José Pedro Jacinto: “A Liga Revelação está a superar todas as expetativas”

Bilhete de Identidade:

Em 2017 começou a treinar a equipa de juniores do Marítimo. Hoje treina a equipa de sub-23 do clube insular.

Nome: José Pedro Araújo Jacinto

Data de Nascimento: 11-06-1976

Nacionalidade: Portuguesa

Naturalidade: Viana do Castelo

Clube atual: CS Maritimo (sub-23)

 


Na rúbrica ENTREVISTAS AMBIDESTRO desta semana, trazemos-lhe uma entrevista com José Pedro Jacinto.

O treinador vianense chegou à Ilha da Madeira em 2005 para ser treinador adjunto na equipa principal do União da Madeira.

Em 2009 tornou-se adjunto de Ivo Vieira nos juniores do Nacional e um ano depois assumiu o cargo de treinador principal. Passou 6 épocas no leme da equipa alvinegra na 1ºdivisão nacional de juniores. Nunca desceu de divisão e conseguiu um 5º lugar em 2010/2011 (ainda hoje a melhor classificação de sempre de uma equipa insular).

Depois de um ano como adjunto na equipa principal do Nacional, abraçou um novo projeto ao assinar pelo Marítimo. Pegou na equipa de juniores e alcançou a subida de divisão, devolvendo os verde rubros à primeira divisão 6 anos depois. Este ano assumiu o comando da equipa de sub-23 do Marítimo e pretende continuar a mostrar a qualidade e capacidade de trabalho que o tem caraterizado ao longo dos anos.


AMBIDESTRO: Tem já um longo percurso na carreira de treinador, primeiro como adjunto, depois como técnico principal. Para quem ainda não o conhece, como se descreve como treinador?

José: Não gosto de me descrever como treinador, pois sou uma pessoa normal e recatada que ama o que faz, vive o jogo e o treino com alta intensidade, procurando o mesmo para os seus jogadores.

 AMBIDESTRO: Iniciou a sua carreira como treinador principal na equipa de juniores do CD Nacional. Quais as suas maiores dificuldades na altura?

Passou 6 anos como treinador principal dos juniores do CD Nacional.

José: Na altura tinha de dar continuidade ao trabalho que Ivo Vieira tinha desenvolvido e a fasquia estava muito alta. Todos sabemos que na altura já era um treinador muito competente e agora todos reconhecem enorme competência, além disso era um homem da casa com um longo percurso no clube. O tempo que trabalhei com ele ajudou no meu crescimento. Também devo a ele a confiança que depositou em mim para avançar com o meu nome para iniciar a época seguinte num projeto onde tudo começava de novo, pois a equipa na sua grande maioria acabava o percurso de Juniores.

AMBIDESTRO: Passou 6 anos a treinar os juniores do CD Nacional. Pela sua mão passaram jogadores como Jota, Camacho, Diogo Coelho e Campos que hoje são elementos preponderantes da equipa principal dos alvinegros. Para si é mais importante formar atletas para o escalão sénior do que ganhar títulos na formação? Se sim, acha que os dirigentes partilham da sua opinião?

José: O grande problema que vemos diariamente no futebol de formação são os encarregados de educação, os clubes e os seus treinadores a falar constantemente em valores, respeito, formação, e essas palavras bonitas todas, mas quando o árbitro apita para iniciar o jogo a historia é outra, e na maioria dos casos o sucesso pessoal e a sede de vencer falam mais alto, remetendo para segundo plano o aproveitamento dos jovens atletas ou proporcionando uma continuidade do percurso de maturação dos mesmos. Mas a maior alegria que tenho quando encontro antigos atletas é o que represento para eles, deixando uma marca significativa no seu percurso de maturação. Carinho e respeito são palavras que imperam nas nossas conversas entre risos e gargalhadas de histórias que os marcaram para sempre.

AMBIDESTRO: Os clubes portugueses têm tendência para contratar alguns jogadores estrangeiros para as suas equipas da formação. Qual o seu ponto de vista sobre esta situação?

José: Como deves imaginar não me devo pronunciar quanto á ideologia dos outros clubes. No entanto, penso que devemos defender até um certo ponto os atletas formados localmente, mas também sei e tenho experiência nesse campo que só uma competitividade grande dentro do clube torna os atletas mais fortes e capazes de enfrentar a adversidade. Se estão em zona de conforto só é prejudicial. Acrescentando que hoje em dia a política dos encarregados de educação para a procura do seu “Cristiano Ronaldo” ainda prejudica mais o processo de formação e crescimento sustentável dos atletas.

