A qualificação acabou na América do Sul. E isso é sério

O Brasil já estava qualificado para disputar o seu 21.º Mundial quando entrou em campo em São Paulo, na terça-feira (10), na última jornada do torneio sul-americano. A vitória sobre o Chile por 3-0, com dois golos de Gabriel Jesus e mais um de Paulinho, serviu como uma apresentação de gala aos adeptos brasileiros. Pior para o Chile, que mesmo bicampeão da Copa América ficará de fora da Rússia em 2018.

A Argentina tinha missão mais difícil. Precisava de vencer o já eliminado Equador fora de casa e ainda torcer por outros resultados para não precisar jogar a repescagem. Messi fez o seu papel, e com um hat-trick garantiu os “hermanos” na Copa: 1-3, foi o resultado final.

O Brasil terminou com a primeira posição na fase de grupos, seguido de Uruguai, Argentina e Colômbia. O Peru disputará a repescagem contra a Nova Zelândia, e chega como favorito no confronto.

As situações de Brasil e Argentina, os dois nomes mais tradicionais da Conmebol, parecem opostas. O natural seria colocar os brasileiros como favoritos ao hexa e os argentinos como uma equipa que precisa de recuperar para ter alguma esperança em 2018. Mas o exemplo do último título sul-americano mostra o porquê de estas certezas não serem tão sólidas quanto podem parecer.

A história de 2002

Basta trocar os nomes que se chega a uma situação muito parecida em 2001. A Argentina de Batistuta, Crespo e Verón foi a primeira da América do Sul a garantir na Coreia e no Japão, qualificada em primeiro lugar, 12 pontos à frente do segundo colocado Equador.

O Brasil, por sua vez, trocou de treinador no meio da fase de grupos e só conseguiu garantir a vaga na última partida, quando venceu a Venezuela no Maracanã por 3-0. No retrospecto dos brasileiros, resultados desagradáveis como uma derrota por 3-1 para a Bolívia na altitude de La Paz e um empate com o fraco Peru por 1-1, em casa.

Questionado, o Brasil chegou à Coreia no ano seguinte e emplacou uma campanha invicta para levantar o pentacampeonato. Já a Argentina acabou eliminada surpreendentemente na fase de grupo, dando lugar a Suécia e Inglaterra.

Olho no Mundial

A fase de grupos, assim como qualquer torneio preliminar de futebol que se respeite na América do Sul, não significa muita coisa.

É claro que o bom futebol apresentado pelos craques brasileiros Gabriel Jesus, Coutinho, Neymar e Willian é de se respeitar, mas a história de 2002 existe para lembrar que fase de grupos e Mundial são dois torneios absolutamente diferentes.

Já na Argentina, a dificuldade em fazer os golos e a dependência absoluta pelo futebol de Messi – mesmo com outros craques à disposição como Di Maria, Higuaín e Dybala- são preocupantes. Mas nada disso significa favoritismo em 2018.

Se na Europa factores como pressão dos adeptos e lesões de atletas já contam com um alto grau de influência nos resultados, na Conmebol eles se multiplicam por dois. São três anos e meio de fases de grupos – não há qualificação para a Copa América. Um longo tempo de subidas e descidas que culminam na última rodada, quase sempre emocionante.

Uma vez assegurada a vaga, é ponto final no que já se passou e hora de olhar para a Rússia.

Rafael Almeida

Rafael é brasileiro e acompanha futebol há tanto tempo que nem se lembra. Se interessa também pela política do esporte e pelas suas dimensões socio-culturais. É formado em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo e atualmente estuda jornalismo, sendo também parte da equipe de um jornal digital no Brasil, onde escreve sobre política internacional.

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