0. Ao comando dos Leões de Istambul está, pela quarta vez na carreira, Fatih Terim. O treinador de 65 anos que desde 2001 só conhece duas realidades: Galatasaray e Seleção Turca.

“The Emperor” Fatih Terim

Porque entender Fatih Terim, é entender como joga o Galatasaray. Vou voltar precisamente a esse ano, 2001, quando Terim esteva no AC Milan, para transcrever uma passagem autobiografia de Andrea Pirlo, onde o génio italiano, reservou umas linhas para o treinador turco:

“it didn’t take long for us to understand that Terim’s tactical knowledge was inadequate and that the whole game plan was motivated to call the shout, hoping that we could get a good result in the field … Maybe such a plan could have worked elsewhere but it would not work in Milan.

Ao ver o Galatasaray jogar, tenho de concordar com Andrea Pirlo, como de resto todos devemos fazer na vida.

Fatih Terim parece não ter evoluído muito a esse nível, desde 2001. Sim, acabou de ser campeão turco, mas aquela é uma das poucas zonas da Europa, onde ainda existe uma superioridade do talento individual criador de caos, sobre a organização coletiva. Vimos isso na recente eliminatória entre o Benfica e o Fenerbahce onde os encarnados ultrapassaram com facilidade um caótico coletivo, recheado de boas individualidades.

O que aprendemos com a primeira jornada?

Nessa clara vitória frente ao campeão russo, Lokomotiv Moscovo, o Galatasaray encontrou o adversário perfeito. Perfeito para Terim colocar em prática a forma como pretende pressionar o adversário depois de perder a posse de bola.

As dificuldades russas em retirar a bola das zonas de pressão conduziram a uma vitória relativamente fácil. Como não conseguiam sair a jogar de outra forma, limitavam-se a bater na frente e o Galatasaray recolhia essas bolas e voltava a iniciar os ataques. Em baixo, vemos como o lateral direito da equipa turca avança para aproveitar a separação existente entre os médios/defesas russos e os avançados, mas vemos também como apenas parte da equipa responde a esse momento, a restante mantêm as suas posições.

Para ultrapassar esta pressão, o FC Porto precisa de jogar com as linhas próximas. Essa proximidade permite não só reduzir o espaço para as iniciativas individuais dos jogadores do Galatasaray, como possibilita aos azuis e brancos sair da pressão através de combinações curtas, alternando o centro de jogo facilmente, de forma a explorar o lado contrário à zona onde a bola está a ser jogada.

Depois entra na equação a questão física. Esta forma de pressionar consome rapidamente as reservas de energia aos jogadores turcos, especialmente se o Galatasaray defrontar uma equipa inteligente na forma como ultrapassa essa pressão, circulando a bola e penalizando a estrutura caótica de Fatih Terim.

Caótica porque não é uma forma coletiva de pressionar o momento de perda da bola, como víamos o Borussia de Dortmund, de Klopp, fazer. Só os jogadores que estão, em determinado momento, no último terço do adversário realizam essa pressão, o que torna o Galatasaray vulnerável na eventualidade do adversário conseguir ultrapassar essa “barreira”.

Início de construção

Quando assume o momento de organização ofensiva, este é iniciado de forma lenta. Particularmente se Terim optar por colocar Donk no meio campo. O processo é iniciado, regra geral, pelos centrais que procuram iniciar a construção pelo lado direito, com o envolvimento de Akbaba, do médio desse lado e do extremo. Isto com a finalidade de captar a atenção o adversário, explorando de seguida o lado contrário.

Essa exploração do lado contrário, é feita recorrendo à infiltração do médio, desse lado contrário, entre os jogadores da linha defensiva, ou com a exploração da situação de 1vs1 entre Rodrigues e o lateral adversário. Onde o extremo gosta de encarar o adversário e de cortar para dentro. Ele que remata muito bem em resultado desse movimento de fora para dentro, com bola.

Processos relativamente simples que partem muito do individual, mas que perante um adversário colectivamente competente tornam-se ineficazes.

vs Porto 

Sinceramente, custa-me pensar em outro resultado que não seja a vitória portista. O Galatasaray é uma equipa verdadeiramente turca, na forma caótica como entra em campo, procurando usar esse caos para potencializar as suas individualidades: Garry Rodrigues, Belhanda, Feghouli, entre outros.

Será uma partida onde o Galatasaray vai jogar de uma forma que ainda não vimos esta época, em resultado de jogar fora e de não ser a equipa favorita. Será curioso ver como a equipa turca vai responder estando, provavelmente, em organização defensiva na maioria do jogo e como vai ultrapassar a intensa reação à perda da bola azul e branca.

Fonte Imagens: Sport TV

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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