“Como apareciam muitos miúdos para jogarem na frente e faltava um guarda redes, lá fui eu para a baliza”

O nosso convidado tem feito a sua carreira como guarda redes e ultimamente está em Moreira de Cónegos com a missão de treinar os donos da baliza do Moreirense. Pedro Taborda, actualmente com 39 anos, em Portugal sempre defendeu as redes de clubes do norte, sendo que, o emblema mais a sul foi a Naval. Com passagem pelo FC Porto onde aprendeu com os craques da época, falou do orgulho em ter jogado pelo Covilhã, clube da sua terra, e recordou ainda, a “sua” Naval.
O nosso convidado ostenta ainda, o feito de ter sido por duas épocas, vice-campeão da Roménia.
Pedro, desde já agradeço a disponibilidade por acederes ao meu convite e concederes esta entrevista. Vou dividir a entrevista em quatro momentos, abordando o teu passado, o momento actual, perspectivas futuras e perguntas de cariz pessoal com resposta rápida.


AMBIDESTRO: Como surgiu o teu interesse pelo futebol ?
Pedro Taborda: O interesse veio de miúdo como todas as crianças, e como sou de família de jogadores ficou mais fácil seguir as pisadas.


AMBIDESTRO:Na altura que despertaste para o futebol, o interesse sempre foi o de ficar nos postes ou essa posição surgiu por acaso ?

Pedro Taborda: Quando comecei nos treinos de captações eu ia preparado para tudo, e como apareciam muitos miúdos para jogarem na frente e faltava um guarda redes, lá fui eu para a baliza 🥅


AMBIDESTRO:Iniciaste a carreira no Freamunde na época de 1996/07, que memórias guardas dessa altura ?
Pedro Taborda: Nessa altura tinha subido aos seniores , treinava nos seniores e jogava nos juniores. Aí começou ainda mais a minha paixão. Depois dessa época a treinar nos seniores e jogar nos juniores assinei pelo Porto, por quatro anos.

AMBIDESTRO:No ano seguinte vestiste as cores do FC Porto. Certamente foi importante em termos evolutivos na tua carreira e de capital importância, no âmbito da tua formação. Numa altura de ouro dos dragões, como viveste aquele momento ?

Pedro Taborda: Sim no ano seguinte assinei pelo FC Porto. Foi uma alegria muito grande, assinei pelos campeões nacionais na altura, fiquei um ano a treinar e a aprender com aqueles, uns verdadeiros craques, onde cresci como jogador e pessoa.


AMBIDESTRO:Em 1998/99 rumas ao Vizela e agarras a titularidade onde primaste pela regularidade exibicional. Passaste depois por emblemas como o Ermesinde e Freamunde. Fala-nos um pouco desse percurso.

Pedro Taborda: O meu percurso pelas equipas que falaste foi positivo, pois fiz boas épocas , no Ermesinde, Vizela, Freamunde fui ganhando experiência onde  joguei com jogadores mais velhos e isso ajudou-me muito.

AMBIDESTRO: É em 2004/05 que no meu entender, dás o salto mais qualitativo e de maior visibilidade. Época em que inicias o percurso com a Naval. As exibições ganharam maior dimensão, tendo subido com a equipa à primeira divisão. Foi o clube onde estiveste mais tempo ligado, acredito que tenha sido especial a vivência e a partilha num emblema que deixa saudades. Que memórias guardas da Naval ?
Pedro Taborda: Em 2004/05 fui para a Naval , a 200 km de casa foi a primeira experiência fora do Norte, passei lá 4 anos onde subi de divisão e onde fui muito feliz, passei a ser uma referência do clube.

AMBIDESTRO: Foi com as cores da Naval que surge o convite para a primeira experiência internacional, neste caso, na Roménia, onde estiveste quase quatro temporadas até regressares novamente à Naval. Como correu a experiência internacional?

Pedro Taborda: Ao fim de 4 anos na “minha Naval”, resolvi abraçar outro projeto na minha carreira e conhecer outras culturas, então fui jogar para a Roménia, onde passei 3 anos e meio. Lá,  joguei play off da Liga dos Campeões e joguei na Liga Europa, fui dois anos vice-campeão pelo Timişoara.


 

Pedro Taborda foi Vice Campeão romeno pelo Timisoara

 AMBIDESTRO: À época, que diferenças encontraste no futebol romeno face ao nosso?

Pedro Taborda: As diferenças que encontrei, prende-se com o facto de eles serem mais agressivos e nunca viram a cara à luta, não dão o jogo por pedido.


