Diego Barcellos: o desejo de fazer regressar o Nacional à I Liga

Bilhete de identidade:

Nome: Diego de Lima Barcellos
Data de nascimento: 05/04/1985
Nacionalidade: Brasileira
Peso: 68kg
Altura: 1,71m
Posição: Médio ofensivo
Número: 10

 

Jogo contra o Varzim, emblema que representou em 2016

Esta semana, o AMBIDESTRO traz-lhe uma nova entrevista, desta vez com um jogador bem conhecido do futebol português. Após a longa passagem pelo Nacional, Diego Barcellos voou para novos horizontes, mas está de regresso para dar aos insulares aquilo que mais ambicionam: a subida à I Liga.

Formado no Internacional Portalegre, o médio brasileiro chamou a atenção do Nacional quando este jogava na China. Após uns longos e vitoriosos 5 anos com o emblema madeirense ao peito, Barcellos seguiu novos caminhos. Em 2016, voltou ao futebol português para representar o Varzim e agora abraçou o novo desafio do clube onde já foi muito feliz.

Fique a conhecer tudo sobre o médio de 32 anos, o seu percurso, os seus objetivos, as suas paixões e ainda a sua opinião acerca do futebol português.

AMBIDESTRO: Fala-nos sobre ti enquanto jogador. Qual é o teu maior ponto forte?

Diego: Bem, tal como o mister Costinha diz, existem jogadores habilidosos e jogadores técnicos. Eu considero-me um jogador técnico. Tenho um bom domínio de bola, um bom passe…. Acho que o meu ponto forte é a visão de jogo, chego bem à área adversária e isso é fundamental para um médio. Aquilo que me dizem é que também entro muitos vezes nesse espaço de conclusão e é isso que me faz marcar mais golos.

AMBIDESTRO: Qual a sensação de voltar ao Nacional, clube que já tinhas representado entre os anos de 2009 e 2014?

Diego: A sensação é a melhor possível. Fiquei extremamente contente quando o presidente aceitou o meu regresso e isso, sinceramente, foi um momento único para mim e para a minha família. Espero retribuir da melhor forma, isto é, ajudar o Nacional a subir de novo à I Liga.

AMBIDESTRO: É exatamente essa a ambição, a de subir de novo à Primeira Liga. Dentro do balneário é algo muito falado? Como é que tu e os teus colegas lidam com essa pressão?

Diego: Vou citar novamente o mister Costinha. O que ele nos diz é que quanto mais cedo absorvermos essa pressão, mais fácil vai ser. O Nacional é um clube grande, que pertence à I liga, portanto vai sempre haver pressão. Assim, quanto mais cedo absorvermos essa pressão, melhor vai ser o nosso futebol, mais perto vamos estar do objectivo.

AMBIDESTRO: Por falar em balneário, dentro da equipa, quem é para ti o mais talentoso?

Diego tem ao todo 132 jogos com a camisola “alvinegra”.

Diego: O plantel está cheio de talento. Quando regressei ao clube, notei que os jogadores madeirenses cresceram imenso. Percebi logo essa diferença desde a minha saída em 2014 para agora. Jogadores como o Camacho, o Jota, o Edgar, o Diogo Coelho, o Campos, todos evoluíram. Eles estão cheios de talento. Fico feliz por poder jogar com eles.

AMBIDESTRO: E quem é o mais brincalhão?

Diego: (risos). Tem muitos, está cheio deles. Mas aquele que está sempre a brincar, que não pára um minuto, é o Diego Silva, o central.

AMBIDESTRO: A 1ª volta da II Liga já foi completada. De todas as equipas que defrontaste, quais foram as que te surpreenderam pela positiva?

Diego: A II Liga é um campeonato muito equilibrado. Eu gostei particularmente de uma equipa que eu acho que muito provavelmente vai conseguir a subida, que é a Académica de Coimbra. Tem muito bom futebol, é uma equipa experiente, fortíssima a jogar em casa. Na minha opinião, é, sem dúvida, das mais fortes.

AMBIDESTRO: Já jogaste em países como a China, a Tailândia, o Chipre e obviamente o Brasil. Qual foi a melhor experiência?

Diego: Tive muito boas experiências. Gostei muito de ter jogado na China, no Guangzhou. Foi uma excelente experiência, tanto a nível profissional, como a nível cultural. Talvez por ter sido a primeira vez que saí do meu país e entrei em contacto com novas realidades. Desses países, a China foi a mais positiva e surpreendente. Mas para mim, claro, em primeiro lugar está Portugal e Brasil.

AMBIDESTRO: Quais as maiores diferenças em relação ao futebol português?

Diego: Vou comparar com o Brasil por achar que estão as duas praticamente no mesmo nível. O futebol português é um futebol mais agressivo, um futebol que exige muito poder tático. No Brasil, taticamente não se cumpre tanto como aqui em Portugal. Não é fácil de te adaptares na forma como se joga aqui. E fico feliz por me ter adaptado. Tens que cumprir tudo o que o mister pede e muitos jogadores brasileiros não conseguem dar a melhor resposta porque lá é diferente. Acho que essa é a maior diferença entre o futebol brasileiro e o português, pelo menos, foi a que senti mais.

