Jogo de amigável e resultado de amigável, na estreia de Sérgio e Gedson

Mais do que o resultado, os amigáveis de seleções servem para testar jogadores e dinâmicas diferentes. O teste escolhido pela FPF era de alta dificuldade, frente à seleção croata, a vice-campeã mundial. Mesmo assim, o jogo era a feijões, e os feijões ficaram divididos para cada lado. 1-1 foi o resultado final, com golos de Perisic e Pepe.

Portugal jogou bem de frente para a baliza de Kalinic com um futebol positivo em posse, com Ruben Neves, Pizzi e William Carvalho no meio-campo, um trio que sente-se bem liderar de trás para a frente mas um pouco desarticulado nas transições defensivas. Esse foi o ponto fraco do miolo luso, sendo que o golo croata aconteceu numa transição defensiva forçada por um erro de Rúben Neves, ao perder a bola à frente da área de Rui Patrício. Os avançados croatas não facilitaram e Ivan Perisic desferiu um forte volley que Patrício não segurou, aos 18′, já depois de ter salvo a seleção com bela defesa a remate de Pjaca aos 11 minutos. Neves ameaçou de livre, uma das suas especialidades.

Apesar de enfrentar um meio-campo com Modric e Kovacic, Portugal conseguia ter mais posse, já que estas duas estrelas do meio-campo não encontraram nexo mais à frente, onde estava Livaja. Aos 33′, Pepe comemorou a centésima internacionalização com um golo (de cabeça, claro está). Cruzamento preciso de Pizzi, e o capitão precisou de um desvio ligeiro para bater Lovre Kalinic. Durante todo o jogo, os laterais foram naturalmente dois aventureiros na defensiva croata, dada a grande propensão ofensiva de Cancelo e Mário Rui, que mereciam sair deste jogo com uma assistência para golo. A primeira parte acabou com um remate para as nuvens de André Silva, na sua primeira oportunidade para brilhar.

Bruma vestiu o sete de CR e jogou de início, tal como Rúben Dias, Neves e Pizzi.

A segunda parte foi de amigável. Até aos 77′ não houve oportunidades dignas de golo, salvo o frisson que Portugal causava nas bolas paradas. Em vez disso, as substituições de ambos os lados retiravam ritmo ao encontro disputado no Estádio do Algarve. Numa fase em que a Croácia começava a pegar no jogo com o consentimento do meio-campo português, era nos contra-ataques que a equipa de Fernando Santos criava maior perigo, e exemplo disso foi o cruzamento rasteiro de Mário Rui que, com um desvio de Milic, acabou no poste do impotente Kalinic.

Depois dessa oportunidade a 13 minutos do final, Sérgio Oliveira estreou-se na seleção nacional nove anos depois da sua estreia profissional (em 2009, é o mais jovem de sempre a jogar pelo Porto). Bruno Fernandes, um dos suplentes utilizados, ainda tentou de longe, mas sem a potência desejada. O perdulário André Silva falhou incrivelmente da marca dos onze metros, numa ocasião facílima. Um ponta-de-lança da seleção lusa não deve falhar desta forma.

Renato Sanches teve oportunidade para regressar à seleção, quase um ano depois, e foi muito aplaudido. Já nos descontos, Sérgio Oliveira tentou a cereja no topo do bolo, mas a cereja foi demasiado por cima. Com o jogo morno e sem grande perspetiva de mudanças, o Engenheiro ainda estreou Gedson Fernandes, que chegou aos dezanove anos de idade ao mais alto patamar de seleções nacionais, depois de um longo historial nas seleções jovens. Jogou pouco mais de cinco minutos e ainda lançou um contra-ataque a la Renato Sanches.

Um jogo morno, de amigável, representou o tiro de partida da seleção para a missão Euro 2020, e num curto-prazo e a uma exigência diferente, a missão Liga das Nações. Destaque positivo para Bruma, os laterais e um meio-campo que se não tivesse errado no golo, teria passado com distinção no teste.

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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