José Ferreira: um talento nacional à conquista do futebol inglês

José Ferreira: um talento nacional à conquista do futebol inglês

 

BILHETE DE IDENTIDADE

Nome: José Maria Coelho da Silva Ferreira

Data de nascimento: 24/08/1998

Nacionalidade: Portuguesa

Peso:  72kg

Altura: 1,75m

Posição:  Lateral Direito/Esquerdo

Número: Depende do 11 inicial. Normalmente 2, 3 ou 5.

Por vezes acostumados a contar histórias feitas, o AMBIDESTRO traz-lhe desta vez uma história por escrever.

É um caso entre muitos. José Ferreira foi à procura do sonho, o tal que muitas vezes não mora em território nacional. Teve conhecimento do programa de formação do Liverpool FC e lá foi ele, “tomar a melhor decisão da sua vida”.

À cerca de dois anos em terras de Sua Majestade, José aproveita para tirar a licenciatura enquanto faz aquilo que mais ama.  Depois da passagem pelo Bootle, onde ganhou experiência no futebol inglês, aproveitou a oportunidade de assinar pelo AFC Liverpool, equipa do sétimo escalão do futebol inglês. Teve propostas para ir jogar noutros clubes europeus, mas completar os estudos era a sua prioridade e a ideia de ficar por Liverpool parecia ser a melhor. Para além disso, o AFC também tem direito a jogar a F.A. Cup, um excelente palco do futebol britânico.

Leia a entrevista feita a um dos muitos jovens portugueses espalhados pelo mundo, todos eles com um único sonho comum: jogar futebol ao mais alto nível. Ambição não falta a José Ferreira.

AMBIDESTRO: Fala-nos um pouco sobre ti enquanto jogador. Qual é o teu maior ponto forte?

O programa do Liverpool foi dado a conhecer por um amigo. José não hesitou em tentar.

José: Suportado pelos comentários de todos os técnicos que me têm acompanhado na minha carreira, os meus pontos mais fortes são genericamente em termos físicos, destacando-me pela minha velocidade e resistência, acompanhados por uma técnica bastante adequada à posição. Sempre gostei de dar tudo em todos os jogos, “deixar tudo em campo”. Portanto, a minha atitude e determinação são outros pontos fortes. Sempre achei que a mentalidade de um jogador é um atributo extremamente importante e que pode compensar a falta de alguns outros atributos.

AMBIDESTRO: O que é que achas que precisas de melhorar?

José: Ainda tenho muito a melhorar! Tenho trabalhado mais a minha técnica. Acho que o meu drible precisa de muito trabalho e sempre foi o atributo que precisou de atenção extra. Adorava conseguir fazer aquelas corridas de outro mundo. Sempre usei mais a minha velocidade, mas não quero ser um jogador que seja só rápido. Quero melhorar em tudo para ser um jogador mais completo. A velocidade não dura para sempre.

AMBIDESTRO: Em termos de formação, passaste pelo Sporting, pelo Carcavelos, Porto Salvo e ainda pelo Football By Carlos Queiroz. Qual foi o papel de cada clube no teu crescimento?

Foi em Carcavelos que o jovem português passou grande parte da sua formação.

José: A minha formação começou ainda antes, com o mister Ricardo Monsanto no Football Fanatics. Nessa altura era ponta de lança, ainda a aprender os básicos do futebol. Após uma paragem de 2 anos regressei. A minha passagem pela academia do Sporting foi extremamente breve e nem conto como parte da minha formação de todo. Depois de uma nova paragem voltei, sendo treinado no Football by Carlos Queiroz. Os treinadores lá foram enormes. O mister Jorge Cordeiro apostou muito em mim, e com ele tive a minha primeira experiência como lateral (contra a minha vontade, mas correu bem). Nesse clube, fui treinado pelo mister que mais me marcou: o mister Rui Gonçalves. O Carcavelos também foi importantíssimo para mim. Após quatro anos aprendi imenso e ganhei uma ideia do que era o futebol português. Foi lá que passei grande parte da minha formação. Já o Porto Salvo foi uma passagem breve de um ano, mas uma experiência fantástica. Cheguei até a envergar a braçadeira de capitão em alguns jogos, mas já tinha a ideia de sair do país.  

