Messi faz história nos 50 anos da bota mais cobiçada da Europa

Leonel Messi fechou a época de 2017/2018 com 34 golos, mais dois que Mohamed Salah (Liverpool FC) e mais quatro que Harry Kane (Tottenham  Hotspur FC). Este registo fez do jogador argentino o maior recordista do número de botas de ouro conquistadas (5), numa altura em que o prémio celebra 50 anos de existência.

Em jeito de comemoração do quinquagésimo aniversário da Bota de Ouro e do logro histórico de Messi, o Ambidestro traça o perfil do prémio mais cobiçado pelos artilheiros que atuam nas ligas europeias.

 

A Bota de Ouro através dos tempos

A época desportiva de 2017/2018 assinalou 50 anos de história do prémio mais cobiçado pelos goleadores de toda a Europa e distinguiu até hoje 38 jogadores, de 24 nacionalidades diferentes e 18 ligas espalhadas pelo Velho Continente.

O arrancar desta competição individual remonta à época de 1967/1968, altura em que a regra dos coeficientes não foi de imediato aplicada, tendo entrado em vigor quando, em 1996/1997, a European Sports Media tomou conta do prémio anteriormente gerido pelo jornal L’Équipe. Isto depois de um hiato de cinco épocas (1991/1992 – 1995/1996) em que os vencedores não foram premiados devido à polémica instalada com a conquista de Darko Pancev, jogador da Primeira Liga da antiga Jugoslávia, na época de 1990/1991.

Desta feita, ficou estabelecido que os golos dos campeonatos posicionados entre o 1º e 8º lugar do ranking da UEFA passariam a valer dois pontos; do 9º ao 21º lugar 1,5 pontos; e os restantes apenas 1 ponto.

 

As Ligas de Ouro

Com a aplicação dos coeficientes, a história das ligas vencedoras da Bota de Ouro foi-se uniformizando consideravelmente. Se outrora num espaço de 10 anos chegavam a ser distinguidas 9 ligas diferentes, com a instauração desta regra apenas duas ligas (La Liga e Premier League) conquistaram o prémio nos 10 últimos anos, por exemplo, sendo que apenas seis viram um jogador seu erguer o prémio desde então.

Coeficientes à parte e à mistura, a totalidade da história da Bota de Ouro consagra a La Liga como a prova rainha desta competição: com 14 vezes a servir de palco para a melhor veia goleadora da época, o campeonato espanhol partilha este pódio com a Primeira Liga de Portugal (7) e com a Premier League inglesa (6).

 

Os artilheiros e de onde vêm

Embora Espanha tenha vindo a servir de palco principal para os melhores goleadores brilharem, está longe de ser uma fábrica de autênticas Botas de Ouro, uma vez que nenhum jogador espanhol foi distinguido até hoje.

Nesta matéria, Portugal destacou-se claramente como o terreno mais fértil para fazer crescer verdadeiras máquinas de golo, dominando o pódio com oito botas douradas (quatro de Cristiano Ronaldo, duas de Eusébio da Silva Ferreira e duas de Fernando Gomes). No segundo lugar, encontra-se a Argentina com seis conquistas (cinco de Lionel Messi e uma de Héctor Yazalde) e, no terceiro, o Uruguai com quatro distinções (duas de Luis Suárez e duas de Diego Forlán).

No plano individual, Leonel Messi acaba de se descolar de Cristiano Ronaldo, tendo agora cinco botas de ouro, face às quatro do português. Este último distancia-se do terceiro lugar do pódio por duas Botas de Ouro, número este atingido por nove jogadores: Eusébio da Silva Ferreira, Gerd Muller, Dudu Georgescu, Fernando Gomes, Ally McCoist, Mário Jardel, Thierry Henry, Diego Forlán e Luís Suárez.

De todos os vencedores, o recordista do maior número de golos numa época até hoje é Lionel Messi, tendo apontado 50 tentos na época de 2011/2012, seguindo-se de Cristiano Ronaldo, com 48.

 

É uma bota portuguesa com certeza

A análise aos números da Bota de Ouro através dos tempos permite concluir o peso considerável que Portugal tem na produção europeia de golos ao longo da história do Futebol: é o país que mais nacionais viu conquistar o galardão, segundo lugar do pódio das ligas que mais vezes teve jogadores a erguer a bota dourada e conta com o segundo jogador com mais Botas de Ouro de sempre.

Como se não bastasse, foi mesmo um português a “inaugurar o marcador” com a Bota de Ouro: Eusébio da Silva Ferreira, em 1967/1968, ao serviço do SL Benfica.

Cámi Rodrigues

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e Mestre em International Management pela Nova School of Business and Economics. 23 anos e residente na Amadora. Mais conhecido por Cámi.

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