AMBIDESTRO: Antes de integrares o Moreirense, ainda estiveste 3 épocas (2013/16), no clube da tua terra Natal. Como foi defenderes as cores da terra ?

Pedro Taborda: Jogar no Covilhã era um sonho a realizar. É a cidade onde nasci e onde tenho raízes . Pois o meu pai jogou lá durante dez anos e o meu avô era roupeiro mais a minha avó. Passei lá 3 anos fantásticos.
Honrar o SC Covilhã foi um orgulho para Pedro Taborda, até porque, o clube serrano faz parte do seu meio familiar


AMBIDESTRO:
 Surge o “click”…. o convite para o Moreirense. Como surgiu o interesse destes ?
Pedro Taborda: Fui para o Moreirense pelo meu trajeto e pela experiência que tinha , pois as pessoas já me conheciam pelo facto de morar ali perto e já tinha trabalhado com o mister Costa que agora é diretor desportivo.


AMBIDESTRO: Antes de passarmos à experiência actual, gostava de te perguntar, qual foi a tua defesa mais marcante até então?
Pedro Taborda: A defesa mais importante para mim !… fiz algumas, mas gostaria de destacar uma que fiz contra o Benfica para a taça de Portugal na Figueira da Foz . O Rodrigo, jogador do Benfica, tinha cabeceado no meu contra pé e eu com o calcanhar defendi a bola, uma defesa fora do comum para um guarda-redes.


 Pedro viajámos um pouco no passado e agora gostava que nos centrássemos na época actual. Inicias o campeonato entre os postes do Moreirense até que, a experiência conquistada exige que seja partilhada….e nesse sentido, surge a hipótese de passares para treinador de guarda redes do clube de Moreira de Cónegos

AMBIDESTRO: Como tem sido a experiência como mister dos “homens das luvas”?
Pedro Taborda: Tem sido boa. Tento passar uma mensagem positiva onde os guarda redes possam acreditar no que fazemos para estarmos mais perto da perfeição. Quando aceitam a mensagem e o respectivo trabalho, é muito gratificante para mim ver que o trabalho está a dar frutos.

Pedro Taborda é actualmente o treinador de guarda redes do Moreirense


AMBIDESTRO:
A paixão pelo futebol não te permite parar e sei que entretanto, tens feito vários cursos de treinador. Certo?
Pedro Taborda: Sim. Tenho feito algumas formações, pois nunca é demais aprender e estarmos atualizados.


AMBIDESTRO: Faz parte dos objectivos a curto prazo, termos um Pedro Taborda como treinador principal? Calculo que tens sido abordado nesse sentido?
Pedro Taborda: Sim, já tive algumas abordagens nesse sentido , quem sabe num futuro próximo abrace um projeto.


AMBIDESTRO: Qual o teu maior sonho no futebol ?

Pedro Taborda: O meu maior sonho é, ser treinador principal e transmitir confiança e credibilidade a quem confiar em mim.


AMBIDESTRO: Como é o teu dia a dia, durante a semana?
Pedro Taborda: Levantar cedo, levar as filhas à escola e ir para o treino.  De tarde trabalho um pouco no que vou fazer no dia seguinte no treino e se tiver tempo estou com alguns amigos e falamos de futebol


Pedro está a ser um gosto enorme, conhecer a tua vivência futebolística. No entanto, agora vamos abandonar o “tapete verde” e gostava de te colocar algumas questões mais de índole pessoal. Peço-te agora, umas respostas rápidas para os seguintes itens.



Perguntas tipo “grande penalidade:

Prato favorito – Arroz de tomate e panados
Música preferida – Brasileira/ Roberto Carlos
Filme favorito– Gladiador
Tempos livres – Família e ver futebol
Guardião que mais admiras – Michel Preud Homme
Treinador que mais te marcou – Rogério Gonçalves
Melhor guarda-redes – Manuel Neuer

 


Iniciei a entrevista falando do Pedro Taborda guarda redes e termino com o Pedro treinador. Foi um prazer esta viagem no tempo na certeza porém que, a tua humildade, empenho e competência te vão trazer ainda mais sucesso. Em meu nome e em nome da equipa do AMBIDESTRO, muito obrigado.

Guilherme Freire Coelho

Alfacinha apaixonado pela vida e dela, faz parte o futebol. Defendo-o como desporto, respeito-o pela vertente social e admiro-o como espectáculo. A bola, é mero instrumento para os artistas brilharem. Não escrevo sobre bola mas sim, sobre Futebol, sempre de forma transparente e com fair-play.

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