Armada Partenopei preparada para testar a Juventus

Sábado, 29 de Setembro às 17h. É para quando está marcado o encontro entre Juventus e Napoli. A pensar nesse jogo, Carlo Ancelotti fez várias mudanças no seu onze, na receção ao Parma. Hamsik, Callejón e Albiol nem despiram o fato de treino, já Mertens e Verdi realizaram apenas alguns minutos.

Proponho olhar para esta vitória napolitana, dando a conhecer a nova equipa Partenopei comandada por Ancelotti, isto para desfrutarmos do jogo do próximo sábado, da melhor forma possível.

Onze base

Carlo Ancelotti é um treinador flexível, já que adapta a sua formação, não só aos jogadores que tem à disposição em determinado momento, como ao adversário que enfrenta. Desde o 4-3-3 com que começou a época, ao 4-2-3-1 que apresentou frente ao Torino na última jornada,  até ao 4-4-2 que montou para enfrentar o Parma.

Assumindo o 4-2-3-1 como a estrutura mais forte, a linha defensiva não oferece grandes dúvidas, Albiol e Koulibaly são os dois centrais, Hysaj ocupa a lateral direita e Luperto parece ter ganho o lugar a Mário Rui, no lado esquerdo da defesa. Daí para a frente ainda existem algumas questões, sendo que o treinador italiano parece estar cada vez mais convencido em inverter o triângulo, com um jogador a ocupar a “posição 10” (Insigne) na frente de dois homens (Hamsik e Allan/Diawara). Na linha ofensiva, o difícil é escolher: Mertens/Milik na frente, Verdi/Zielinski pela esquerda ou Callejón/Ruiz pela direita.

Sarri ainda vive naquelas botas

Se recuarmos ao primeiro golo que o Napoli marcou nesta edição da Série A, em Roma frente à Lazio, podemos ser levados a pensar que o treinador ainda é Maurizio Sarri. Bola em Insigne no lado esquerdo, espaço entre o corredor lateral e central, e passe diagonal para a entrada de Callejón no lado direito, movimentando-se no lado cego da linha defensiva. Com o espanhol a servir Milik, que só têm de encostar.

Não foi apenas nesse primeiro jogo. Ontem, como em todos os jogos, vemos situações e comportamentos que são herança do agora treinador do Chelsea. Comportamentos esses que não vêm apenas de jogadores que eram treinados por Sarri, o que sublinha a forma inteligente como Ancelotti aproveita o trabalho dos seus antecessores.

Interessante ver como Fabián Ruiz lê rapidamente qual é a intenção de Allan e movimenta-se, não para receber o passe do brasileiro, mas para estar envolvido na ação seguinte. Apesar de no primeiro momento, aproximar para receber de Allan, quando se apercebe que essa não era a intenção do colega, olha por cima do seu ombro e prepara-se para atacar o espaço que Milik vai criar ao baixar. Esta dinâmica, bola vertical e combinações rápidas com o envolvimento de um terceiro homem, era recorrente nas últimas épocas e uma das muitas imagens de marca da equipa.

Uso das “Asas” para criar o caos por dentro 

Independentemente do sistema, os laterais Napolitanos são armas importantes na fase ofensiva. Particularmente ontem, Malcuit e Mário Rui, ocuparam posições adiantadas no terreno, procurando dar largura e esticar a linha defensiva do adversário. Um dos grandes objetivos, inerentes ao posicionamento dos laterais napolitanos, é separar o lateral adversário do respetivo defesa central, o que cria o tal espaço, entre corredores, onde os jogadores da linha ofensiva do Napoli são mais perigosos.

A posição agressiva dos laterais, Malcuit e Mário Rui (ontem), permite ao Napoli estar em posição de pressionar imediatamente o adversário, em zonas próximas da sua baliza, em caso de perder a bola. Algo que é sufocante para o adversário, já que este raramente consegue sair e iniciar o seu processo ofensivo de forma estruturada.

Em cima vemos o mapa de ação dos laterais do Napoli no encontro de ontem. Naturalmente, este comportamento será muito mais conservador frente à Juventus.

Problemas e questões 

Nota-se alguma falta de conexão entre os médios e a linha ofensiva, quando a equipa procura pressionar em zonas mais adiantadas do campo. Parte da equipa (linha ofensiva) avança para pressionar o adversário e outra parte (linha média) recua, o que abre espaço atrás dessa primeira linha de pressão. Também confiam muito na marcação homem a homem, no momento de pressionar, será interessante ver se será a opção de Carlo Ancelotti, para enfrentar a Juventus. Isto porque frente a jogadores como Dybala, extremamente resistentes à pressão, com a capacidade de receber de costas e rodar, pode ser um risco enorme confiar nos duelos individuais.

Caso o Napoli aposte em defender em um bloco médio/baixo, com os centrais da Juventus a ter mais tempo a bola nos pés,  será interessante ver como os Partenopei vão lidar com a qualidade de passe longo de Bonnuci.

Bonnuci a jogar direto para Mandzukic, com a o croata a servir de cabeça Ronaldo? Quem sabe … a verdade é que o camisola 17 hoje nem jogou.

Até Sábado!

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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