Como jogam os adversários nacionais na Europa | Nº4 AEK Atenas

Depois de começar a campanha com uma derrota caseira frente ao Bayern de Munique, o SL Benfica desloca-se até à Grécia para defrontar o AEK. Os encarnados esperam voltar novamente de terras helénicas com um sorriso no rosto e com três pontos na bagagem, depois da vitória frente ao PAOK.

Pela frente têm o campeão grego, uma formação que também começou com o pé esquerdo o seu percurso na competição, depois de perder por 3-0 em Amesterdão. Pior ficou depois da derrota para o campeonato, no último domingo, precisamente em Salonica frente ao PAOK.

Com Marinos Ouzounidis ao comando, depois da saída de Manolo Jimenez que levou o AEK ao primeiro título em 24 anos, tem sido um começo de época algo atribulado. Dessa equipa, também saíram Christodoulopoulos, Vranjes e Sergio Araujo (a estrela da época passada). O melhor jogador (na minha opinião), Marko Livaja, também não vai poder dar o contributo à equipa, já que cumpre o segundo de quatro jogos de suspensão.

É uma equipa com muitas baixas, mas que a jogar em casa, pode complicar a vida ao Benfica.

Formação

Na ausência de Hélder Lopes, Niklas Hult deve assumir a lateral esquerda e Klonaridis será a aposta de Ouzounidis para o lugar de Livaja, junto de Ponce. Rodrigo Galo também pode ser uma opção no meio campo.

Início de construção e Fase Ofensiva

Galanopoulos, na imagem, baixa entre os centrais, garantindo que o AEK tenha superioridade numérica sobre a primeira linha do adversário, aqui com dois homens. O outro médio, Simões, ocupa o espaço atrás dessa primeira linha de pressão.

Os laterais avançam à medida que a bola entra no seu corredor, na mesma linha horizontal do médio que ocupa uma zona mais interior, entre o corredor central e o lateral. Corredor lateral que passa a ser da responsabilidade do lateral.

Se o adversário for rápido e o central acabar por ficar sem opção de progressão, o lateral volta a baixar no corredor para receber. Nesse momento, André Simões aproxima-se para dar linha de passe interior e o médio esquerdo (que anteriormente estava dentro) ocupa a posição onde estava o seu lateral, que baixou para oferecer linha de passe.

O adversário sai na contenção ao lateral, tentando cortar a linha de passe para o homem atrás de si, mas como a distância entre o portador da bola e o possível receptor é grande, o jogador do AEK consegue facilmente receber nas costas da linha média e encarar a linha defensiva. Aí, o médio do lado oposto vem até ao corredor esquerdo para criar superioridade numérica perante a linha defensiva.

Depois, quando o jogador que vem do flanco contrário recebe entre a linha média e a defensiva, de frente para esta última, os dois PL fazem um movimento contrário, mas coordenado.

É também uma equipa onde os laterais participam activamente na fase ofensiva, apoiando o ataque e ocupando uma posição que permite pressionar uma possível perda de bola para manter a equipa no ataque. Os médios centros, que raramente abandonam a posição mais central, garantem a estabilidade e o equilíbrio da equipa com um papel importante na variação do ângulo de ataque. Por exemplo, com o lado esquerdo fechado, a bola vai para Simões que roda no corredor contrário, onde o lateral já está preparado.

Fase Defensiva

Em muitos momentos, a equipa grega apresenta um sistema defensivo demasiado orientado ao homem. Defende com duas linhas de quatro, que me parece ser demasiado larga. Os espaços entre os jogadores da mesma linha horizontal são enormes, o que os deixa muito susceptíveis a movimentos sem bola pelos adversários, que procuram infiltrações.

Na imagem em baixo, noutro período do jogo, as semelhanças são evidentes com a primeira. O espaço entre o lateral direito e o central, em resultado da orientação ao homem do lateral, permite aos médios adversários demasiados movimentos nesse espaço.

Os dois homens mais adiantados do AEK não participam do processo defensivo. Em grande parte, porque os adversários que estão sobre a sua responsabilidade também não avançam para apoiar o ataque.

É um jogo histórico para o AEK. Não só pela ausência prolongada desta competição, mas também por tudo o que o clube passou nos últimos anos. A sua motivação vai estar no ponto mais alto. Os primeiros 15 minutos, como aconteceu frente ao PAOK, vão ser fundamentais, mas o Benfica tem todas as condições para voltar a ser feliz na Grécia.

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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