Esta Seleção vai lá. Os miúdos foram graúdos e deram conta do recado

Em estreia na Liga das Nações, a seleção portuguesa venceu a Itália por 1-0 e assume-se líder isolado do grupo, onde também está a Polónia.

Uma seleção altamente personalizada, sem Ronaldo, com uma média de idades a rondar os 25 anos, ganhou a uma equipa que, em jogos oficiais, já não batia há 60 anos. É uma Itália diferente, claro. Mas este Portugal também é diferente. E dá gosto de ver.

No jogo que homenageou as 100 internacionalizações de Pepe, Fernando Santos escolheu exatamente o mesmo onze que tinha defrontado a vice-campeã do Mundo. A diferença é que este jogo já era a contar.

A equipa portuguesa entrou bem no jogo. Sempre a assumir as rédeas da partida, com respeito, mas com agressividade. Talvez a Itália estivesse à espera que o respeito fosse maior que a agressividade, mas não. A seleção nacional foi do primeiro ao último minuto, a equipa que mais fez pela vitória. Os italianos lá iam ameaçando, mas não convenceram muito. O fresco sangue lusitano superiorizou-se. Da experiência à irreverência, da técnica à velocidade, esta equipa é uma espécie de versão lite em comparação àquela que irá defender o titulo de campeão europeu em 2020. O talento está lá. Só falta consolidar.

Mas voltando ao jogo. Embora as oportunidades tenham sido escassas na primeira parte, a seleção portuguesa não se fartava de levar a bola para a frente. E Rui Patrício, um dos espectadores com melhor vista para o jogo, lá tinha que aquecer de vez em quando.

Poderíamos ter ido para o intervalo a ganhar, se tivéssemos concretizado a grande penalidade que o árbitro não teve olho suficiente para marcar. Criscito não quis saber da bola e atropelou Pizzi dentro de área. O jogo prosseguiu.

Os cerca de 52 mil espectadores na Luz preparavam-se para ver mais 45 minutos de futebol quando o golo português finalmente chegou. Aos 48′, Bruma consegue recuperar uma bola a meio-campo e só teve de ligar a mota para deixar para trás os oponentes italianos. Meteu-a dentro de área, André Silva pegou na bola e rematou-a para o canto da baliza, sem hipótese para Donnaruma. Fazia-se justiça no marcador.

Mancini ia desesperando no banco, à procura de soluções. Algo que noutros tempos, de certeza que não faltaria a esta Itália.

Dos remates estonteantes de Bernardo Silva, até aos cortes cirúrgicos de Pepe, o jogo ia perdendo intensidade, à medida que caminhava para o fim. Mostramos muita coisa boa, mas também mostramos um grave problema. A finalização não esteve ao mais alto nível e nos momentos em que se precisava da melhor decisão, tal não aconteceu. Certamente, um ponto a melhorar.

Os últimos dez minutos acabaram por ser um pouco escusados. Portugal baixou demasiado o ritmo, o que permitiu à Itália ter o seu melhor momento da partida. A bola andou perto da baliza de Rui Patrício, mas nem deu para provocar calafrios ao povo português presente no Estádio da Luz.

Boa exibição, excelente vitória. Portugal é líder do seu grupo e irá defrontar a Polónia no dia 11 de outubro. Contará com CR7?

Contando ou não, a verdade é que estes miúdos estão a jogar aquilo que foram prometendo estes anos todos. Temos futuro.

Veja aqui o resumo alargado do jogo.

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Atualmente a tirar a licenciatura em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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