Benfica mandou mas leva um curto 1-0 para a Turquia

Um golo solitário de Cervi aos 69 minutos desembaraçou o nó defensivo que Cocu atou na Luz. A exibição dos encarnados melhorou com o tempo e o também com o impacto de Castillo, mas pode culpar-se por não segurar a eliminatória com o Fenerbahçe.

Este jogo é daqueles que pode ser contado de uma maneira pelas estatísticas, e de outra pelo placar. 17 remates do Benfica contra três dos turcos, e 60% contra 40% de posse bola. Mas a verdade é que a equipa de Rui Vitória, que alinhou com Ferreyra e Gedson de início, teve severas dificuldades em incomodar Volkan Demirel especialmente na primeira parte. Philip Cocu orientou a sua equipa de forma a evitar a derrota e levar a decisão para o hostil terreno turco, pois a tónica foi não deixar o Benfica penetrar na grande área e perder tempo desde cedo para desestabilizar o adversário.

E na primeira parte foi mesmo muito difícil para encontrar espaços perto da área do Fenerbahçe, pois hesitava-se em cruzar, Ferreyra foi bem tapado por Skrtel e Neudstader (dois dos melhores em campo) e só Salvio e Pizzi arriscaram de fora da área. Os portugueses atuaram melhor do lado esquerdo do terreno devido ao excelente entendimento de Grimaldo e Cervi, duas ou três aberturas de Gedson também, e foi daí que veio uma oportunidade para Rúben Dias que foi anulada a tempo por Skrtel, e momentos depois o eslovaco cortou de novo antes que Salvio encostasse para a baliza aberta. A fechar a primeira parte, Ferreyra teve oportunidade para justificar a aposta do treinador mas rematou fraco para as mãos de Demirel.

A segunda parte foi diferente, com um ascendente muito maior para o emblema luso. O vice-campeão turco baixou as linhas e esteve quinze minutos praticamente sem pisar o meio-campo defensivo dos caseiros. A percentagem de posse de bola disparava, mas os jogadores não, à exceção de Salvio a uns bons 25 metros da baliza. Ferreyra estava escondido mas o meio-campo também não parecia ter confiança em jogar nele, e Rui Vitória mexeu no jogo. Pôs a capacidade física e o apoio frontal de Castillo, que ia desbravando terreno mal entrou. O chileno tentou por três vezes o golo neste jogo e arrancou aplausos aos 57.000 espetadores. O golo chegou aos 69 minutos quando um cruzamento de Salvio foi duma ponta à outra da área e encontrou Cervi, que pode atirar para contar, com alguma ajuda das mãos moles de Demirel. A seguir foi um carrossel de oportunidades de Castillo, André Almeida, cruzamentos de Zivkovic. O Fenerbahçe ainda assustou com um remate forte mas longínquo, já nos descontos.

Rui Vitória justificou no final do jogo que “não existem jogos perfeitos em agosto”, e apesar disso ser verdade, aplica-se tanto ao Benfica como ao Fenerbahçe. No entanto, foi uma boa maneira de começar a época e avaliar o adversário para o difícil encontro da segunda mão, difícil e caro- perder a eliminatória é perder 43 milhões de euros. Gedson é aposta ganha e Castillo mostrou que é útil. Vlachodimos não teve trabalho. Falta Ferreyra entrosar-se melhor com os colegas.

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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