Cristiano Ronaldo: 33 anos… e agora?

Lendas como Cristiano Ronaldo devem ser celebradas todos os dias no mundo do futebol. Assistir à carreira do melhor jogador do mundo pela FIFA e Bola de Ouro 2017 tem sido um privilégio seja ele o nosso favorito e eleito, ou não. A verdade é que, até aqueles que se negam a admitir que Ronaldo já assegurou o seu lugar na mesa dos melhores de todos os tempos, vão um dia certamente concordar que, pelo menos, o mundo do futebol não será o mesmo sem ele. E esse dia parece que está cada vez mais perto sempre que chega o 5 de fevereiro, sempre que Ronaldo fica um ano mais velho, todos nos pomos a pensar no que ele já fez e no quão cada vez menos tempo ele tem para fazer ainda mais. Essa ideia assusta-nos a todos simplesmente pelo facto de que, na última década, todos os caminhos no desporto rei pareceram ir dar a dois nomes: o dele e o do eterno rival, Lionel Messi.

A mudança deixa sempre incertezas e nenhum de nós consegue realmente prever o que vai acontecer quando CR7 e LM10 deixarem os seus tronos. Neymar é o mais frequentemente indicado sucessor mas só aos 26 anos, que completa hoje também, é que a estrela brasileira está finalmente a tornar-se um candidato de peso. Com essa idade, tanto Ronaldo como Messi já se tinham estabelecido como os melhores do mundo e caminhavam os dois, então, para ganhar o estatuto de melhores de sempre. Ambos fenómenos que mudaram completamente a arte do futebol, o próprio negócio que rodeia o jogo, a cultura da idolatria, a definição de rivalidade e o conceito de consistência e longevidade. 10 anos no mais alto dos níveis, tentando superar-se um ao outro constantemente ao ponto de conquistarem o que era considerado inconquistável e fazerem o que era considerado impossível. Mas Ronaldo fez hoje 33 anos e Messi fará 31 daqui a uns meses e o futebol tem data de validade e nós, os que o amam, e que os amamos a eles, tentamo-nos esquecer desse facto o mais que conseguimos.

Ainda assim, a idade parece ser um número insignificante para Cristiano Ronaldo. Os melhores anos da sua carreira viveu-os já depois dos 30, a temporada passada foi, para si, um autêntico vendaval, uma forma física de invejar aos mais novos, e um desejo de vencer que parece inesgotável. A carreira de Ronaldo não tem sido fácil e é um dos jogadores que mais críticas enfrenta sobre todos as pequenas decisões que toma, passos que dá e golos que marca. Qualquer outro jogador já teria desistido como fez Messi, por exemplo, por um breve período de tempo quando as derrotas, a pressão e a má sorte pareciam tornar-se insuportáveis. Pois, de derrotas, pressão e má sorte tem a carreira de Ronaldo sido repleta, principalmente nos seus primeiros anos de Real Madrid e em todos os anos na nossa seleção – até 2016. Mas, no final de contas, nada disso se compara ao que ele, independentemente de todos os senãos e contratempos, conseguiu alcançar. Poucos diriam que alguma vez conseguisse igualar Messi no número de bolas de ouro, poucos diriam que alguma vez conseguisse ganhar um título por Portugal, poucos diriam que em apenas 7 temporadas se tornasse no maior marcador do Real Madrid, ao superar Raul que demorou o dobro a chegar aos mesmos números, poucos diriam que depois de chegar a Espanha, numa época claramente dominada pelos rivais da Catalunha, conseguisse conduzir a sua equipa a ganhar 3 Ligas dos Campeões em 4 anos. Ainda assim, fê-lo. E fê-lo na sua maioria já depois dos 30. Porque quanto mais as “odds” estiverem contra si, mais Ronaldo as desafia e contraria. Tem gozo nisso. Gosta da pressão, aprendeu a dominá-la, a usá-la a seu favor. A maior arma que tinham contra ele e Ronaldo pegou nela e tornou-a no seu maior e mais poderoso trunfo. A sua força e a sua personalidade são o que o distinguem porque, apesar de ser um jogador que todos concordamos ter nascido abençoado, sem estas duas qualidades não seria quem é hoje, porque a si sempre lhe puseram estacas no caminho. (E a mim dá-me gozo pensar que parte desse espírito que lhe é tão próprio se deva ao sangue português que lhe corre nas veias).

Bem, mas pousemos os pés na terra, outra vez, porque lá em cima é o lugar dos deuses, onde habitam os dois de que falámos. 33 anos é muita coisa para um futebolista e a temporada de Ronaldo não está a ser a melhor (da sua carreira claro, porque uma época má nos livros dele é das melhores nos livros de qualquer outro terrestre). Assim, preguntamo-nos se é o início do fim. E começamos a ficar nervosos. Porque vem aí o Mundial. E precisamos do nosso capitão. Mas ele está com 33 anos… e agora?

A resposta: agora, mais do que nunca, está na altura de que todos comecemos a dar valor ao que sempre tomámos por garantido, ao que negligenciamos e dissemos ‘podia fazer melhor’, ou ‘não chega’, quando ele, aconteça o que acontecer, deixa sempre tudo o que tem em campo. E muitos não o vêem. E rapidamente tudo o que Ronaldo tem é cada vez menos e nós sentimos falta do antes. Quando na altura não lhe demos o devido valor.

33 anos… e agora? Agora esperamos que nos volte a deixar boquiabertos, com pele de galinha e o coração na garganta, pela milésima vez. Porque acreditem, vai acontecer.

Francisca Tinoco

Aluna do segundo ano da licenciatura de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa, amante do futebol e do desporto e sonhando em poder fazer do jornalismo desportivo a minha vida.

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