A qualificação não chegou para o susto

A seleção portuguesa empatou a uma bola no último jogo da fase de grupos frente ao Irão de Carlos Queiroz, ficando em segundo do grupo B. Com uma trivela espetacular de Quaresma, Portugal partiu para o intervalo como líder do grupo, mas o Irão chegou ao empate nos descontos da segunda parte através duma grande penalidade.

Fernando Santos acabou a partida agradecendo a Deus por se ter qualificado para os oitavos de final, mas os deuses deram com uma mão e tiraram com outra. Dá a sensação que só por influência de um ser superior é que o golo de Quaresma entrou na baliza de Beiranvand. À beira do intervalo, Ricardo Quaresma triangulou com Adrien e desferiu uma trivela de fora da área que encontrou o sítio certo para contar. Mas outro ser superior, terráqueo mas com feitos divinos, hoje não esteve nos seus dias de goleador. Falo de Cristiano Ronaldo, que ganhou uma grande penalidade e teve oportunidade de a converter em golo na segunda parte mas perdeu o duelo com Beiranvand.

Mas nem só de parábolas religiosas se fez o jogo, fez-se de sofrimento para ambos os lados pois tanto um como outro jogavam a qualificação para a próxima fase. Do lado português houve três alterações face ao jogo contra Marrocos, neste caso Quaresma por Bernardo, Adrien por Moutinho, e André Silva por Guedes e os três com nota positiva. Portugal entrou bem no jogo, assumindo-o em posse, com um Irão um pouco menos pressionante e um pouco mais nervoso do que se previa, pertencendo Ronaldo e João Mário as duas primeiras oportunidades (falhadas) de golo. Os iranianos tinham por norma matreirice nos contra-ataques e bolas paradas, obrigando Rui Patrício a algum trabalho. Ao cair do pano, aos 43′, Quaresma sacaria um coelho da cartola no seu primeiro jogo a titular num Mundial, aos 34 anos de idade. Grande momento em Saransk.

O golo que nos pôs do lado do Uruguai, Brasil, Alemanha ou França no caminho até Moscovo…

O duelo era retomado depois duma primeira parte em que os portugueses tiveram 71% da posse da bola, números invulgares para a nossa seleção. Portugal entrou forte e ganhou logo aos 51 minutos uma oportunidade para “matar” o jogo, com uma grande penalidade a favor de… Ronaldo. Mas a seu desfavor teve o astúcia do guarda-redes iraniano, talvez avisado por Queiroz, em adivinhar o lado do penalti. Foi o primeiro momento em que Enrique Caceres pediu ajuda ao VAR, que teve muito trabalho neste jogo. Os iranianos frustraram-se, os portugueses também quase por inerência, e o jogo partiu-se e ficou algo quezilento, com Azmoun a cavar várias vezes a grande penalidade. Ronaldo tentou de longe, Fernando Santos pôs Bernardo para reter a bola, Queiroz fez entrar os atacantes Ansarifard e Goodhos. Este último dispôs de uma boa oportunidade à entrada da área aos 70 minutos, assustando com um remate a rasar o poste.

O cansaço físico e mental dos portugueses ia crescendo, e os iranianos aproximavam-se do empate. O árbitro ainda recorreu ao VAR para decidir a expulsão de Cristiano Ronaldo por uma ligeira cotovelada num adversário, mas decidiu não banir o astro do jogo. Mas já para além dos 90′, o árbitro recorreu mais uma vez ao vídeo-arbitro quando a nossa seleção se encontrava em primeiro lugar do grupo e com a Rússia pela frente. Desta vez deu razão aos pedidos do Irão e marcou uma grande penalidade duvidosa, depois da bola tocar na mão de Cedric. A onze metros da baliza de Rui Patrício, Ansarifard não falhou e relegou Portugal a segundo do grupo, isto porque Espanha havia empatado segundos antes. E assim se fixou o resultado final, num jogo de nervos especialmente depois da grande penalidade falhada por Ronaldo e pela atuação medíocre e insegura do árbitro principal. Retiram-se boas ilações da exibição portuguesa e das alterações promovidas pelo selecionador luso, embora havendo ainda defeitos como a pouca eficácia de remate, excessiva dependência de rasgos individuais no ataque e de Pepe na defesa. Segue-se o Uruguai de Cavani e Suaréz, no próximo dia 30.

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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