Lisandro López, o matador argentino que deixou saudades no Dragão

No Verão de 2005, aterrava no Porto um argentino de seu nome Lisandro López. Chegava ao “Reino do Dragão”, oriundo do Racing Club, com somente 22 anos e por uma quantia a rondar os 2.3M€, uma pechincha para o que viria a ajudar o clube a alcançar, assumindo-se como a figura do ataque portista. Na bagagem para Portugal trazia 18 golos apontados ao serviço do clube argentino.

Lisandro começou a dar nas vistas no Racing Club, da Argentina, de onde se transferiu para o Dragão

Aquando da sua chegada, o FC Porto encontrava-se na ressaca de uma temporada frustrante, a de 2004/05. O clube vivera uma dança de cadeiras, com três treinadores numa temporada (um deles nem comandou oficialmente a equipa), e juntara somente a Supertaça Cândido de Oliveira ao seu palmarés.

O argentino foi, desde logo, aposta do então novo treinador, o holandês Co Adriaanse, e contribuiu para a dobradinha do conjunto azul e branco que se sagraram campeões nacionais e levantaram a Taça de Portugal.

Lisandro com Lucho González, também ele reforço na altura, a celebrar o título nacional na época de estreia

O campeonato viria a representar apenas o primeiro de quatro que viria a adicionar ao seu palmarés. Quatro anos de dragão ao peito, quatro títulos de campeão para o argentino. Co Adriaanse começou o que Jesualdo viria a dar continuidade e o FC Porto sagrou-se tetracampeão e, independemente da troca de treinadores, algo não se alteraria: o papel de Lisandro López na equipa.

Lisandro viria a atingir a sua melhor marca, pelo emblema do Dragão, na temporada de 2007/08 com 24 tentos em 27 jogos, número que lhe garantiu o prémio de melhor marcador do campeonato com 14 golos de distância para o segundo melhor marcador da época, o reconhecido avançado paraguaio, Óscar Cardozo.

Tal poder de fogo e instinto matador, na temporada 2007/08, valeu-lhe o prémio de futebolista do ano 2008 em Portugal

Lisandro sagrou-se o melhor marcador da Liga 2007/08 com 24 tentos em 27 jogos

Na temporada seguinte, apesar de não ter tido o mesmo poder de fogo no campeonato (10 tentos em comparação aos 24 marcados na anterior), revelou-se instrumental na conquista da Taça de Portugal 2008/09 ao apontar o tento solitário ante do Paços de Ferreira.

A época de 2008/09 revelou ser a sua época de despedida dos relvados portugueses, levando o tetracampeonato no seu palmarés bem como duas Taças de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira. Ao serviço do Porto, para o campeonato, contabilizou 49 golos e 16 assistências em 106 jogos realizados.

(Re)veja alguns dos momentos de Lisandro de Dragão ao peito, no vídeo abaixo:

Após passagem pelo Reino do Dragão, seguiu-se uma transferência a rondar os 24M para o Olympique Lyonnais (vulgo Lyon), no Verão de 2009. Com 26 anos, e no auge da sua carreira, o avançado chegou ao clube francês para colmatar a saída de Karim Benzema para o Real Madrid, e assumiu-se com a figura do ataque.

Em França, não conseguiu ajudar o Lyon a recuperar o título francês, após quebrada a hegemonia da formação (o Lyon sagrara-se heptacampeão) pelo Bordéus. A melhor classificação viria a acontecer na sua época de estreia: um 2º lugar, atrás do Marselha.

No entanto, o argentino iria a ter um papel importante no único título conquistado ao serviço dos Gones ao apontar o único tento da final da Taça Francesa em 2012, tal como havia feito pelo Porto em 2008, ante do modesto US Quevilly.

Ao serviço do Lyon, onde permaneceu quatro temporadas, Lisandro assinou 59 golos em 119 jogos. O avançado alcançou sempre a marca mínima dos 10 golos por época durante o período que representou os Gones: 15 na primeira temporada, 17 na segunda, 16 na terceira e 11 na quarta.

De salientar que, em França, seria reconhecido como o melhor jogador  em 2010 e viria a figurar no 11 ideal da Ligue 1 da temporada 2009/10.

Viria a partir para o Al-Gharafa, emblema do Qatar, por uma módica quantia de 7,2M. O argentino, então com 30 anos, teve direito a uma emocionada despedida no relvado do Estádio Gerland, como pode assistir no vídeo.

Numa fase mais descendente da sua carreira, a aventura por terras Qataris viria a durar de Agosto de 2013 até Fevereiro de 2015. Na Liga do Qatar, pelo Al-Gharafa, apontou 13 golos em 40 jogos.

Seguiria-se o Internacional de Porto Alegre, clube pelo qual assinou a custo zero, em Fevereiro de 2015. No Brasil, o jogador, apontaria somente 4 golos e efetuaria 3 assistências (a contar para o campeonato brasileiro) e a sua passagem acabaria por ser de relativa pouca duração.

A passagem pelo Internacional de Porto-Alegre mostrou-se ser muito breve

Em Janeiro de 2016, Lisandro “Licha” López, abandonou o Brasil e regressou ao seu clube de formação, o Racing Club. Desde então, é o emblema que representa e do qual é capitão de equipa com o número 15 nas costas.

Lisandro num jogo da Copa Libertadores ao serviço do Racing, após o seu regresso, envergando a braçadeira de capitão

Em Abril do presente ano 2018, voltou a ser falado em Portugal por um motivo caricato: falhou duas grandes penalidades e só marcou à terceira! A partida em questão foi a contar para a Taça Libertadores ante a formação brasileira do Vasco da Gama.

Desde que regressou ao emblema de Avellaneda, Lisandro López, apontou 18 golos em 51 jogos e continua a assumir-se como uma referência no ataque, apesar dos seus 35 anos.

 

André Fernandes

Licenciado em Ciências da Comunicação pela FCSH/NOVA. Madeirense, adepto de futebol e da escrita, marcar golos na vida e chegar o mais longe possível é um dos meus objetivos.

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