Nova equipa, mas os velhos “15 minutos à Belenenses” deliciaram o Restelo

A bola voltou a rolar no Restelo com o embate histórico entre o renascido Clube de Futebol os Belenenses e o também recentemente recriado Atlético Clube de Portugal, em jogo de apresentação aos sócios. O grande derby da Lisboa ocidental sorriu à equipa da casa, mas a vitória, apesar de saborosa, foi muito sofrida.

Os muitos sócios do Belenenses e os incansáveis apoiantes do Atlético assistiram a um jogo renhido, nem sempre bem jogado, mas onde não faltaram golos e muita emoção, em especial na segunda parte. A turma da Tapadinha, que milita num escalão acima do Belenenses, mostrou-se mais coesa que a equipa da casa, pressionando alto e obrigando os jogadores azuis a cometer vários erros, impedindo-os de construir jogo no seu meio campo.

Esta pressão foi recompensada aos 25 minutos de jogo quando Edson aproveita uma falha da defesa azul para entrar na área e servir de bandeja Fábio Oliveira, que atira rasteiro, sem hipóteses para Tomás Foles. Grandes festejos para os adeptos que se deslocaram desde Alcântara, balde de água fria para os muitos belenenses que desde antes do apito inicial faziam a festa.

O timoneiro do Restelo não perdeu tempo a fazer a primeira substituição. David Varges, lateral adaptado que não estava a conseguir travar os ataques rápidos do Atlético, deu lugar a Jorginho, e notou-se mais segurança na defesa. Ainda assim, até ao final continuaram a ser os visitantes a dominar, não havendo situações de perigo a assinalar para os da casa. César Rafael, lateral de 22 anos, foi a principal referência da equipa de Alcântara, imperando no momento de defender e criando muito perigo quando subia até ao meio campo adversário. O intervalo chegou com justificada vantagem para o Atlético.

As tardes de futebol voltaram ao Restelo, na apresentação aos sócios do Belenenses.

A segunda parte viu os “carroceiros” a jogar mais no duro, recorrendo muitas vezes à falta para travar o Belenenses, obrigando inclusive um jogador a sair do campo em maca. Mas foi precisamente enquanto este era assistido que os azuis vão chegar ao empate. Canto da direita muito bem batido por Pedro Rosário e cabeceamento certeiro de João Santos, prata da casa, na sua oitava época de cruz ao peito, primeira como sénior. O relógio marcava 10 minutos da segunda parte.

A entrada de Evandro para a lateral e consequente subida no terreno de Rosário deu mais consistência ao processo ofensivo do Belenenses. Evandro confirmou o que já se tinha observado nos treinos e nos jogos de preparação: é um lateral forte a defender e inteligente a atacar. Foi pelo seu lado direito que os azuis foram criando algumas das melhores oportunidades, apesar de ainda se notar uma falta de entendimento entre os jogadores (conhecem-se e treinam juntos há menos de um mês). Muitos passes falhados e dificuldades em avançar no terreno sem recorrer ao chutão para a frente, quer nas laterais, quer no centro do terreno. Quem aproveitou foi o Atlético que, através de um canto algo confuso, voltou à vantagem ao minuto 73′, por Gonçalo Pina. A referida confusão no lance de bola parada ainda motivou os jogadores da casa a protestar com o árbitro. 

Começaram então os emblemáticos “15 minutos à Belenenses”, caraterísticos de outrora. Como antigamente, o público da casa puxou em uníssono pela equipa e esta foi ascendendo no terreno até à reviravolta. Aos 79 minutos, João Trabulo consegue o empate com um golo de levantar o estádio. Pontapé forte do meio da rua, com a bola a embater na barra e a entrar. Um golaço a condizer com a boa exibição do jovem médio. Mas se o golo de Trabulo impressionou pela individualidade, o golo que surgiu oito minutos depois valeu pela boa jogada coletiva que lhe deu origem.

Uma recuperação de bola eficaz de Dinis a meio campo, a deixar para Brazão, que procedeu a um compasso de espera para a desmarcação de Ricardo Viegas. Um passe picado isolou o avançado na grande área e este, tranquilamente, fez a bola passar por debaixo do guarda-redes. Estava consumada a reviravolta, merecida dada a passividade do Atlético depois do seu segundo golo (Afonso, guarda-redes que substituiu Tomás Foles a meio da segunda parte, foi um mero espectador). O jogo terminou então com um 3-2, para êxtase das bancadas.

A julgar pelo que se viu no último quarto de hora, durante o qual esteve em campo o onze com que deverá alinhar sempre de início o Belenenses, os azuis do Restelo não serão obrigados a passar por tanto sofrimento como passaram hoje. Assim que as rotinas e as táticas estiverem afinadas e os jogadores se habituem uns aos outros, está aqui um sério candidato à subida de divisão. O maior problema ao estilo de jogo que Nuno Oliveira tenta aplicar será a agressividade dos adversários das distritais, sendo o Atlético um exemplo disso mesmo. Já programado para este tipo de campeonato, os de Alcântara jogaram duro e, enquanto não se cansaram, não deixaram de pressionar, muitas vezes em falta, o adversário, que bem tentava sair com a bola no chão e passes curtos. A ver vamos se o Belenenses se manterá fiel à sua ideia de jogo positivo ou se terá de adaptar-se ao futebol duro e direto das distritais.

Crónica: Sebastião Barata

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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