AMBIDESTRO: As seleções jovens portuguesas têm obtido, nos últimos tempos, resultados bastante favoráveis nas competições internacionais. As fornadas de jogadores portugueses têm sido cada vez melhores, ou acha que é o processo formativo, em Portugal, que tem melhorado ao longo dos anos?

José: Os clubes cada vez têm investido mais na qualidade das suas formações, podemos constatar no desenvolvimento e apetrechamento dos seus complexos desportivos, procurando que as suas academias consigam passar nas apertadas exigências da Federação Portuguesa de Futebol para a certificação das mesmas. Desta forma os nossos jovens promissores podem treinar com elevados padrões de qualidade. Claro que o nível de exigência dos campeonatos nacionais de Juniores A, B e C também têm ajudado muito no crescimento destes jovens. Fico muito triste da Madeira não poder fazer parte dos campeonatos regulares de Juniores B e C, o que agrava ainda mais a décalage entre os níveis competitivos dos nossos atletas da região. Basta só referir que os nossos atletas começam a treinar no final de agosto ou inicio de setembro terminando no final de maio perfazendo quase 9 meses de treinos e competição. No continente começam a treinar em meados de Julho e terminam em finais de maio ou meados de Junho, perfazendo quase 11 meses de treinos e competição.

AMBIDESTRO: Quais considera ser as maiores dificuldades que um jogador enfrenta na transição de júnior para sénior?

José: Espaço competitivo, porque o resultado está sempre à frente do produto ou a frente do crescimento dos atletas.

AMBIDESTRO: Acha que o campeonato sub-23 ajuda os jogadores nessa tal transição?

José: Neste momento a Liga Revelação está a proporcionar aos atletas um espaço competitivo de excelência com elevado grau de exigência. Para mim está a superar todas as espectativas. Neste momento assistimos a uma promoção de grande escala da FPF para a Liga Revelação. Os atletas agora só têm de aproveitar e dar o seu máximo para agarrar esta oportunidade, onde as regras para a promoção e utilização dos atletas são bem explicitas.

José Pedro Jacinto comanda os sub-23 do Marítimo no novo projeto do futebol português.

AMBIDESTRO: Assumiu o comando da equipa do Marítimo nesta nova competição, denominada de Liga Revelação, que possui equipas de sub-23 de 14 clubes. No início do campeonato, quais os objetivos que foram estipulados por si para a sua equipa?

José: O maior objetivo traçado é proporcionar aos nossos atletas o maior número de ferramentas possíveis para a sua promoção na equipa principal do CS Marítimo.

 AMBIDESTRO: E quais os seus objetivos a médio prazo como treinador? Planeia chegar em breve a uma equipa sénior ou acha que ainda tem um caminho a percorrer para atingir esse nível?

José: Apenas pretendo poder dar continuidade ao meu trabalho de uma forma pautada e sustentada, ajudando também a contribuir para o crescimento dos atletas.

AMBIDESTRO: Qual considera ser a sua “cadeira de sonho”? Algum clube ou campeonato onde sempre sonhou em treinar?

José: Espero que o campeonato corra bem e que eu possa sentar-me na minha cadeira de sonho (sofá de casa) e poder usufruir dos meus momentos de lazer com a minha família.

AMBIDESTRO: Se tivesse de dar um conselho àqueles que ambicionam um dia ser treinadores, o que diria?

José: Nesta profissão não vale tudo, os valores devem imperar.

 


Fora das quatro linhas:

Prato favorito: Cozido à portuguesa 

Música favorita: Todas dos U2

Filmes favoritos: Gladiador

Tempos livres: Andar de barco

Ídolo de infância: Figo

Melhor treinador da atualidade: Klopp

Melhor equipa que viu jogar: Porto de Co Adriaanse 05/06

 


 

Em meu nome e em nome da equipa AMBIDESTRO, agradeço a tua amabilidade e disponibilidade para esta entrevista, e desejo-te as maiores felicidades profissionais e pessoais.

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Daniel Sousa

Nascido e criado na Ilha da Madeira e neste momento a estudar Ciências da Comunicação na FCSH. Com um gosto enorme pelo futebol e pela escrita, está sempre aberto a novos desafios.

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