O valor dos clubes portugueses: Os pequenos num mundo de três grandes

Como já é habitual, os três grandes partem com grande favoritismo para a disputa do título, mas de que maneira é que este favoritismo se traduz no valor de mercado dos seus plantéis? Estarão os três grandes mais valiosos ou existem diferenças consideráveis face à época transata?

Os grandes e os “pequenos”

O mercado de transferências tem estado caótico, com mexidas significativas nos plantéis dos clubes da liga NOS. Para a nova época, o valor de mercado total dos jogadores que integram todas as equipas do principal campeonato português ronda os 905M€.

O FC Porto lidera a tabela, com o seu plantel avaliado em cerca de 236 M€, seguido do SL Benfica (232M€) e Sporting CP (151 M€). Estabelecendo um ponto de comparação, constata-se que os três grandes superam em mais do dobro o valor dos restantes clubes que integram a tabela da Liga para a presente época, cuja soma dos valores dos plantéis contabiliza aproximadamente os 300 M€. Significa portanto que apenas os três maiores clubes do futebol português detém a hegemonia do mercado, com cerca de 68% do valor total do mercado total da liga NOS.

O que mais salta à vista é a discrepância entre o valor dos clubes com valores de plantel mais reduzidos e os três grandes, o que revela a sua menor capacidade de investimento. Cerca de 80 % dos clubes portugueses possuem um plantel cujo valor não ultrapassa os 30 milhões, sendo que o clube com o valor mais baixo de plantel é o CD Nacional, recém-promovido, cuja valorização é aproximadamente 8 M€, ou seja apenas 0,91% do total da liga NOS que é composta por 18 equipas. Em lugar de destaque aparece o SC Braga, que tem vindo a ter plantéis cada vez mais valiosos e cujo valor de mercado da equipa para esta época ultrapassa os 71 M€ reforçando o seu estatuto de “4º grande do futebol português”.

Importa também salientar que no top dez dos jogadores mais valorizados o domínio, claro está, é dos três maiores do futebol português, o top conta com dois jogadores do Sporting CP, quatro do SL Benfica e quatro do FC Porto, sendo que o jogador mais valioso da Liga NOS é, neste momento, Bruno Fernandes. O médio que integra os quadros do Sporting CP conta com uma cotação de mercado de cerca de 30 M€ e com uma valorização de 361,5% face ao valor de mercado registado há um ano. Outro facto interessante é que, neste top dez, o jogador que mais de valorizou foi Rúben Dias, jogador da formação do SL Benfica, cujo valor de mercado teve uma variação de 2650%, estando o seu passe cotado atualmente nos 22 M€.

O ponto da situação

Se o mercado fechasse neste momento, o saldo financeiro, em termos brutos, seria positivo com ganhos que ascendem a 190 M€ e gastos de cerca de 65 M€ por parte dos clubes que compõem a primeira liga. Contas feitas, até então saldo de transferências dos clubes portugueses é positivo em 125 M€. Saíram até agora mais de 285 jogadores, contabilizando-se também até ao momento mais de 345 entradas. Mas quem é que ficou a ganhar?

Analisando apenas os 3 grandes, em termos brutos, o clube que mais decaiu em valor de plantel face á época transata foi o Sporting CP, sendo que na época 2017/2018 o plantel dos Leões valia cerca de 196 M€, uma taxa de variação negativa de -29,8%.

No que diz respeito às saídas salientam-se  alguns dos seus principais jogadores, em particular Gelson Martins, que saiu para o Atlético Madrid a custo zero, Rui Patrício, que também saiu a custo zero para o Wolverhampton, Piccini que rendeu 8 M€ para o Valência CF e William Carvalho que foi transferido para o Bétis tendo rendido 20 M€ aos cofres do Sporting. Nas entradas destacam-se Raphinha (6,5 M€) , Bruno Gaspar (4,5 M€) e Emiliano Viviano (2 M€) transferidos do Vitória SC, da Fiorentina e da UC sampdoria, respetivamente.

Já quanto á maior valorização do plantel, em termos brutos, aquele que mais cresceu foi o SL Benfica, que na passada época tinha o seu plantel cotado em 164 M€, uma variação positiva de aproximadamente 41,5%.

Sublinham-se as saídas de João Carvalho, que saiu para o Nottingham Forest tendo rendido 15 M€, e Bryan Cristante que rendeu 5 M€, tendo sido transferido para o Atalanta. No que diz respeito às entradas destacam-se três nomes: Nicolás Castillo do UNAM Pumas por 6,85 M€, Germán Conti proveniente do Cólon, pelo qual o Benfica pagou 3,5 M€ e Odysseas Vlachodimos do Panathinaikos que custou 2,43 M€ aos cofres encarnados.

Pela positiva destaca-se também o FC Porto. O plantel dos dragões valia na época 2017/2018 cerca de 183 M€, o que significa  que existiu uma variação positiva a rondar os 28 pontos percentuais.  Ressalvam-se as saídas de Ricardo Pereira para o Leicester City por 25 M€ e Diogo Dalot que rendeu 22 M€ tendo saído para o Manchester United. Nas entradas frisam-se Chancel Mbemba (8 M€) do Newcastle, João Pedro (4 M€) proveniente do Palmeiras e Éder Miltão (4 M€) do São Paulo.

Tiago Domingos

Lourinhanense de gema, estuda gestão no ISCTE-IUL. Tem como hobbie a escrita e como paixão o futebol!

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