AMBIDESTRO: Destacaste bastante o mister Rui Gonçalves.

José: Nunca o esquecerei. Foi importantíssimo para mim e ensinou-me quase tudo o que sei hoje. Levou-me com 14 anos num plantel com media de 17/18 anos a um torneio em Londres onde ficámos em terceiro. Mais tarde com 16 e 17 anos ganhamos o mesmo torneio internacional em Barcelona e em Londres. Graças ao mister Rui, saí de Portugal com mais confiança e com memórias inesquecíveis.

AMBIDESTRO: Como é que surgiu a oportunidade de ir para Inglaterra?

José: A oportunidade surgiu através de um programa ligado ao Liverpool chamado Liverpool Football Club Foundation College. É gerido por treinadores da academia do Liverpool, juntando o futebol aos estudos para jogadores que queiram ser profissionais, mas que ainda não tenham contrato. Enviei o meu currículo e alguns vídeos e depois de me terem dado uma oportunidade, algo que nunca pensei que fosse acontecer, aproveitei. Foi a melhor decisão que fiz até hoje.

AMBIDESTRO: Eras menor de idade quando fizeste essa mudança. Quais foram as maiores dificuldades?

José: Cheguei a Liverpool já com alguma maturidade e estava mentalmente preparado para a mudança. Parte de mim sempre soube que teria de sair se quisesse jogar. As maiores dificuldades foram mais ao início em termos de certas tarefas domésticas, mas adaptei-me rapidamente.

AMBIDESTRO: Foi uma mudança feita sozinho ou foste acompanhado por alguém?

José: Tive muito apoio dos meus pais e ainda hoje tenho embora estejamos em países diferentes. Vieram comigo nos primeiros dias e depois regressaram a Portugal, mas sou acompanhado por eles regularmente se precisar de alguma coisa. O staff do programa também me deu imenso apoio. Principalmente um senhor chamado David James que me ajudou a manter no caminho certo sem distrações, e que me apoiou incondicionalmente enquanto estive no programa. Também tinha dois adultos em casa em Liverpool que facilitou imenso. Aluguei um quarto a um casal espetacular com quem hoje ainda me encontro. O Ian e a Ann foram como pais emprestados. Foram muito importantes para mim nesse ano antes de viver sozinho.

AMBIDESTRO: Jogar no estrangeiro sempre foi algo que ambicionaste?

O futebol universitário nos EUA chegou a ser hipótese. O lateral continua a preferir a dureza dos ingleses.

José: Sempre sonhei com isso! Claro que noutras condições. A um nível muito superior. Sempre quis jogar na Premier League. O ano que passei no programa em Liverpool só me aumentou esse sonho. Foi como um cheirinho do que poderia ser, pois joguei contra equipas como o Crystal Palace, Tottenham, QPR e Bournemouth. Posso dizer que fiquei a querer ainda mais a verdadeira experiência. 

AMBIDESTRO: Gostavas de regressar a Portugal ou achas que o teu caminho tem de ser feito no estrangeiro?

José: Se a oportunidade aparecesse quando acabar a licenciatura, não hesitava. Adorava poder jogar na Liga Portuguesa. Sinto falta da minha família também e gostava de poder voltar a jogar onde os meus pais me pudessem ver todas as semanas. Sinto imensa falta do apoio do meu pai em campo.

AMBIDESTRO: Sentiste que não haviam oportunidades suficientes em Portugal?

 José: Senti muito a falta de oportunidade. Várias foram as vezes que tentei treinar num clube do CNS, mas ninguém queria arriscar um miúdo de 16 anos na equipa principal. Em Inglaterra, muitas vezes aparecem jogadores com 16 anos ou mais, só com as chuteiras a quererem treinar, e grande parte das vezes os clubes deixam. Nunca se sabe quando pode aparecer a próxima revelação. Foi assim que não se perderam jogadores como o Jamie Vardy.

