O nome não chega, é preciso ter talento. E a Justin Kluivert talento não falta

Filho de Patrick Kluivert, um mítico do futebol holandês moderno, Justin apresenta características diferentes daquelas que o seu pai detinha. Era um matador de área, típico nove que aliava capacidades técnicas com um bom físico (1,88m), despontando no Ajax em meados da década de 90. Até aos 21 anos de idade, marcou 39 golos na Holanda para em seguida emigrar para Milão. Uma passagem de uma época no poderoso AC Milan precedeu a sua estadia mais longa e marcante- no Barcelona, entre 1998-2004. O próprio avô de Justin era avançado: o já falecido Kenneth Kluivert foi uma estrela do futebol surinamês nos anos 60, e a lenda maior do Robinhood, clube de Paramaribo.

Efemérides familiares à parte, vamos ao que (ou a quem) interessa. Justin, extremo e mais franzino que o pai, deu as primeiras pisadas no Ajax (tal como Patrick) desde 2007, quando tinha oito anos de idade. A estreia pela equipa sénior deu-se em janeiro de 2017, numa vitória por 3-1 em casa do Zwolle. O primeiro golo chegou dois meses depois, em março, quando deu o empate face ao Excelsior. Curiosamente, marcou 10 anos e um dia depois do último golo do pai. Antes disso tinha participado no Euro sub-17 de 2016, ganho na altura pela seleção portuguesa.

A época 2016/17 marcou o salto para equipa principal, ainda que raramente fizesse os noventa minutos. Não ganhou a liga holandesa, mas fez parte daquela equipa que foi vencida por José Mourinho na final da Liga Europa, com direito a uma pequena conversa com o técnico português. A nível individual ganhou o título de melhor jogador jovem da Eridivisie nesse ano.

A preponderância real de Justin no Ajax começou com a época 2017/18, e não fez por menos por essa aposta. Abriu o registo de golos ao marcar um hat-trick contra o Roda JC e saltou para a ribalta, ainda por cima com três golos de belo efeito. Foi o primeiro de onze golos em 36 jogos pelo Ajax de Keizer e posteriormente Ten Hag, numa época em que uma distância de quatro pontos para o PSV fê-los segundo classificados da Eridivisie.

 

Depois de um ano e meio na equipa principal, e onze anos de ligação ao Ajax, em 12 de junho deste ano foi anunciado como reforço da AS Roma, por 17,25M€. Os rumores tinham-no como certo no United de Mourinho, pelo interesse expresso do treinador e pelo contacto que este tivera no final da Liga Europa. Contudo, o pai da jovem promessa explicou que a Roma era melhor opção. “A Roma não tem que ganhar a todo o custo e é um clube que está acostumado a jogar bom futebol . É o sítio ideal para o Justin agora“, disse à Gazzetta dello Sport, acrescentando que o extremo tem ainda “andar quilómetros” até chegar ao nível que o pai chegou.

O jovem Justin continua a caminhada, e a passo certo. Na estreia por terrenos italianos jogou 20 minutos contra o Torino e assistiu um dos melhores golos do início da época. Pegou na bola pela direita e cruzou com boa conta para o pé esquerdo de Dzeko, que não deixou a bola cair no chão antes de ser golo, aos 89′.

Joga pela esquerda ou pela direita, sempre com a mesma acutilância, mas o seu preciso remate é favorecido quando parte da esquerda para o meio. É rapidíssimo e tem uma técnica que faz lembrar Cristiano Ronaldo no início de carreira, com um diferença importante do português no que toca a trabalho de equipa: Kluivert nunca desiste de um lance e é muito clarividente com bola. Os seus parcos 172 cm são, no entanto, um entrave face a defesas mais musculadas, mas nada melhor que a competição italiana para desenvolver e contornar esse aspeto do jogo.

Por enquanto, Justin é conhecido como filho de Patrick Kluivert. Talvez no futuro seja Patrick a ser conhecido “apenas” como pai de Justin Kluivert. 

 

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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