AMBIDESTRO: Para um jogador que já passou por tanto sítio, como é que viver na ilha da Madeira?

Diego: Eu costumo dizer que a Madeira é um pedacinho do céu (risos). É excelente, tenho aqui a minha esposa, os meus filhos e voltando a comparar com o Brasil, um país que amo muito, lá infelizmente existe muita violência. O facto de eu poder sair e estar no parque com os meus filhos, de dia ou de noite, sem me preocupar com nada, é um privilégio.

AMBIDESTRO: Dos muitos anos que jogaste em Portugal, alguma vez te passou pela cabeça representar a seleção portuguesa?

Diego: Não… sinceramente nunca me passou pela cabeça. Mas é uma felicidade enorme jogar neste país.

AMBIDESTRO: Penso que estarás mais ou menos atento à primeira liga. Na tua opinião, quem é que poderá ser o campeão?

Diego: Acho que, como sempre, é uma luta a três. O Braga também está ali perto, mas eu acredito que o campeonato vá ser disputado pelos grandes. Apesar do Benfica não estar tão forte como nos anos anteriores, não se pode descartar porque também está na corrida. Mas se tivesse que apostar, a equipa do Porto leva alguma vantagem.

AMBIDESTRO: Embora tenhas 32 anos, ainda tens a ambição de chegar a um dos três grandes?

Diego: É muito difícil. Como referiste, vou fazer 33 anos e para um clube dessa dimensão, o maior interesse é contratar um jogador jovem para futuramente ter retorno em termos monetários. Então, volto a dizer, é muito complicado.

AMBIDESTRO: E internacionalmente, algum clube que gostarias de representar?

Diego: Também não tenho essa vontade. Eu felizmente consegui realizar todos os meus sonhos e tenho sido muito feliz na minha carreira. Todos os objetivos que tracei, têm sido alcançados.

AMBIDESTRO: E no Brasil, qual é o teu clube do coração?

Diego: Obviamente que é o Internacional de Portalegre. Foi o clube que me lançou e pelo qual tenho um carinho enorme.

AMBIDESTRO: Olhando para a teu percurso enquanto jogador, qual foi o momento mais positivo?

Diego: Tive muitos bons momentos ao longo deste meu percurso. Posso destacar o momento em que o Nacional se qualificou para a Liga Europa, foi um grande momento. Mas acho que o momento-chave foi quando, com 20 anos, fui chamado para a seleção de sub-20. Foi talvez o momento mais especial da minha carreira.

AMBIDESTRO: E o mais negativo?

Diego: Não só para mim, mas para todos os jogadores, os momentos mais negativos são as lesões. É muito complicado. Ás vezes as pessoas não entendem o que isso causa nos jogadores, o sentimento negativo. Porque nós queremos jogar, trabalhamos para isso e quando não podes, devido a uma lesão, é extremamente frustrante.

AMBIDESTRO: Já pensaste alguma vez o que será o “Diego Barcellos” fora do futebol? Tens algum objetivo após terminares a carreira?

Diego: Eu pretendo continuar na área do futebol. Não sei se como treinador, se como adjunto…, mas pretendo claramente fazer um curso. Mas acho que ainda aguento mais alguns anos (risos), talvez mais três anos. Enquanto eu estiver em condições e estiver bem, pretendo prolongar o fim da carreira o máximo possível.

AMBIDESTRO: Para finalizar, és sem dúvida um atleta com muita vivência e experiência. Se tivesses de dar um conselho aos jovens que ambicionam ser jogadores, o que dirias?

Diego: Nunca desistam. Eu quando era miúdo jogava num campo de areia e jogava por prazer. Até que um dia, um treinador de uma escola de futsal viu-me jogar, ficou interessado e convidou-me para fazer parte da escola dele. Era uma escola muito pequena, mas fui jogando sempre com a maior das alegrias. E sempre me dediquei imenso e mais importante, acreditei sempre em mim e nas minhas capacidades. Não desistam dos vossos sonhos e nunca deixem os estudos. Se acreditarem em vós próprios, com muita dedicação e trabalho, eventualmente alguma porta se irá abrir.

Fora das quatro linhas:

Prato favorito: Churrasco Música favorita: Hip-hop, Louvores
Filmes favoritos: “Loiras à força”
Tempos livres: Passear com a família e ir à Igreja
Ídolo de infância: Ronaldo, “O Fenómeno”
Treinador mais marcante: Muricy Ramalho (ex-treinador do Internacional Portalegre)
Melhor jogador da atualidade: Messi
Melhor equipa que viste jogar: Barcelona

 


Em nome do AMBIDESTRO, agradeço a disponibilidade do Diego e desejo as maiores felicidades tanto a nível profissional como pessoal.

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Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Atualmente a tirar a licenciatura em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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