AMBIDESTRO: Achas que o futebol nacional deveria esforçar-se mais para manter os talentos que produz?

O Sporting é o seu grande amor. Não perde um jogo sempre que vem a Portugal.

José: Os clubes em Portugal apostam muito em jogadores estrangeiros. Penso que se perdem alguns dos jovens talentos para outros países. Tenho amigos portugueses a jogar em clubes da minha liga que as pessoas veem jogar e ninguém percebe porque não estão num nível superior. As equipas portuguesas têm de procurar mais nos clubes locais e darem mais oportunidades. Os clubes em Inglaterra são muito abertos a jogadores que simplesmente enviam o currículo para o clube. Sinto que o futebol em Portugal é bastante à base de contactos. Penso que o conceito de juntar os estudos ao futebol, que se vê nos clubes da Premier League a fazer em “planteis de segunda oportunidade”, é um conceito fantástico. Acho que seria importante os clubes portugueses desenvolverem um conceito similar. 

AMBIDESTRO: Quais as grandes diferenças que notaste entre o futebol que jogavas em Portugal e o futebol que jogas em Inglaterra?

José: Notei logo a diferença. Os jogadores em Portugal são muito mais técnicos, as equipas parecem-me mais organizadas e baseiam-se mais em posse de bola. O futebol que jogo em Inglaterra é muito mais físico. Veem-se entradas a pés juntos a serem aplaudidas, muito mais corpo a corpo e velocidade. Um jogador com atitude e rápido tem mais oportunidades em Inglaterra do que em Portugal. Como o mau tempo em Inglaterra é comum, poucos campos aguentam e por isso o estilo tem de ser diferente. Neste tipo de escalões, o futebol português é um futebol muito mais bonito de se ver.

AMBIDESTRO: Com tanto para crescer e aprender, quais são as tuas grandes ambições para o futuro?

Segue-se mais uma época a representar o AFC Liverpool.

José: Claro que sonho jogar futebol profissional. Sinto que tenho a capacidade de o fazer, mas lá está, tive falta de oportunidades em Portugal. Assim que acabar a licenciatura, na Liverpool John Moore’s University, vou apostar no futebol a tempo inteiro porque sinto que sou capaz de o fazer. Ambiciono com a possibilidade de jogar na Premier League e adorava poder passar pela Liga Portuguesa. Treino todos os dias sozinho e jogo pelo clube duas vezes por semana. Prestes a fazer 20, sou dos mais novos do AFC. Ainda tenho tempo e não quero desistir.  

AMBIDESTRO: E daqui a 10 anos? Onde esperas estar?

José: Espero estar a jogar na Premier League ou noutra Liga com elevada competitividade. Neste momento não pode ser mais do que um sonho, mas vou trabalhar nesse sentido. Tenho o apoio para o fazer. Eu só quero ter essa oportunidade e fazer o que eu mais amo na vida.

FORA DAS QUATRO LINHAS

Prato favorito: Sushi.

Música favorita: Kendrick Lamar, The Killers…

Filmes favoritos: De ação ou da Marvel, Missão Impossível, Die Hard, Deadpool… 

“Inglaterra é um país lindo.”

Tempos livres: Videojogos, por vezes participo em torneios de FIFA; passear por Liverpool ou outras cidades de Inglaterra. 

Ídolo de infância: O de sempre é o meu Pai. Em termos futebolísticos, Cafu e Roberto Carlos.

Treinador mais marcante: Como mencionei, Mister Rui Gonçalves.

Melhor jogador da atualidade: Cristiano Ronaldo, de outro mundo.

Melhor equipa que viste jogar: Real Madrid, na final da Liga dos Campões de Lisboa. Equipa mais completa que já vi.

Em meu nome e em nome da equipa AMBIDESTRO, agradeço a tua amabilidade e disponibilidade para esta entrevista, e desejo-te as maiores felicidades profissionais e pessoais.

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Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Atualmente a tirar a licenciatura em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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