Duelo exótico acaba com uma vitória picante do Irão

Marrocos ficou com a boca a arder depois do Irão de Carlos Queiroz ter ganho nos descontos, com um autogolo de Bouhadouzz. Marrocos teve sempre um futebol mais atrativo, com destaque para Zyach, Belhanda e Harit, mas o calculismo defensivo dos iranianos acabou recompensado no final.

Marrocos e Irão foram duas equipas que dominaram na fase de qualificação e previa-se um encontro interessante. De um lado, pelo tão esperado regresso dos marroquinos a um mundial, que vêm a praticar um futebol positivo sem sofrer qualquer golo no grupo de qualificação. De outro lado, um Irão que volta a participar num mundial sob o comando do experiente Carlos Queiroz, de 65 anos, e que sofreu golos apenas frente à Coreia do Sul em oito jogos de qualificação.

O jogo começou quente e partido: Marrocos era mais pressionante sem bola e mais incisivo em posse, enquanto que o Irão ia impondo a sua disciplina lá atrás, recorrendo várias vezes à falta. Amine Harit e Amrabat iam fazendo estrago pelas alas, a estratégia preferida da seleção norte africana para fazer face a um adversário que povoava bem o centro da defesa e raramente deixava que um cruzamento passasse ou que o avançado El Kaabi criasse perigo. Porém, nas bolas paradas defensivas o Irão passava grandes apertos e aos 18 minutos livrou-se de sofrer um golo quase que por milagre, depois de serem

Carlos Queiroz conseguiu a sua primeira vitória em mundiais com o Irão

intercetados três remates consecutivos dentro da área na sequência de um livre. No ataque, o Irão era ineficiente e só com lançamentos laterais chegava à área.

Aos 30′, o madridista Achraf e Amine Harit desmontaram a defensiva contrária, mas o guarda-redes Beiranvand encaixou o remate do extremo do Schalke. Uma grande oportunidade falhada para a equipa de Renard Herve, que em seguida tirou o pé do acelerador. Esse abrandamento permitiu que os iranianos criassem a sua maior oportunidade de golo da primeira parte, com Omid a ganhar a bola no meio-campo e iniciar um rápido contra-ataque que pôs frente a frente Serdar Azmoun e El Kajoui. O futebolista do Rubin Kazan rematou para defesa do guarda-redes adversário.

Ao contrário da primeira parte, a segunda teve largos períodos de enfado. So a partir do minuto 70 começou a haver alguma atividade digna de nota. Por essa altura, a seleção iraniana viu-se privada do capitão Shojaei e Amrabat. Incapaz de atacar e com duas baixas de peso, Carlos Queiroz tinha motivos para se preocupar com os vinte minutos finais. Passado dez minutos, os centro-asiáticos passaram um grande calafrio, com um volley espontâneo de Hakim Ziyech destinado a ser golo. Mas Beiranvand atirou-se e foi buscar a bola ao ângulo inferior direito da sua baliza. Marrocos apostou numa alteração tática, mais atacante, mas a forma de atacar não era a mais apropriada (bolas despejadas para a frente).

Quando já todos pensavam que o jogo estava acabado e este acabaria por ser o primeiro nulo do Mundial, o Irão ganha um livre quase na quina de canto. Safi bateu tenso para o primeiro poste, e o avançado Bouhadouzz equivocou-se na baliza. Errou no timing e na abordagem ao lance e em vez de cortar para canto, cortou para dentro da baliza, isto nos descontos. Marrocos fez mais do dobro dos passes da seleção iraniana, e quase o dobro dos remates. Contudo, o resultado pendeu para o lado iraniano, representando a primeira vitória do país em mundiais em 20 anos. A desilusão e a sensação de dever incumprido ficou estampada nas caras dos marroquinos.

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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